ESPAÇO ABERTO
CPMF de novo, não!
Paulo Lofreta
Depois de uma luta renhida, conseguimos derrubar a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) pelo governo federal. Criada inicialmente para custear os gastos públicos com saúde, pouco a pouco, a contribuição foi se desviando de seu objetivo e constituiu-se numa das maiores injustiças tributárias da história do Brasil. O governo arrecadou bilhões cobrando impostos sobre toda transação bancária, porém, aplicou bem pouco dessa fortuna na saúde. Paradoxalmente, durante os tempos em que a CPMF vigorou, a receita do governo só cresceu, mas as condições do atendimento à população só pioraram.
A sociedade conseguiu fazer-se ouvir no Congresso Nacional, que coibiu esse abuso, com o apoio de entidades representativas, dentre elas a Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse). Curiosamente, ao contrário do que previram muitos arautos governistas, a esperada crise que adviria com o fim da cobrança da CPMF, não veio. Em vez de diminuir, a arrecadação do governo só fez crescer.
Eis que, para surpresa geral, o governo que comemora a maior arrecadação de impostos da história do país, reacende a fornalha de sua máquina arrecadadora e ameaça ressuscitar a CMPF para viabilizar a implementação da Emenda 29, dispositivo que destina R$ 23 bilhões em verbas exclusivas para a saúde. Falar em aumento de impostos de cofre cheio é, no mínimo, o cúmulo da incoerência. Com medo do desgaste inevitável da medida, até o presidente Lula, que costuma bancar o pai-de-tudo, lavou as mãos e empurrou para o Congresso a responsabilidade de indicar a localização exata da fonte de jorrarão recursos em abundância para transformar a Emenda da Saúde.
Preocupa-nos o fato de, ao deixar-se levar pela tentação de discutir soluções isoladas, sem levar em conta outros aspectos da questão, governo e Congresso correm o sério risco de, no afã de resolver um problema, agravá-lo. Como fizemos antes, vamos à luta novamente contra a volta da CPMF. O que a sociedade precisa e exige é uma Reforma Tributária profunda, que corrija as injustiças e não penalize apenas quem produz e gera empregos.
PAULO LOFRETA é presidente da Central Brasileira do Setor de Serviços
Abrir os nossos portais
Walmor Macarini
Para divisar os contornos do lago e vê-lo por inteiro será preciso subir na montanha. Quanto mais alto elevarmos nossos pensamentos e sentimentos, mais próximos estaremos das estâncias superiores da consciência, os denominados reinos celestiais. A caminhada de ascensão nunca cessa, porque é inimaginável a plenitude da luz a que chegaremos. Uma descoberta abrirá as portas para outra e assim sucessivamente. É preciso pesquisar continuamente nossa energia espiritual e assim descobriremos muitas coisas, que não são novas no Universo mas desconhecidas da grande maioria.
Aquele que na Terra se denominou Francisco de Assis nos fala nos dias atuais de seres de grande iluminação que estão servindo à humanidade. E eles não são apenas os catalogados pelas religiões - porque destes, nem todos são propriamente santos e nem todos os santos são conhecidos desses sistemas de crenças. Eles atuam na semeadura do entendimento entre os homens. Por mais que o pessimismo vigore, isto se dissipará, porque a corrente do bem vai tomando consistência e expandindo as consciências.
Não haverá conversões por imposição, porque elas acontecerão espontaneamente, a partir do íntimo de cada ser. Descobertas da alma irão irrompendo, na medida em que aberturas individuais as favoreçam. Para ver a luz do sol e a entrada do ar puro é preciso abrir as janelas, ou seremos como os personagens da caverna, de Platão. São muitos nesta dimensão tridimensional terrena os que estão prontos para saltos maiores, e tantos deles já o fizeram. A largada está dada, embora ainda vigore muita energia de natureza inferior.
Muito apoio está vindo dos planos mais altos (e assim sempre foi, ou o mundo seria pior) mas é preciso que os habitantes deste planeta movam suas alavancas. Se temos de combater os males externos, devemos primeiro dar combate àqueles que estão dentro de nós. E esta é tarefa de cada um, porque é o homem o causador de todas as conseqüências, boas ou más. Criando suportes de resistência interior não haverá mal exterior que triunfe.
Se olharmos o mundo apenas pelo retrovisor e pelos seus aspectos sombrios, só veremos as imagens que eles apresentam, porque estaremos focados nelas. Mas há algo infinitamente mais belo, que enche a natureza de vida, de cores e sons, de palavras e gestos, bastando que fiquemos atentos. Se abrirmos nossos portais, de dentro para fora, iremos permitir a entrada da luz e a conexão com os poderes mais elevados e assim nos envolveremos nas vibrações da bem-aventurança.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





