ESPAÇO ABERTO
É hora de compaixão, libertação e solidariedade
Orlando Brandes
A Campanha da Fraternidade tem como tema: a defesa da vida. Hoje queremos considerar alguns inimigos da vida, que facilitam os caminhos da morte.
1. O cigarro. É um inimigo prazeroso e atraente. Para uns é sinal de virilidade, de poder e até uma moda que se imita. Este inimigo faz mal ao usuário, aos outros e ao bolso. Prejudica a convivência, facilita doenças incuráveis, além dos gastos financeiros que viram fumaça cinza e morte. Livremo-nos deste inimigo prazeroso. Vida sim, cigarro, não.
2. O álcool. É uma doença. Este inimigo destrói pessoas, fracassa famílias, mata no trânsito, frustra a vida jovem. O hospital, a cadeira de rodas e o cemitério, sãos os endereços do alcoolismo. É possível libertar-se deste mal. Vida e saúde, alegria e lazer sem álcool é o que queremos promover. Deve também desaparecer o álcool das festas da Igreja. Vida sim, álcool não.
3. A dengue. O mosquito da dengue é mosquito da morte. Vem da sujeira, da água estagnada, do descuido humano. Vamos combater este inimigo com higiene, cuidado e atenção com água parada. A vida não pode ser vitimada por mosquito que vem da sujeira e do desleixo. Vida sim, dengue não.
4. As drogas. O combate às drogas se faz com emprego, famílias estruturadas, boas amizades, educação e principalmente com Deus no coração e na vida. Trabalho, disciplina, amor e oração recuperam os drogados. O narcotráfico se combate com repressão, leis e cadeias. Vida sim, drogas não.
5. A Aids. É doença mortal. Além do preservativo precisamos preservar os valores, os limites, a continência, a fidelidade conjugal. Não basta sexo seguro, é preciso sexo ético. Quem sabe que é portador do vírus e o transmite conscientemente, é responsável pela vida que destrói. O prazer desordenado mata, o amor porém vence a morte. Vida sim, Aids não.
6. O suicídio. Está aumentando na sociedade especialmente entre os jovens. Uma vida sem sentido e sem amor é convite à morte. Convertei-vos e vivereis (Ez 33,9). O suicídio é também um problema social porque o consumismo esvazia a vida. Vida sim, suicídio não.
7. Miséria e fome. A miséria e a fome são filhas da injustiça, da corrupção, da concentração de renda, do egoísmo, globalizado. Deixar morrer de fome é a pior miséria. É hora de compaixão, libertação e solidariedade. Novas pobrezas estão emergindo. Escolher a vida é matar a fome. Vida sim, miséria e fome não.
8. Mágoa e ressentimento. São venenos da alma que provocam agressividade, depressão e outros males. Impedem o relacionamento com os outros e com Deus. Sentimentos negativos são inimigos da vida. O único remédio é o perdão e a reconciliação. Quem perdoa renasce, liberta-se e dá testemunho de sabedoria.
9. O abandono da religião. Psicólogos famosos como K. Yung e V. Frankl atestam que se alguém já foi religioso na vida e abandona a religião, não se recupera até que volte à vida religiosa. Atestamos muitas curas de pessoas que abandonaram a vida espiritual e religiosa e com o retorno à oração, à religião alcançaram a melhora, a recuperação de males físicos, psicológicos e espirituais.
10. O consumismo. É acúmulo de riquezas e bens para uns, fome, miséria e pobreza para outros. Miséria e obesidade, excesso de riqueza e aumento da pobreza, depredação da natureza, supremacia do mercado, idolatria do ter são o rosto vivo do consumismo. Excluídos e explorados, sobrantes e descartáveis somam multidões em nossa sociedade. Vivemos uma solidariedade no mal uma iniqüidade social, o verdadeiro império do mal com sua prepotência. Aliada do consumismo é a corrupção. Criamos a cultura da morte. É preciso reverter este caminho. Um mundo diferente é possível. Apesar de tudo, nós cristãos somos portadores de uma indomável confiança na dignidade humana e na capacidade de transformação da realidade.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina





