Em busca do novo sindicalismo
Geraldo Fausto dos Santos


O mês de abril é lembrado com angústia por milhões de trabalhadores brasileiros, que têm parte dos salários confiscada em função da chamada Contribuição Sindical, mais conhecida como imposto sindical. Essa taxa compulsória foi instituída em 1943, durante a Ditadura de Getúlio Vargas, com o objetivo de tutelar as ações do movimento sindical. Com este recurso, os sindicatos foram obrigados a adotar políticas assistencialistas, assumindo responsabilidades no âmbito da saúde, tais como, a contratação de médicos e dentistas para atender os trabalhadores, e até de lazer, onde muitas entidades deixaram de lado as lutas da corporação para construir clubes sociais
Essa cobrança arbitrária sobreviveu ao regime militar, na década de 60, graças à subserviência das direções da grande maioria de sindicatos do País. As entidades que se rebelaram contra as diretrizes impostas pela ditadura sofreram intervenções ao longo de duas décadas. Este cenário só foi mudado na década de 80, com as greves dos metalúrgicos no ABC de São Paulo, quando surgiu a CUT (Central Única dos Trabalhadores). Nasceu então o que chamamos de ''Novo Sindicalismo'', movimento de organização dos trabalhadores que levou à ruptura com a política do regime militar e deu início no Brasil às negociações livres entre patrões e empregados. Através de eleições transparentes, muitas vezes realizadas graças a medidas judiciais, foi dado um choque de gestão em muitas entidades sindicais, seguindo os princípios da CUT. Um deles, senão o mais importante, foi a ênfase dada na filiação dos trabalhadores, como forma de garantir a sustentação das entidades. Foi dessa forma que agimos em Londrina e com isto hoje temos sindicalizados mais de 90% dos cerca de 2.200 bancários que atuam em nossa base territorial. Abrimos mão há 12 anos do imposto sindical. Por isso não concordamos com a forma de agir de muitas entidades, principalmente com as que chegam a cobrar até 20% de taxa negocial de sua categoria, além das mensalidades e do imposto sindical.
Entendemos que os trabalhadores devem contribuir para a sustentação de seus Sindicatos, mas por meio de contribuições justas, aprovadas em assembléias democráticas. Cabe agora a todos, na esteira do reconhecimento das centrais sindicais, lutar pela aprovação de dispositivo legal que estabeleça o fim da Contribuição Sindical e de todas as taxas abusivas que servem de escora para sindicatos sem representatividade alguma junto aos trabalha
GERALDO FAUSTO DOS SANTOS é diretor-presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região

Defender o ambiente: todos falam
Sirlei Bennemann


Participando de discussões, viagens e encontros para mobilização em defesa do Rio Tibagi, constatei que todos que falam em defesa da natureza, fazem atos contrários à defesa e são os verdadeiros responsáveis pela destruição da mesma. Comentarei algumas situações que revelam esses falsos cuidados com a natureza: 1) na chegada do governador Requião a Londrina no dia 03/04, conversei com pessoas da comissão de recepção do governador pedindo para sensibilizá-lo na questão da Usina Mauá, que poderá ser o maior crime ambiental do Estado, caso seja construída, alertei para lembrá-lo dos documentos enviados pelos pesquisadores das universidades estaduais. A resposta que ouvi foi: certamente o governador não recebeu, pois ele é um grande defensor do ambiente. 2) Na III Conferência Estadual do Meio Ambiente o secretário de Estado do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, destacou o Paraná como o exemplo para o Planeta na questão de cuidados com o ambiente. No entanto, o secretário foi o grande responsável pelo andamento do processo de licenciamento desta usina. 3) O deputado Luiz Eduardo Cheida escreve textos lindos sobre os cuidados que devemos ter com o ambiente, mas sabendo que a licença instalação da Usina Mauá estava aprovada, divulgou para as pessoas que de fato defendem o ambiente, que estava propondo um projeto de lei para tombar o Rio Tibagi, com um detalhe, após a aprovação da licença. 4) e os delegados representando as bacias hidrográficas do Paraná na III Conferência não escondiam suas posições a favor da construção da usina, pois não podem perder seus cargos. Faziam de conta que estavam defendendo o rio e na hora da votação desapareciam para não se comprometer. 5) A população em geral e até docentes das universidades defendem a Amazônia, sim isso dá para defender na fala, mas em ações fica muito longe, mas o que está perto (a usina no Rio Tibagi) já é um caso resolvido (assim elas dizem), é uma decisão política, não podemos mudar. Cada dia tenho mais tranquilidade para dizer o que vejo, considero ser meu ofício e respeito com meus ideais, acredito que posso despertar a consciência de mais pessoas e defender o ambiente, mesmo apenas não me corrompendo.
SIRLEI BENNEMANN é professora na Universidade Estadual de Londrina

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