Importância e conservação da biodiversidade
Sirlei Bennemann
  Um dos conceitos da palavra diversidade é riqueza de espécies, número de espécies. A biodiversidade inclui os cinco (seis ou sete, atualmente) reinos de organismos vivos, mas só pensamos em plantas e animais (organismos de dois reinos). Imaginem que os seres vivos de todos os reinos estão no planeta fazendo seus papéis, sendo importantes para a manutenção de todos, pois uns dependem dos outros. Estes papéis consistem em serviços naturais.
  Desfrutamos destes serviços sem saber enquanto ainda não destruímos toda a biodiversidade: temos organismos para comer, para nos dar prazer e recebemos seus serviços naturais e existenciais gratuitamente. Um exemplo simples para quem come peixe: antes que ele chegue ao nosso prato para ser saboreado, ele também precisou comer, e mesmo não tendo comido frutos, folhas e flores da mata, precisou de seus serviços: na manutenção da temperatura da água, como filtro para não poluir as águas que ele habita, no fornecimento de alimentos para o organismo que ele comeu, entre alguns dos serviços. O organismo que ele comeu também dependeu do que está na água, dos alimentos disponíveis, dos serviços naturais realizados por outro organismo, dependeu de fatores ambientais e climáticos e dos outros organismos, que poderiam auxiliar na fragmentação das folhas e tornar as partículas mais finas para este comer esta matéria orgânica.
  Duas são as principais causas da perda da biodiversidade: a destruição dos hábitats e a introdução de espécies não nativas. Dos dois milhões de espécies conhecidas, uma única está fazendo estrago na biodiversidade: o que ela mais faz é destruir e alterar os ambientes e, para dizer que está fazendo algo de bom, introduz espécies de outros continentes e mesmo de outros locais. Esta última ação já foi muito utilizada, mas hoje a prática é considerada crime ambiental (é lei, mas ainda não é cumprida). Tem ainda uma terceira questão que danosa à biodiversidade: muitos ambientes são destruídos e com a desculpa de que depois as espécies vão ser substituídas. A não ser que haja muito conhecimento sobre a mesma, essa medida também é equivocada.
SIRLEI BENNEMANN é doutora em Ecologia e Recursos Naturais e professora da Universidade Estadual de Londrina


Um só entendimento
Walmor Macarini
  Os santos entram em todas as igrejas e não pertencem a nenhuma religião. Eles não se melindram se há os que os rejeitam. Porque não existe neles esse registro. Nem o processo que denominamos Deus e que se consubstancia no espírito do Universo se ofende com blasfêmias e também não punirá alguém por isso. Cada um de nós é que se pune ou se favorece pelos próprios pensamentos, sentimentos, palavras e atos. Enquanto os homens aqui na Terra se digladiam, os seres das elevadas esferas (nos quais cada legião de fiéis deposita sua fé ou funda igrejas) formam no mesmo banquete celestial.
  Buda, Jesus, Maomé, Germain, Francisco de Assis, Ashtar, Morya (só para citar alguns) e os arcanjos e todos os demais elevados hierarcas, estão juntos e sob uma só ordem, exercendo suas incessantes missões. Porque são obreiros iguais. Nenhum nos indicou religião alguma - embora pelas palavras deles cada grupo criou a sua - mas sabe que o homem é detentor do livre arbítrio e que, cada qual, situa-se na consonância de seu próprio entendimento. Cada qual ancora-se onde se sente melhor, não significando que evolua na inflexibilidade e no fanatismo.
  Costuma-se ouvir membros de determinado sistema de crença dizer que aceitam os fiéis de todas as igrejas, mas essa aceitação é se estes chegam com o propósito de converter-se e não se desejam falar de sua própria religião. Porque se o fizerem, serão rechaçados. Só as doutrinas muito evoluídas o permitem, porque seguras de sua própria fé e, portanto, não se sentem invadidas por alguém que chegue e deseje, no púlpito alheio, defender outra crença. Os que estão seguros das coisas em que acreditam não se perturbam com religiões diferentes. Estes são os que edificam seu santuário dentro de si mesmos.
  Em algum tempo - que não demorará - haverá um só entendimento acerca de todas as coisas ‘‘do Céu e da Terra’’ e isto não terá uma denominação e nem líder. Cada qual será seu próprio pregador e seu próprio ouvinte; será seu mestre e seu discípulo. Será uma só Igreja, como está escrito. Não no sentido de uma corporação religiosa. Será uma única vertente dentro de cada um. Será quando cada indivíduo despertar plenamente o seu Cristo interno. Deixará então de existir a imagem de Deus como um ser - e capaz de agraciar ou punir -e sim como a realidade que é: a supraconsciência que rege todas as coisas e forma a unicidade cósmica.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA (www.bonde.com.br)

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