ESPAÇO ABERTO
50 anos do curso de História da UEL
Marco Antonio Neves Soares
Este ano comemora-se o cinquentenário de instalação e implementação do curso de História da UEL. Em 50 anos muitas coisas aconteceram, inclusive a sua desativação nos anos 70. São três pilares que sustentam a graduação em História, três linhas de pesquisas que norteiam e organizam as atividades docentes do departamento: Culturas, representações e religiosidades; Territórios do político e História e ensino. Os alunos transitam por essas linhas através de um sistema de créditos com vistas a serem professores-pesquisadores, perfil e padrão da moderna formação do profissional de História. Para isso contam com infra-estrutura, que inclui laboratórios, acervos documentais e equipamentos capazes de suprir as demandas da formação e que viabilizam projetos de pesquisa, de ensino e de extensão, onde os discentes atuam sob orientação de um ou mais docentes.
No Centro de Documentação e Pesquisa Histórica, assim como no Laboratório de Ensino de História, no Laboratório de Estudos dos Domínios da Imagem e nos diferentes Grupos de Estudo professores e alunos articulam teoria com a prática, na construção de uma práxis que comporta o ensino e a pesquisa, resultando em atividades voltadas à comunidade interna e externa. O projeto pedagógico exige uma formação interdisciplinar, que busca definir e localizar o campo histórico e suas especificidades, assim como reconhecer o alargamento deste campo em função dos contatos com outras formas de conhecimento, sobretudo no território das Ciências Sociais, da Geografia e da Linguística.
Para a formação do historiador/professor/pesquisador há uma série de atividades relacionadas aos ensinos fundamental e médio, como estágios, monitorias e atividades especiais, que por sua vez orientam as demandas didáticas do profissional de História que atua na educação básica. Ao completar 50 anos, o curso de História conquista sua autonomia que o colocam ao crivo da crítica no cenário brasileiro e internacional. E se consolida pelo programa de Mestrado em História Social, que neste mesmo ano terá sua primeira defesa. Esse é o melhor presente que o curso pode oferecer à UEL e à comunidade londrinense.
MARCO ANTONIO NEVES SOARES é coordenador de curso de História da Universidade Estadual de Londrina
Expor desnecessariamente a vida
Walmor Macarini
Com seu arriscado vôo, pendurado em mil balões com a meta de ficar 20 horas no ar e assim bater um recorde mundial, o padre Adelir de Carli expôs desnecessariamente a vida. Sua aventura não teve o fim de trazer algum benefício a alguém - como ocorre com as perigosas missões de buscas e salvamento - mas apenas exibir-se. Se ele era um sacerdote bom e caridoso, isto não invalida o desperdício de sua própria vida. Que é um dom divino e tem um preço alto. Embora em sua façanha não esperasse uma tragédia, ele cometeu suicídio. É assim que ficou registrado no seu livro cármico. Mesmo que ele houvesse retornado com vida, esse registro continuaria lá.
Também os alpinistas, os que fazem pára-quedismo esportivo, os saltadores de jumping, os competidores de automobilismo e motociclismo de grande velocidade são todos caracterizados como suicidas no seu primeiro estágio depois desta vida. Todas as práticas humanas que põem em risco a própria vida sem uma boa causa que justifique o risco são formas de suicídio. Porque mesmo não havendo (como sabidamente não há) intenção de auto-extermínio, há a consciência do perigo extremo. Muitos morreram ao galgar montanhas com a única meta de subir no topo e fincar lá uma bandeira e mostrar ao mundo que o conseguiram. Quem corre a 300 quilômetros horários com sua moto ou seu automóvel está no caminho de um suicídio. Porque a possível fatalidade é evidente. Então - muitos certamente perguntam - não pode haver tais corridas se tanta gente aprecia? Pode haver, da mesma forma que, quem o desejar, faça o jogo da roleta russa.
O relato de alguns desses aventureiros, após a morte, é estarrecedor. Sim, eles falam - embora nem sempre possam, pelo estado de perturbação em que se encontram. Quem não acredita nisso tem todo o direito de assim pensar, mas a verdade não se altera por isso. Os que correm loucamente pelas ruas e estradas, com seus carros e motocicletas, estão da mesma forma exercendo uma prática de suicídio (e de homicídio). Quem se corrói pelo fumo, pelas drogas ou perde-se na bebida, nada mais comete senão um lento suicídio. As consequências para um suicida são tenebrosas. Se as pessoas o soubessem antes, nunca cometeriam tal barbaridade. É preciso orar muito por esses infortunados.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





