Vivemos numa época de perplexidades consequência do processo de globalização que, de uns anos para cá, tem alterado e continua influenciando as estruturas sociais, políticas, econômicas, culturais e ecológicas de quase todos os países. É neste contexto que as universidades despontam como instituições com grandes desafios para a sociedade.
Talvez não haja instituição tão paradoxal quanto à universidade: revolucionária por vocação, fins e propósitos que caracterizam o ethos inquietante da sua busca de novos conhecimentos é, ao mesmo tempo, conservadora pela memória intelectual do conhecimento e pela vigorosa permanência ao longo dos séculos.
A verdadeira vocação das universidades talvez se expressa não apenas no anseio de cobrir o universo dos campos de conhecimento, ou de produzir um saber de validade universal, mas também no seu desejo de mostrar presente no universo das nações, ou seja, de integrar-se na comunidade acadêmica internacional.
A universidade que deseja comprometer-se com a produção do conhecimento, deve necessariamente, entre outros aspectos, tratar de criar uma cultura institucionalizada de cooperação internacional, justamente para que os parâmetros de sua produção intelectual possam ser ampliados e assim aprimorados.
A nível mundial e no nosso próprio país, a cooperação internacional realizada no âmbito das universidades vem assumindo uma importância cada vez maior no cotidiano destas. O estabelecimento do Fórum de Assessorias Universitárias no Brasil para Assuntos Internacionais (Faubai) tem dinamizado a cooperação internacional.
Neste sentido foi proposto um programa de Internacionalização das Instituições de Ensino Superior Público de Estado do Paraná. As instituições proponentes são a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público (Apiesp) tendo como parceiras a Agência Brasileira de Cooperação de Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), Secretaria do Estado do Planejamento e Coordenação Geral (SPL).
Os objetivos gerais do programa são desenvolver processos de internacionalização das Instituições de Ensino Superior (IES), público do Paraná e possibilitar a modernização da educação superior, integrando a comunidade universitária latino-americana através do processo de internacionalização das IES.
Neste contexto, a Coordenaria de Ciência e Tecnologia - CCT/Seti - convocou, no dia 30 de maio, os assessores de Relações Internacionais das universidades estaduais com o objetivo de conhecer as atividades desenvolvidas, sua organização e sua infra-estrutura para iniciarmos uma proposta institucional visando o protocolo de intenções com as universidades do grupo Norte Grande Argentino.
É o primeiro passo para que a Coordenadoria de Ciência e Tecnologia (CCT/Seti) possa desenvolver uma política de internacionalização efetiva para as IES do Paraná e consiga dirimir todos os empecilhos que obstruem o caminho da internacionalização em que o próprio governo do Estado está interessado.
Um dos primeiros obstáculos é facilitar a liberação dos docentes para que possam apresentar os seus trabalhos científicos nos congressos internacionais, seminários, simpósios no exterior. Esta participação é fundamental para que possam contatar os seus pares nas respectivas áreas e desenvolver projetos em conjunto que torne efetiva a cooperação internacional, transformando os protocolos de intenções para cooperação internacional firmados, em convênios internacionais com projetos que permitam o intercâmbio de pesquisadores e mobilidade estudantil internacional.
Temos um longo caminho a percorrer, mas o importante é dar um início efetivo. Hoje a mudança de caráter da universidade contemporânea segue uma lógica cultural, qual seja a do pós-modernismo, que gera questionamentos acerca dos paradigmas vigentes. Para estar em sintonia com essas mudanças, a universidade não pode nem deve prescindir de ações de cooperação e solidariedade para que possa interagir em intercâmbio de conhecimentos, forjar campos para pesquisa e extensão, criar um espaço dialógico, recriando novas formas de cultura.

EDUARDO JUDAS BARROS é assessor de Relações Internacionais da Universidade Estadual de Londrina

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