Corrupção institucional
Clodomiro José Bannwart Júnior
  O termo ‘‘corrupção’’ vem associado à idéia de deterioração de princípios ou adulteração da integridade moral de uma pessoa ou instituição. É certo que a corrupção praticada por um simples cidadão é diferente da corrupção daquele que ocupa o cargo de representante de uma instituição. No primeiro, abala-se o caráter da pessoa, no segundo, desmorona-se a imagem peculiar que a instituição representa para a sociedade. Diante das recentes denúncias na Câmara de Londrina percebe-se a instalação de uma estrutura de corrupção sistêmica promovida por agentes públicos conscientes de seus atos. A lógica própria da corrupção subscreve-se numa plataforma de interação pervertida e maculada por interesses escusos praticada às ocultas da opinião pública. O passo inicial para institucionalizar a corrupção está em ‘‘subornar os fortes e atemorizar os fracos’.
  Os vereadores que se encontram mergulhados no esgoto fétido da política instrumental, aquela que não visa ao bem comum, confundiram duas lógicas que a sociedade, há tempo, exige que sejam separadas: a privada e a pública. À medida que o representante do Legislativo passa a sustentar, simultaneamente, uma lógica pública e outra ligada a interesses pessoais, as duas se corrompem, levando para a vala comum a pessoa e a instituição. Reclamar a integridade moral do político é exigir dele a recusa em sustentar essas duas lógicas contraditórias. (Minerbo, M. p. 144)
  Quando o Legislativo se transforma em balcão de negócios privados sob a rubrica do interesse público, os protagonistas da corrupção esvaziam semanticamente o conteúdo da política e da casa que alberga o poder simbólico da ‘‘coisa pública’’. E, nesse caso, a corrupção do sistema político faz com que ele deixe de existir no sentido pleno do exercício democrático, conduzindo a instituição à morte simbólica. A Câmara, infelizmente, perde a sua força moral diante da opinião pública e, sobretudo, a imagem de autoridade legal na proposição de leis em benefício de uma cidade melhor para todos. Sobram metáforas pejorativas que desqualificam o Legislativo e, por tabela, a essência da democracia. Até parece que os autores da corrupção já se esqueceram que, há pouco mais de 20 anos, o país estava mergulhado num regime ditatorial. Contudo, entre tantos qualificativos atribuídos à Câmara, espera-se não vincular àquela casa o conceito simbólico de ‘‘pizzaria’’, pois corrupção não rima com impunidade.
CLODOMIRO JOSÉ BANNWART JÚNIOR é professor de Ética e Filosofia Política na Universidade Estadual de Londrina


A monogamia é um mito
Nelio Roberto dos Reis
  A monogamia freqüentemente praticada no Ocidente pode existir, mas é antinatural. Comportamentos humanos são complicados dentro dos sistemas que conhecemos porque não podemos reagir como os animais. No aprendizado vem numa importância maior a ética, acima da lógica já explicado em ‘‘Algumas Considerações à Ética’’ (Aristóteles - 320 A.C.). O comportamento da humanidade é regido pela química. A testosterona, substância androgênica ativa, constitui o hormônio sexual masculino. Ela gera agressividade e o aumento da libido, que contribui para a conservação da vida. A libido, segundo Freud, determina a conduta da vida do homem. Não foi a toa que Salomé pediu a Herodes a cabeça de João Batista através da filha.
  No seu comportamento social, o homem primitivo por conta da testosterona, combatia com ódio os seus congêneres de outros grupos e reconhecia provavelmente pelo odor, os membros da própria comunidade. Quanto ao instinto sexual, se fosse como quer um monge, homens de bem como Bill Clinton teriam sido mais condescendentes com as Mônicas, os papas Inocêncio VIII, Clemente VI, Pio II e Sisto IV não teriam tido filhos bastardos. A reprodução é o centro da vida e necessária para fortalecer a espécie e é a característica primária do sexo. As fêmeas segundo suas habilidades são seletivas porque o óvulo é raro e, portanto, caro. O esperma, ao contrário, é barato e evolutivamente o macho tenta utilizá-lo dentro do seu máximo possível.
  Mefistófeles, personagem de Goethe diz: ‘‘Com o copo de licor que tens no corpo, numa mulher qualquer tu vês Helena’’. Esse licor, é o sentido figurado da testosterona. Não era em vão que as fêmeas se deixavam ser seduzidas por homens de forte odor que, provavelmente, vinham da caça bem-sucedida ou sobrevivente de numa luta. Elas enxergavam nisso um protetor para si mesmas e sua prole. Temos nas nossas raízes culturais valores que consideramos nobres como o comportamento monogâmico, mas é uma constante luta contra a própria natureza. Pode-se estar monogâmico contra o maior instinto depois da fome. Permanece-se assim, por uma paixão ou dentro de um esforço procurando dar segurança aos seus pelos princípios da comunidade onde se vive. Aquele que conhece verdadeiramente os animais é capaz de compreender plenamente o caráter único do homem (Konrad Lorens).
NELIO ROBERTO DOS REIS é professor universitário em Londrina

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