O mandato do vereador
Servio Borges da Silva
  Finalmente começou-se a discutir o papel do vereador dentro da comunidade que ele representa na Câmara de Londrina. Diversos acontecimentos têm levado a essa discussão. Os principais foram os desvios de finalidade praticados por diversos dos nossos vereadores. Não devo aqui acusar nenhum deles, nem sequer levantar suspeita da prática de irregularidades sobre eles. Devo porém, trazer o meu testemunho de ex-parlamentar, pois o trabalho dos vereadores na Câmara atinge todos os moradores de Londrina.
  Um vereador tem uma responsabilidade muito grande, principalmente pelo exemplo que transmite às novas gerações. Além de apresentar projetos com os novos nomes das ruas da cidade, votar os projetos do Executivo, dar títulos de cidadãos honorários e outros trabalhos internos, eles têm a obrigação de levar uma conduta limpa e séria, ou seja, de agir de acordo com a ética parlamentar e cumprir com o seu dever de cidadão honrado e digno. Com essa conduta é que eles devem fiscalizar o Executivo, que deve realizar as obras e projetos necessários ao município. Assim, quando um vereador vende voto para aprovar um projeto ou cobra de seus comissionados uma determinada importância por tê-los contratados, seu procedimento é antiético e criminoso. Isso leva o eleitor à descrença da atividade política e da vida pública.
  É preciso que os futuros vereadores tenham a consciência do seu trabalho, do exemplo que vão representar perante a sociedade e da grandeza dos seus cargos. Londrina pede e precisa de bons administradores, de fiscalizadores da administração pública, corretos, dignos, honestos e que se conduzam dessa forma não por obrigação mas por dever de consciência e por amor à causa pública. Somente assim teremos representantes à altura de nossa comunidade. Os partidos políticos também têm a obrigação de apresentar aos eleitores os melhores candidatos que vão nos representar com altivez, inteligência e trabalho. O povo quer votar e acreditar nos seus políticos, porém eles devem se conduzir à altura dessa confiança.
SERVIO BORGES DA SILVA é advogado em Londrina


Palavras de Francisco de Assis
Walmor Macarini
  Aquele que na Terra recebeu o nome de Francisco de Assis nos ensina, em mensagens deste fim de milênio, que ‘Deus criou somente preferidos entre todos os seus filhos’’, e que ‘‘Ele espera de todos que procurem laboriosamente alcançar o padrão supremo da perfeição’’. Portanto, como diz, é uma compreensão equivocada continuar ligado à tradição de que ‘‘o Jesus histórico é o escolhido e o herdeiro unigênito da preferência de Deus’’.
  A afirmação ‘‘Eu Sou, de Jesus’’, referia-se ao seu Cristo pessoal, o Um Universal - ‘‘este o filho único de Deus’’. A imagem do filho, como o Cristo pessoal de cada um, é o verdadeiro Eu. Isto é, ‘‘a Luz que alumia todo o homem que vem à Terra’’. Ao dizer que era a Luz do mundo, Jesus afirmava que a presença do Um Universal era essa Luz. Francisco de Assis nos explica que a expressão (de Jesus) ‘‘Eu sou a ressurreição e a vida’’ é um fiat proferido pelo seu Cristo pessoal, que ‘‘não é uma figura histórica nem um personagem humano, mas antes a pessoa divina de cada filho da Luz’’.
  Esta pessoa divina é ‘‘uma manifestação da presença de Deus, vibrando com uma freqüência por vezes inferior à da Presença (o Pai) no seu desempenho de estender a mão para prestar assistência direta à alma em evolução’’. Assim, ‘‘o Cristo pessoal de cada filho na Terra torna-se voluntariamente um (uno) com a absoluta Presença de Deus’’. É preciso despojar-se do engano da separação (do supremo Criador), porque tal separação não existe.
  Portanto, ao presumir ser humilde e proclamar que não é digno que Deus entre em seu íntimo (e não entrar nem seria possível, pois Deus sempre esteve ali), o homem revela vaidade, por entender-se à parte. Quem se aparta assume posição de arrogância. Assim, quando o homem posiciona-se ‘‘diante de Deus’’, nega-se em Deus, porque ele nunca está diante mas com Deus. Da mesma forma que a água não pode posicionar-se diante do oceano, pois ela é o oceano. Por via do Cristo pessoal em cada um estabelece-se a integração com o Todo.
  E Jesus nos diz: ‘Nunca o espírito (de cada ser) nasceu; nunca o espírito deixará de ser’’. Isto explica que há uma só vida em cada ser (a do espírito), não obstante os diferentes envoltórios carnais que ele assuma em suas múltiplas existências no plano terreno, aqui vindo como dispensação para realizar propósitos ou em função cármica. ‘‘Assim - declara Jesus - os homens deveriam considerar-se não como corpos com apetites inapaziguáveis mas sim como centelhas do Infinito, ansiosas de se reunirem à gloria do fogo cósmico do Lar’’.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA

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