Desserviço ao ambiente
Sirlei Bennemann
  Fiquei assombrada com tamanha ignorância e o atraso que ainda persistem quando se atua em ações ambientais. É o caso do programa de repovoamento dos rios, anunciado pelo Governo do Paraná na mídia, cujas ações podem até consistir em crimes ambientais. É um absurdo colocar espécies de peixes em qualquer bacia ou rio sem os cuidados necessários. A introdução de uma espécie inadequada num ambiente aquático dificilmente será erradicada.
  Para colocar uma espécie de peixe num rio, a primeira atitude é conhecer quais as espécies nativas que lá existem e num rio mais próximo ao seu estado natural. A segunda atitude é conhecer o papel que estas espécies realizam naquele rio. Se uma espécie nativa não estiver mais presente, a primeira atitude é verificar quais as causas. Se isso se confirmar, é porque as condições que ela necessita não estão adequadas.
  Alguns dos absurdos e os desserviços do programa de repovoamento dos rios são: os peixes colocados nos rios são provenientes de 47 pontos de distribuição produzidos no Estado, da propriedade que estiver mais perto e que tiver disponível os juvenis. Pergunto: de qual espécie, de que qualidade genética e qual o papel que ela irá realizar no ambiente?
  Faltam conhecimentos sobre a ecologia, pois as espécies ‘‘forrageiras’’ são as primeiras a se estabelecer, quando há condições ambientais. Aí, será possível a existência de outros, os carnívoros, por exemplo. Vale lembrar que a pirancajuba (é preciso saber se uma espécie nativa) não é carnívora, mas é exigente em qualidade de água e necessita da mata para que forneça os frutos para ela se alimentar, e não de espécies forrageiras. O mais grave é o exemplo dado aos estudantes. Pessoas da comunidade e políticos acham que estão fazendo uma ótima ação ao ambiente, mas não sabem que é péssima. Estão fazendo um desserviço ao ambiente. Os recursos estão sendo desperdiçados pelo governo e poderiam estar sendo aplicados em programas corretos e também na educação ambiental e não ampliando a ignorância que será amplificada e disseminada por quem viu no local em que os peixes foram jogados e também por quem assistiu ao programa na TV.
SIRLEI BENNEMANN é doutora em Ecologia e Recursos Naturais e professora na Universidade Estadual de Londrina



SOS professores
Claudinei Modesto
  Indisciplina, desrespeito e até agressões verbais e psicológicas em comunidades de teor ofensivo no Orkut, site de relacionamentos da internet. Esses são apenas alguns dos constrangimentos pelos quais alguns professores têm passado nos últimos meses. Muitos profissionais da área têm pedidos afastamento em conseqüência de problemas de saúde, como estresse e depressão, associados a casos de violência e agressão nas salas de aula. Embora inaceitável, essa situação foi detectada em todo o Estado.
  Muitos casos que envolveram violência contra professores foram registrados este ano. Na maioria das vezes as agressões físicas não são notificadas ‘‘por resistência da direção da escola’’ em expor, de forma negativa, o nome da instituição. Outro problema grave foi o registro de presença de arma de fogo em sala de aula, encontrada sob posse de alunos. Criam problemas dentro da sala impedindo o docente de realizar seu trabalho. No meio disso tudo ficam expostos a diversas situações de constrangimento e até violência.
  Inúmeras questões podem estar ligadas ao crescimento dos indicadores de violência nas escolas. A sociedade hoje enfrenta problemas com o tráfico de drogas, violência urbana, desemprego, desestrutura familiar e, principalmente, a falta de condições de sobrevivência. Isso tudo se reflete nas escolas através dos alunos que convivem nessas condições sociais. Por conta desses fatores, o professor perde um pouco da sua identidade e acaba exercendo, também, a função de médico, assistente social e psicólogo dos alunos. O maior índice de agressões contra professores ocorre em escolas localizadas em áreas onde existem altos índices de criminalidade.
  A melhor estratégia para evitar a incidência de casos de agressão contra professores e a indisciplina nas salas de aula das escolas da rede pública é capacitar os professores e trabalhar em conjunto com a família dos alunos considerados ‘‘de risco’’. A Secretaria de Educação poderia apresentar e notificar penalidades associadas a este tipo de ação considerada, além de uma ofensa moral, desacato a funcionário público.
CLAUDINEI MODESTO é professor de Teologia em Maringá


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