A fome no século XXI
Beto Mansur


Neste início de século, controlado pela doutrina neoliberal, esperamos possíveis decisões que serão tomadas em torno das discussões sobre a guerra da fome que poderá atingir países dos quatros cantos do planeta. Desde meados de março, a população mundial passou a ser de, mais ou menos, 6 bilhões e 660 milhões de habitantes. Dessa quantia, 50% da estão no campo e outros 50%, na cidade. Isso, sem dúvida, poderá gerar aumento da demanda dos alimentos para o comércio e indústria e, se não houver oferta suficiente, alguns grupos sociais, sem poder de compra, poderão fazer parte de estatísticas da fome. Além do mais, isso pode significar problemas já que de dezembro de 2007 para cá, os preços dos alimentos subiram 50%.
Embora as idéias neoliberais criadas por Milton Friedman, defendam o fim do assistencialismo estatal para que as sobras de valores sejam usadas para quitação de dívida externa, alguns governantes tiveram que praticar essas idéias. Isso, obviamente, vem trazendo para o mundo problemas voltados ao bem-estar social que deverão ser enfrentados. E isto também pode gerar conflitos e divergências governamentais dentro do planejamento estratégico dos estados. Citando Dominique Strauss-Khan, diretor do FMI, ''estamos próximos do desemboque da guerra da fome''.
Em qualquer país, desenvolvido ou não, os governantes, mesmo com orientação contra o Estado assistencialista, deverão ter o sério compromisso com a sobrevida da população. Em torno dessa discussão e presa pelas leis de mercado e na dependência da boa vontade dos governantes, a Organização das Nações Unidas (ONU) se debate para publicar um planejamento estratégico mundial contra a ''Crise da Alimentação'' que está se desenhando. Para isso, a ONU quer ter uma força-tarefa e, timidamente, pede US$ 3,1 bilhões para, simplesmente, tentar barrar um problema que já afeta 100 milhões de pessoas. Para a ONU, nos dias de hoje, a fome está como uma ameaça superior ao terrorismo. Porém, com apenas US$ 93 milhões do dinheiro reivindicado dos Estados, para arrecadar e distribuir alimentos e vencer tal crise, a ONU não possui estratégias para administrar especuladores, nem mesmo como pressionar os controladores dos Estados para extinção de medidas que entravam a cadeia do comércio, que estão dando força à crise dos alimentos.
BETO MANSUR é professor de Sociologia em cursos pré-vestibulares em Londrina

Tipos de linguagem
Lair Ribeiro


Tudo o que foi codificado em sua mente durante a infância ou a adolescência pode ser modificado pela linguagem. Tanto os conceitos quanto os preconceitos sobre os mais variados assuntos, tudo pode mudar! Há um tipo de linguagem que gera ação e outro que não. Se você disser que a sala está quente, por exemplo, isso não modifica em nada a condição da sala. Se ela estava quente, continuará quente. Já, se você pedir para alguém abrir a janela, pois a sala está quente, poderá haver alguma alteração, não é mesmo? Você não apenas dirá alguma coisa, como fará uma solicitação.
Solicitação é um tipo de linguagem que gera ação. A declaração é um tipo de linguagem que gera ação, mas é preciso ter autoridade para utilizá-la. Se um homem e uma mulher comparecem diante de mim para se casar, eu os mandaria procurar um juiz, pois não tenho autoridade para isso. Um juiz, porém, pode declará-los marido e mulher. E mesmo que no minuto seguinte à declaração do juiz um deles diga que mudou de idéia, a declaração feita pelo juiz já terá mudado a realidade jurídica daquelas duas pessoas: elas, agora, são marido e mulher. E para mudar essa condição, só mesmo uma nova declaração do juiz em um processo de divórcio.
A declaração cria realidade. Eu lhe pergunto agora: quem tem mais autoridade sobre você? Você. Quando você tinha 5 anos, eram seus pais. Hoje você tem autoridade para declarar o que você é. E o que você declarar é o que passará a ser a sua realidade. Você pode fazer declarações com relação àquilo que você quer ser ou gostaria de ser. Faça pelo menos cinco declarações que considere as mais importantes. Vou lhe dar algumas dicas, que você pode aproveitar, mas pense também em outras: eu declaro que sou inteligente; eu declaro que sou próspero; eu declaro que sou a força criadora da minha vida; eu declaro que sou livre; eu declaro que sou sincero comigo mesmo; eu declaro que sou sadio.
Com as suas declarações, você cria o ser, que vai levá-lo a fazer a ação correspondente e, em consequência, o levará a ter o resultado da sua ação. Primeiro você é, depois você faz, depois você tem. As pessoas costumam dizer: ''Ah, se eu tivesse dinheiro, faria o que os ricos fazem''. Não é esse o caminho. 1º- Você declara que é próspero; 2º- Você passa a fazer o que as pessoas prósperas fazem; 3º- Você tem prosperidade. O segredo está na ordem das coisas. Não é ter-fazer-ser, mas ser-fazer-ter. Lembre-se disso.
LAIR RIBEIRO é palestrante internacional e médico cardiologista em São Paulo ([email protected])

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