ESPAÇO ABERTO
Mudando a temperatura
Lair Ribeiro
Todos nós temos um termostato. O sucesso de cada um de nós depende do que foi programado em nosso termostato lingüístico. Vou falar de um assunto pessoal: meu pai morreu num dia 12 de abril e, anos depois, também em um dia 12 de abril, nasceu minha filha Christine. Desde então, quando chegava o dia 12 de abril, eu não sabia se ficava feliz pelo aniversário de Christine ou se me entristecia pelo aniversário de falecimento do meu pai. Até que num dia 12 de abril, alguém comentou: Interessante, no dia 12 de abril, Deus lhe tirou uma pessoa que você tanto amava e lhe deu uma pessoa que você ama tanto. Depois que passei a encarar dessa forma, o dia 12 de abril continuou marcando os aniversários de falecimento do meu pai e de nascimento da minha filha. Nada mudou, mas mudou completamente a minha interpretação sobre eles.
Não se pode mudar o que não pode ser mudado. Mas pode-se mudar a maneira de ver, compreender e sentir o que ocorreu. As interpretações, em nossa vida, costumam ser mais importantes que os fatos. O mesmo fato, vivido por diferentes pessoas, vai gerar em cada uma diferentes reações. Viajando ao passado, é possível mudar a interpretação dos fatos. E mudando essa interpretação, modificamos a maneira de ver o passado. A grande maioria das pessoas fala que gostaria de mudar, revolucionar, transformar, mas, ao mesmo tempo, existe uma voz interior competindo, tentando a todo custo manter confortavelmente congelado aquilo que já está codificado na sua estrutura psicológica. Como um peixe que nunca saiu da água, você dificilmente percebe que as suas crenças estão determinando o que você é. Você e suas crenças se confundem. Quando elas se manifestam, você acha que é você quem está se manifestando. Isso é ruim. Enquanto não se libertar das suas crenças, você não consegue mudar e melhorar a sua vida.
As crenças que você traz foram codificadas lingüisticamente no seu cérebro. Ou seja: foi pela linguagem que você aprendeu a acreditar nos valores que hoje determinam o seu comportamento. Portanto, existe a possibilidade de que, também por meio da linguagem, essas crenças sejam reprogramadas e recodificadas em seu cérebro. O que é reprogramar? Reprogramar não é nada mais do que mudar uma programação anterior.
LAIR RIBEIRO é médico cardiologista e palestrante internacional em São Paulo (www.lairribeiro.com.br)
Defensivos: governo e indústria precisam se unir
Tulio Teixeira de Oliveira
A história dos grandes impérios e potências mundiais mostra que decisões políticas mal equacionadas podem ser tão graves que desestabilizam setores econômicos por décadas. É o caso da moderna abertura de mercado do governo Collor, no início da década de 1990, realizada sem estudo de seletividade, que serviu como revés para a indústria nacional de insumos agrícolas. A área de fertilizantes simplesmente estancou seus investimentos na exploração de novas minerações de Fósforo e Potássio - insumos essenciais a esta indústria - e as empresas petrolíferas deixaram para segundo plano a produção de elementos nitrogenados. No setor de defensivos, diversas sínteses nacionais foram imediatamente substituídas por importações com preços mais compensadores.
Desde então, assistimos a um segundo momento, marcado pela aceleração da economia de países emergentes, notadamente na Ásia, fato que disparou o consumo dos insumos agrícolas. No caso dos fertilizantes, o trio Nitrogênio, Fósforo e Potássio, essencial para o aumento da produção agrícola, passa por alarmante aumento de preços internacionais, e a dependência brasileira agrava a situação para os custos da nossa agricultura.
Os defensivos agrícolas, que asseguram a sanidade das culturas, passam por um fenômeno inverso. Na década passada, a indústria nacional sofreu com as importações da Índia e da China, grandes fabricantes a custos baixos, que passaram a dominar o mercado. Os agricultores comemoraram os bons preços, num primeiro momento, mas não houve incentivo à produção brasileira e a oferta continuou concentrada nas mãos de empresas ultramarinas, causando hoje, aumento dos preços dos produtos - haja vista os ajustes realizados pelos chineses. O cenário dos insumos agrícolas parece surrealista em um país com agricultura poderosa e alicerce da balança comercial, e as forças de mercado, por vezes, fogem de um convívio mais civilizado e passam a esmagar os pequenos ou a prejudicar áreas de interesse estratégico da nação. Quem tem o poder e a missão de regular tais distorções? A resposta obvia é o governo e ele precisa, com urgência, ocupar o seu posto de protetor dos interesses nacionais nesta questão.
TULIO TEIXEIRA DE OLIVEIRA é presidente da Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos (Aenda)





