Pontos de atenção

Lair Ribeiro
A auto-estima manifesta-se em cinco áreas da vida: saúde, finanças, amizade, família e trabalho. Sugiro que você leia atentamente as considerações sobre cada uma dessas áreas. Depois, observando a sua vida, dê uma nota de 1 a 10 para cada uma delas.

Saúde: ser sadio não é a mesma coisa que não ser doente. O seu médico pode dizer que você não tem doença alguma, mas isso não quer dizer que você seja sadio. Ele só disse que você não é doente. Uma pessoa sadia, que sabe viver, tem energia para fazer tudo o que precisar. Se você se sente assim, dê nota 10 a essa área da sua vida.

Finanças: se você precisa pedir dinheiro emprestado para comprar um livro, dê nota 1. Se você puder parar de trabalhar hoje e viver mais 100 anos sem mudar seu estilo de vida, a nota é 10. Do contrário, dê uma nota intermediária entre 1 e 10.

Amizades: considere não só o número de amigos que você tem, mas a qualidade dessas amizades. Melhor dizendo: se você morresse hoje, quem iria ao seu enterro? Esta é a melhor forma de saber quantos amigos temos.

Família: como é a sua estrutura familiar, o seu núcleo familiar? Existe harmonia ou desarmonia? É um relacionamento constante ou cheio de altos e baixos? Às vezes é possível estar separado fisicamente mas haver harmonia. Que nota você daria?

Trabalho: se você ganhasse na loteria 1 milhão de dólares, você continuaria fazendo o que faz hoje? Se continuasse, a nota é 10. Você tem um hobby e está ganhando dinheiro com ele. Meus parabéns. Isso é saber viver. Se você está contando os dias para se aposentar, meus pêsames. Definitivamente, você não gosta do que faz e não sabe viver. Dê nota 1.

Some as notas dadas para cada área da sua vida e multiplique o resultado por dois: você ficará sabendo como está a sua auto-estima, percentualmente falando. A partir daí, você tem uma idéia do quanto pode melhorar. Lembre-se de que mesmo uma pequena melhora percentual pode significar uma diferença muito grande na sua vida.

Observando as notas que você deu para cada área da sua vida, você verá que umas foram melhores do que outras. Isso mostra que certas áreas podem estar indo bem, e outras, não. Veja qual é a área da sua vida que você pode melhorar e qual a que você deve agradecer. A gratidão é a mãe de todas as virtudes. Se você não agradece, as coisas não continuam acontecendo na sua vida. Agradecer faz parte da vida.

LAIR RIBEIRO é médico cardiologista e palestrante internacional em São Paulo (www.lairribeiro.com.br)






Envelhecimento, uma sequência da vida

Ângela Aparecida de Lima
Embora todos saibam reconhecer um idoso, é muito difícil definir algo que possa caracterizar a situação na qual ele se encontra. Poderíamos recorrer a referenciais biológicos ou psicológicos que contemplassem a aparência ou as patologias consideradas como clássicas para esse período da vida como cabelos brancos, rugas, osteoporose, artrose, hipertensão, perdas de memória. Todavia, todas essas características reunidas não dão conta de abarcar as inúmeras velhices que também se tornam presentes no cotidiano de muitas outras pessoas que não compartilham da considerada terceira idade.

Na gerontologia entende-se que o envelhecimento não significa uma decadência, e sim uma sequência da vida, com suas peculiaridades e características. Deve-se pensar, portanto, em envelhecer com qualidade evitando, assim, as contínuas mortes de direitos e deveres do cotidiano. E, principalmente, o olhar do outro que aponta nosso envelhecimento.

A nossa sociedade supervaloriza o ser humano ativo e discriminando o inativo. Considera a terceira idade como um momento improdutivo e sem perspectivas, tanto pessoal como social; desta forma, marginaliza-se o idoso. Isso gera sentimentos de frustração, incapacidade e afastamento do convívio social nos idosos, com frequente distanciamento educacional em relação à juventude, o que limita a compreensão e a participação em um mundo cada vez mais tecnológico e informatizado.

Aponta-se, também, a importância do entendimento do comportamento e sentimentos da pessoa idosa, bem como os conflitos internos, de relacionamentos com os outros, em especial os familiares, na inserção na sociedade. Portanto, o idoso deve ser melhor compreendido pela sociedade, sem pré-julgamentos ou preconceitos, encarando a terceira idade como fase da vida em que a necessidade de ser independente, de amar e de ser amado, de ser respeitado como indivíduo e de que viver novas experiências é a mesma de qualquer outra. Afinal, ninguém é tão velho que não acredite poder viver ao menos mais algum tempo.

ÂNGELA APARECIDA DE LIMA é professora de Educação Física e aluna do curso de especialização em Gerontologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná em Cornélio Procópio

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