ESPAÇO ABERTO
A síndrome do 'quando'
Lair Ribeiro
A maioria das pessoas diz assim: ''Quando eu me sentir bem comigo mesma eu vou fazer isso, vou fazer aquilo, etc''. O caminho não é esse. Comece logo a fazer que o sentimento aparece. Ao começar a fazer, as coisas começam a mudar dentro e fora de você. Intenção sem ação só tem um nome: ilusão. Ouse fazer e o poder lhe será dado. Vivemos num mundo de ilusões. Pensamos que os órgãos dos sentidos nos mostram a realidade mas, na verdade, eles nos enganam. Quanta ilusão!
Ilusão dos sentidos. Pensamos que a Terra está parada quando, na verdade, ela gira a uma velocidade incrível. Temos a sensação de que a Terra é chata, quando, na verdade, ela é redonda. O Sol parece girar em torno da Terra, quando o que acontece é o contrário.
Se nos iludimos com coisas em proporções gigantescas, como a Terra e o Sol, imagine com as sutilezas do cotidiano! Muitas vezes, pensamos que as coisas são como as vemos, mas isso acontece porque uma mesma realidade pode ser vista de diferentes modos, dependendo do que cada um traz dentro de si.
Ilusão do pensamento. Esse tipo de ilusão nos leva a pensar que as coisas são como são e que nada as pode modificar. Devagar. Não tenha tanta certeza disso. Pessoas e coisas se modificam, inclusive você. Hoje, você certamente é uma pessoa bem diferente do que era há cinco ou dez anos e, em consequência, mudaram seus pontos de vista. Se mantiver pensando dessa forma, o principal prejudicado será você.
Ilusão dos padrões de julgamento. É correto dizer ''uma vez balconista, sempre balconista'', à jovem empresária que acabou de abrir a sua própria loja de perfumes? As pessoas mudam. Elas vão incorporando novos atributos ao longo da vida. A dona da loja, que já foi balconista, deve ter sido, antes, estudante, telefonista, estagiária, e muitas outras coisas.
Você, provavelmente, foi estudante, praticou algum tipo de esporte, teve mais de um hobby, seguiu mais de uma carreira profissional... Enfim, você já fez algumas coisas diferentes na vida. Você acha correto que as pessoas julguem que você é apenas uma das coisas que já fez? Claro que não! Esta leitura é mais uma das incorporações positivas na sua vida. Então, cuidado, porque o que sempre é não é tudo o que é.
LAIR RIBEIRO é palestrante internacional e médico cardiologista em São Paulo (www.lairribeiro.com.br)
Uma justa homenagem
José Carlos Guitti
Embora não houvesse nenhuma tarja negra a envolvê-la, a UEL amanheceu vestida de luto no domingo, dia 25 de maio. Na noite anterior, levado pelas asas sorrateiras de um enfarte do miocárdio, o prof. Eduardo de Almeida Rego Filho nos deixou aos 69 anos. Não apenas suas filhas e seu filho ficaram órfãos, mas também nós, seus companheiros de trabalho. Fez do trabalho a sua principal razão de viver. Sua característica pessoal mais marcante era a capacidade de agregar gente e evitar conflitos. Tinha o dom da conciliação.
Nasceu na Cidade Maravilhosa em março de 1939 e formou-se em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado da Guanabara. No ano seguinte à sua graduação, ingressou no Serviço de Pediatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Logo depois, contratado pelo Hospital dos Servidores Públicos de São Paulo, passou a exercer também nessa instituição a função de preceptor de médicos internos e residentes de pediatria. Foi quando nos conhecemos. No final de 1970, recebemos a visita do dr. Ascêncio Garcia Lopes, que nos levou o convite para formar a equipe de pediatria na então nascente Faculdade de Medicina do Norte do Paraná. Desde o início, não houve dificuldade que não pudesse ser superada com trabalho e ardente otimismo.
A equipe sob a liderança do Eduardo, construiu um dos serviços mais bem organizados e produtivos do curso de Medicina, dada a excelência dos demais. Era o homem do diálogo, da organização e dos preceitos éticos. Ocupou a chefia do departamento e a direção do Centro de Ciências da Saúde por mais de uma vez. Além do ensino, que o absorvia, e das atividades administrativas, dedicou-se à pesquisa, a publicações científicas e à formação de novos docentes. Atento ao próprio aperfeiçoamento profissional, logo após o doutorado obteve bolsa para pós-doutorado em nefrologia pediátrica na Universidade Autônoma do México. Provas de sua efetiva atuação e de sua notável contribuição científica, foi convidado a integrar o Conselho Acadêmico da Sociedade Brasileira de Pediatria e o recebimento da comenda Dr. César Pernetta, outorgada pela Sociedade Paranaense de Pediatria. Eduardo se foi e deixou um vazio que, caberá aos que ainda aqui estamos, tentar preenchê-lo. Esperamos que, de onde ele agora se encontra, interceda pelos amigos e companheiros de trabalho, para que não deixemos à peteca cair.
JOSÉ CARLOS GUITTI é professor adjunto de Pediatria da Universidade Estadual de Londrina
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