ESPAÇO ABERTO
Museu de Arte de Londrina: 15 anos
Sandra Jóia
Criado pelo decreto nº 172, em 12 de maio de 1993, e inaugurado no dia 13 de maio daquele mesmo ano, o Museu de Arte foi um presente para a comunidade de Londrina e região. Os espaços museológicos são de fundamental importância na formação do cidadão e na construção da identidade artística, histórica e cultural de um município. Ao longo de seus 15 anos vem desenvolvendo ações que visam a promoção da pesquisa, a difusão, ampliação e divulgação do seu acervo artístico e literário, bem como a democratização e o acesso às artes.
O Museu de Arte de Londrina abriga 345 obras, entre pinturas, esculturas, fotografias, gravuras, objetos e desenhos. O acervo reúne trabalhos de artistas modernos e contemporâneos, da região de Londrina e de outras localidades do país. Dentre estes estão Fernando Augusto, Letícia Marquez, Cláudio Garcia, Paulo Menten, Ângela Parra, Juarez Machado, Kenji Fukuda, Aldemir Martins, Potty Lazzarotto, Carybé, Siron Franco, Cláudio Tozzi e Kazuo Wakabayahsi.
Respeitando as diferenças, com o objetivo de estimular o conhecimento e a sensibilidade, através de várias atividades expositivas e educativas, buscamos a construção de um espaço dinâmico e participativo com a comunidade, integrados ao Programa Municipal de Incentivo à Cultura e ao Programa Rede da Cidadania, frutos de uma política cultural inovadora em nosso município.
Considerado um marco na arquitetura da cidade, projetado pelo arquiteto Vilanova Artigas, o prédio hoje com 56 anos foi utilizado até o ano de 1988 para abrigar a Estação Rodoviária de Londrina. Tombado em 1974 pelo Patrimônio Histórico e Artístico Estadual do Paraná como a primeira construção no estilo moderno, representa uma obra de fundamental importância na arquitetura nacional. O Museu de Arte de Londrina através do seu acervo, Biblioteca e Videoteca especializadas em artes, programa educativo, cursos, oficinas artísticas e eventos culturais, reafirma a sua função de um equipamento cultural comprometido com a formação e a valorização do ser humano, estabelecendo um diálogo constante com a comunidade artística e a sociedade.
SANDRA JÓIA é diretora do Museu de Arte de Londrina
Os casos tendendo a repetir-se
Walmor Macarini
Não é novidade que quando uma coisa, má ou boa, recebe grande concentração de sentimento coletivo, tende a repetir-se, em igual ou maior intensidade. Julgo importante repetir que o ódio popular semeado pela morte da menina Isabella (e este é apenas um dos casos) ganhou tanta propagação que induziu um pai a quase repetir o fato com sua filha de 4 anos, três dias atrás, em Niterói. A isto se dá o nome de emulação.
Outro fato doloroso (e também tenho repetido isto) é as pessoas envoltas em sofrimento pela perda de um dos seus, por assassinato, logo desejarem buscar justiça e a isso se entregarem. Domingo a TV Globo continuou pondo ingredientes na comoção do povo entrevistando a então quieta mãe de Isabella. E, por penosa que seja a condição dessa mãe, entristece vê-la declarando que irá acompanhar com dedicação o desenrolar do julgamento do caso. Faço isso pela minha filha, ela disse.
Dói, e temos de ser compassivos, o que quer dizer nos compadecermos do infortúnio alheio. Mas a mãe não ajudará em nada a filha com esse comportamento. Ao contrário, lhe fará muito mal. Aquilo que imagina ser por ela acabará sendo contra ela. Porque a menina precisará que haja paz entre os seus familiares para ter paz onde se encontra. Isabella já está recebendo socorro (porque sua essência transcendente também sofreu um abalo) e sua ferida está sendo curada, mas os sentimentos aqui em baixo carregados de alguma forma odiosa ou sedenta de justiça manterá essa criança no cenário da tragédia e nos seus desdobramentos, e lhes dificultarão desprender-se de amarras que ainda a prendem. Subir é permitir-lhe a leveza que a conduza para as paragens da luz, afastando-a da densidade criada pelo sentimento coletivo, que é menos de dor e mais de revolta.
O caso deve ser deixado para as autoridades desvendarem, sem permitir o envolvimento nas malhas do ódio e do não percebido mas oculto desejo de vingança. A maioria das pessoas não acredita na comunicação dos que se foram do nosso convívio - e por essa descrença dificultam um possível contato - mas as muitas mensagens de co-irmãos deslocados para outros planos pedem que não os mortifiquemos pela dor e pelo clamor insistente da falta que eles fazem. Porque dessa forma os puxamos para baixo. Eles estão menos longe do que imaginamos e precisam ser deixados em paz para seguirem sua nova jornada.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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