ESPAÇO ABERTO
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sexta-feira, 16 de maio de 2008
Dom orlando Brandes 
Celebramos o Dia Internacional da Família na data de 15 de maio. É o mês das mães, dos casamentos, de São José Operário, do trabalho e principalmente mês mariano. A família merece ser lembrada, festejada, defendida e respeitada.
Sabemos que a família é a instituição mais antiga da humanidade. Ela é anterior ao Estado e tem o direito de ser amparada pelas instituições civis e estatais. Atestam as pesquisas, que a família na sociedade brasileira tem mais importância e valor que o dinheiro e a saúde. É da família que vem a serenidade pessoal, a preparação para a vida pública, a educação para os valores, as primeiras experiências religiosas. Vida, amor, valores e fé são na realidade enraizados na família.
O Papa Bento XVI no discurso inaugural da Conferência de Aparecida, em maio de 2007, ofereceu-nos sei belas definições da família: patrimônio da humanidade, tesouro de nossos povos, ninho da vida, escola de valores, lugar de convivência, um bem primário e fundamental para o mundo. Chamou também a atenção da família como transmissora da fé. Hoje a família passa por um inverno religioso. Isso enfraquece a personalidade dos filhos, e desorienta os pais, porque sem religião estarão mais expostos ao vazio da vida, à solidão e ao consumismo.
O discurso papal alertou sobre o machismo que ainda vigora e que se expressa no autoritarismo, centralização e violência domiciliar. O machismo não conhece o cristianismo que ensina a reciprocidade e a complementaridade do homem e da mulher. É preciso superar a relação senhor-escravo, pela relação de aliança e de igualdade de dignidade.
Ronda na cultura moderna uma mentalidade antifamília com a crise das instituições. Não negamos a crise que se abate sobre a família, mas ao mesmo tempo temos a convicção de que a família é tão arraigada na cultura, na psique, na religião, na história que a torna indestrutível e cada vez mais necessária.
O Documento de Aparecida dedicou um capítulo inteiro à questão familiar. Lembrou a importância da presença masculina, do varão, do pai na família. O colo do pai faz prodígios na vida dos filhos, os quais têm o direito de contar com a presença do pai e da mãe em casa, para seu amadurecimento humano. A família é o lugar natural do idoso. Hoje, com facilidade, se rejeita a gravidez e o idoso em nossos lares, as fases mais vulneráveis da vida são mais ameaçadas e desprotegidas.
Quatro são os pilares que sustentam a família: o diálogo, o perdão, o afeto e a oração. O diálogo é o veículo da comunicação para que o grito e o silêncio não sobressaiam no cotidiano. O perdão restaura as pessoas e dá condições de convivência e sadio relacionamento. O afeto se expressa no elogio, no toque, no olhar, na gratidão, nos pequenos gestos de ternura e carinho. A família precisa de afeto tanto quanto precisa de ar e pão. Por fim, a oração. É luz para soluções, é força nas provações, é a alavanca que move a família a ser ''igreja doméstica''.
O Dia Internacional da Família, neste ano de 2008 é celebrado no contexto da Campanha da Fraternidade com o lema: ''Escolhe, pois a vida''. O lugar natural da fecundação, gestação e educação da vida humana é a família, fundamentada no sacramento do matrimônio realizado entre um homem e uma mulher. Salvar a família é salvar a pessoa e a sociedade. A família é o futuro do mundo.
No dia 7 de maio do corrente, a Comissão de Seguridade Social realizou histórica sessão na qual o aborto foi rejeitado com 33 votos a zero. Realmente, o povo brasileiro não é favorável ao aborto. Temos duas frentes parlamentares, contra o aborto, diversas associações pró-vida. Por outro lado, nosso apoio e cuidados com a mãe grávida querem ser sempre mais eficazes.
Mesmo que a mentalidade antivida, antigravidez, antimatrimônio, antifamília seja divulgada e até imposta nós não cessamos de afirmar que a família é indestrutível, é necessária, e a esperança da sociedade. Não podemos apoiar a chamada ''era da pós-humanidade''. Pelo contrario, defendemos a humanização da sexualidade, a cura das emoções, o parto normal, o amor conjugal, a espiritualidade familiar com valores inegociáveis.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


