Melhorando a auto-imagem
Lair Ribeiro

Prestamos cada vez menos atenção às nossas próprias necessidades, e somos levados a acreditar que precisamos de coisas que nem sempre são aquelas que queremos. Nosso desenvolvimento tem se dado de forma mais artificial do que orgânica. Isso nos leva a perder a espontaneidade, a criatividade e a alegria de viver. Nosso eu interior vai se deformando e os nossos valores mais verdadeiros vão se perdendo. Saber como isso funciona coloca você em contato com uma pessoa muito especial: você! Se você não se gosta, o mundo não vai gostar de você. Mas você não nasceu sem auto-estima.
Em uma pesquisa feita nos Estados Unidos com crianças entre 3 e 4 anos, descobriu-se que, até completar 8 anos, uma criança recebe aproximadamente 100 mil nãos! Para cada elogio, a criança recebe nove repreensões. Mesmo diante de tantas negativas, as pessoas têm de continuar vivendo. O que elas fazem, então? Desenvolvem o mecanismo da compensação. Em uma parte do seu cérebro existe uma estrutura chamada substância reticular ativadora ascendente, que tem duas funções: 1- manter o cérebro acordado, em estado de vigília. Quando levanta a mão ou o braço, você libera mais energia do que é preciso. Então, sobra energia. Essa energia que sobra segue pelos nervos até encontrar a substância reticular ativadora ascendente, que vai ativar o seu cérebro e mantê-lo acordado, em estado de alerta; 2-filtrar o que entra e o que não entra no cérebro. Nosso cérebro só pode computar de cinco a nove informações de cada vez. Você não pode prestar atenção na ponta do seu nariz, no dedo do pé direito, na leitura deste artigo, na temperatura da sala e no barulho da rua, tudo ao mesmo tempo. O cérebro se concentra em poucas coisas: ele estabelece prioridades.
Quem define as prioridades é a substância reticular ascendente, funciona como se fosse a secretária executiva do seu cérebro. Um exemplo: Uma menina de 13 anos que é abusada sexualmente chega à conclusão de que homem nenhum presta. Todas as vezes que vier uma manifestação de que ''homem presta'', a substância reticular vai bloqueá-la e o cérebro nem vai ficar sabendo. Todas às vezes que vier uma manifestação de que ''homem não presta'', a substância reticular vai deixá-la passar e o cérebro reagirá assim: ''Está vendo? Eu não falei que homem não presta?''. Uma crença, uma vez estabelecida, tem como função única e exclusiva se perpetuar. Por meio do seu desenvolvimento, você codificou uma série de coisas. E como você codificou, também pode descodificar.
LAIR RIBEIRO é palestrante internacional e médico cardiologista em São Paulo (www.lairribeiro.com.br)


O cuidado ao falar no Direito
Fábio Carneiro

  Tem sido muito comum, principalmente após o escândalo envolvendo o trágico assassinato da menina Isabella Nardoni em São Paulo, pessoas da mídia e cidadãos comuns palpitarem acerca de institutos jurídicos sem a devida cautela, desvirtuando-os de seus conceitos e de sua natureza, aplicando-os a quaisquer casos.
  O exemplo mais desastroso diz respeito ao instituto das prisões cautelares, especialmente a prisão preventiva que vem sendo tratada como conseqüência de conclusão de inquérito policial, desfavorável aos investigados - no caso o pai da menina Alexandre Nardoni e a madastra Anna Carolina Jatobá.
  Sem adentrar no mérito do desacerto dessa conclusão, evidentemente, deve haver responsabilidade, principalmente dos apresentadores de programas policiais que se fazem, às vezes, de juízes ‘‘decretando’’ prisão preventiva de suspeitos de forma arbitrária. Nós, cidadãos, temos o direito de saber, da parte de quem informa, as hipóteses em que teria lugar de fato a prisão preventiva.
  É preciso sinalizar que muitas das opiniões manifestadas na mídia invadem os lares, desinformando a opinião pública. Aqui não se pretende julgar o sério trabalho apresentado e desenvolvido pelos meios de comunicação; só se enfatiza o dever de responsabilidade na qualidade da informação.
  O que se pretende, com esse pequeno artigo, é sugerir aos responsáveis pela divulgação de notícias que procurem informar-se e, por conseguinte, informar melhor acerca do funcionamento das leis e dos processos investigativos. Com isso, poderá se evitar que a opinião pública seja induzida ao erro e passe a exigir da Justiça e de seus operadores aquilo que eles não podem fazer. Afinal, existe um procedimento legal que deve ser respeitado por todos.
FÁBIO CARNEIRO é estudante de Direito na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, campus Londrina

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