Os filhos pedem a seus pais e educadores vinte solicitações. 1- Não tenham medo de ser firmes comigo. Sua firmeza me dá segurança. 2- Não me tratem com excesso de mimo. Nem tudo o que eu peço me convém. 3- Não me corrijam na frente de outras pessoas. Isso me revolta. 4- Não permitam que eu forme maus hábitos. Dependo de vocês para saber o que é certo e o que é errado. 5- Não façam promessas apressadas. Sinto-me mal quando as promessas não são cumpridas. 6- Não me sufoquem com suas preocupações. Eu também preciso aprender com o sofrimento e com os erros. 7- Não sejam falsos comigo. A falsidade faz eu perder a fé em vocês. 8- Não me incomodem com ninharias. Irei fazer-me de surdo. 9- Não dêem a impressão de serem perfeitos, infalíveis. O choque será muito grande quando eu descobrir seus defeitos. 10- Não deixem sem respostas minhas perguntas. Do contrário, deixarei de fazê-las e buscarei informações em outros lugares. 11- Não se sintam humilhados ao ter que pedir desculpas. O perdão me aproxima de vocês. 12- Não digam que minhas preocupações e problemas são tolices. Tentem compreender-me. Ficarei mais sereno. 13- Não esqueçam que estou crescendo e mudando rapidamente. Tentem acertar o passo comigo. 14- Não me comprem presentes. O melhor presente é a presença de vocês. Com vocês sinto-me seguro, forte, amado. 15- Acolham-me desde a fecundação, alimentem-me com aleitamento materno, dêem-me colo, toquem-me porque preciso de tudo isto para crescer saudável e equilibrado. 16- Preciso de um pai forte e amigo, de uma mãe equilibrada e feliz. Seu jeito de ser é que fica marcado em mim. Poderei esquecer suas palavras, não esquecerei seus gestos. 17- Não imponham nem direcionem minha profissão e vocação. Podem aconselhar-me, mostrar-me suas razões, mas deixem-me a liberdade de escolher. 18- Se vocês se amam eu me sinto amado por vocês. Se vocês brigam, não dialogam, não se perdoam, eu me sinto um órfão de pais vivos. 19- Porque vocês foram fracos no bem, eu agora sou forte no mal. Se vocês são pais despreparados eu cresço desequilibrado. 20- Se vocês não me elogiarem, se me castigarem injustamente, se não me ensinarem a rezar, se satisfizerem todos os meus desejos, vocês estragam minha vida.
Os filhos aprendem imitando. Daí a necessidade do casal se querer bem e dar bom exemplo. Dizia um filho aos pais: ''Peço que vocês me amem quando eu não mereço, porque é aí que eu mais preciso ser amado''. Nada disso é fácil. O nascimento dos filhos traz grandes mudanças na família. Os cônjuges esquecem de ser esposos, trocam os papéis, e começam a ser somente pais. Apegar-se aos filhos e esquecer o cônjuge é um perigo. O primeiro amor na família é sempre o amor conjugal, depois o amor filial.
Além disso, temos pais agressivos e pais permissivos, mas precisamos de pai e mãe participativos. Os pais apegados aos filhos sofrem demais quando eles devem deixar o lar. Os desequilíbrios dos filhos levam ao desajuste do casal e vice-versa. Os pais conscientes tratam os filhos conforme a idade que eles têm. É preciso saber mudar de marcha.
Um filho escreveu para seus pais: ''Eu sou forte no mal porque vocês foram fracos no bem. Por isso estou preso''. Os pais nunca podem abdicar do diálogo, devem estar abertos em buscar soluções e aceitar ajuda. Ninguém é infalível.
Temos hoje a ''família filiarcal'' que sucedeu à família matriarcal e depois à patriarcal. Filiarcalismo é fazer dos filhos pequenos deuses. Eles não ajudam em nada nos trabalhos da casa, deixam roupas sujas em cada canto, só comem o que querem, dominam os pais que se tornam seus escravos e reféns. Pais permissivos são mais prejudiciais que os autoritários.
Os filhos emitem sintomas que sinalizam a presença de problemas familiares. Quando os pais vão mal os filhos entram em ansiedade. Hoje a grande tentação é resolver as crises com o ''divórcio fácil''. É preciso crer nas soluções, na reorganização da família. O filho problema pode tornar-se o melhor. A ovelha negra se torna uma benção, quando recorremos a Deus, ao perdão, ao diálogo, à disciplina.
A arte de ser bons pais começa já no útero materno. A preparação para a missão de ser pai e mãe é assunto do namoro e noivado. Pais despreparados, filhos desequilibrados; pais ausentes, filhos delinquentes; pais permissivos, filhos onipotentes; pais omissos, filhos rebeldes. Carregamos dentro de nós a criança que fomos no passado.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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