As drogas e o coração
Lázaro Fernandes de Miranda
  As drogas ilícitas são aquelas substâncias químicas cuja produção, distribuição, comercialização e consumo são proibidos e constituem crime. Infelizmente, estão em permanente expansão. A Organização das Nações Unidas divulgou recentemente que 4,7% da população mundial, com idade entre 12 e 64 anos, faz uso de alguma droga ilícita. No Brasil, na mesma faixa de idade, o relatório de 2005 da mesma ONU, revelou que a incidência é de 0,7% com tendência a aumentar, concentrando-se entre os mais jovens. Os estados do Sul e Sudeste registram maior número de consumidores.
  Essas drogas (cocaína, crack, morfina, heroína, anfetamina, ecstasy, maconha, andrógenos e anabolizantes) têm ação cardiovascular, em graus variados. Podem levar à hipertensão arterial e à crise hipertensiva, a arritmias cardíacas, ao infarto, à embolia pulmonar, à endocardite infecciosa, à depressão respiratória, à morte súbita, entre inúmeras outras complicações. No cérebro, sabe-se que, no mínimo, oito sistemas neurotransmissores estão definitivamente implicados nas ações dessas drogas.
  O sucesso das tentativas para reduzir o avanço do consumo das drogas ilícitas dependerá de investimentos e medidas enérgicas nos vários níveis da comunidade nacional e internacional, estabelecendo inclusive bloqueios econômicos a países produtores e também àqueles que funcionam como entrepostos ou corredores para as drogas.
  Na outra ponta, onde encontramos os indivíduos susceptíveis, geralmente estudantes e jovens, devemos proporcionar educação e proteção eficientes, ‘‘blindando-os’’ às investidas dos ‘‘vermes’’ traficantes. Para estes, não deverá haver tolerância ou clemência. Tal qual identificamos e exterminamos vetores de outras doenças (mosquitos, barbeiro, parasitas, etc.) a eles dispensaremos igual tratamento, em qualquer extrato social em que se encontrem, serpenteando-se em ‘‘sandálias de dedo’’ ou desfilando em ‘‘Rolls-Royce’’.
  A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) quer se unir aos homens de bem para fazer este alerta em comemoração ao Dia Internacional de Combate às Drogas.
LÁZARO FERNANDES DE MIRANDA é diretor de relações governamentais da Sociedade Brasileira de Cardiologia


Por meio do autodesenvolvimento
Walmor Macarini
  O homem ajudando a si próprio e todos ajudando a todos. Esta é a doutrina da sabedoria, que bate de frente com a lei da esperteza e da maior vantagem pessoal. Mas será sempre mais difícil a tarefa da ajuda mútua se não houver a vontade do aperfeiçoamento individual e de ajudar a si próprio e aos outros. Falo sobretudo do aperfeiçoamento moral e espiritual. A certos aprendizados deu-se o nome de auto-ajuda, e este é o caminho, mesmo que muitos ganhem dinheiro difundindo esse método.
  Depois que as primeiras verdades perenes foram ditas ou demonstradas, muitos passaram a difundi-las. As fórmulas são o de menos, bastando que revelem verdades eternas. Se alguém as semeia, tanto melhor, e se obtém ganhos financeiros com isso não precisamos reagir com pedradas. Basta que aproveitemos o substrato das coisas que disseminam.
  Há também os que semeiam maldades e coisas equivocadas, e isto sim é ruim. Existem difusores de idéias que acabaram muito lidos e ouvidos, ganharam notoriedade e também dinheiro. Mas quando eles faziam os rascunhos de suas primeiras publicações e discursos não imaginavam isso. Importa, a quem é contra eles, avaliar se isso é pelo que difundem ou porque ganham dinheiro.
  Tudo de sábio ou de obscuro que se fala e se escreve compõe um código de pessoas ou de correntes de pensamento que foram se cristalizando. Se aquilo que os arautos dessas idéias dizem sustenta-se por si só, certamente resistirá às reações contrárias e ao tempo; e se não tem consistência, dilui-se por si mesmo como as brumas da noite. Eliminando-se a expressão ‘‘auto-ajuda’’ - se é que incomoda a alguns - melhor é ater-se à verdade de que cada pessoa é aquilo que deseja ser. O conformismo é um atributo mórbido e não deixa de ser um consentimento pessoal.
  Ninguém é pobre por culpa dos outros, mesmo que existam os exploradores. Quem realmente quer, sai (física ou mentalmente) de qualquer estado em que se encontra. Por trás de tudo há uma razão, às vezes transcendente. Por isso julgar essa delicada questão foge do entendimento daqueles cuja visão só chega até onde os olhos carnais alcançam e até onde o sentimento lhe permite. Assim é o processo evolutivo da consciência humana.
  Cada qual com o tamanho de seus passos, com o peso dos fardos autocriados, com o seu sentido de direção e com a aceitação ou não do que lhe impõem. Se isto não invalida a responsabilidade que cada um tem de buscar levantar os caídos, sempre há uma razão da própria pessoa pela condição em que se encontra. Nenhum sistema barra uma convicta vontade individual de mudar.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA

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