ESPAÇO ABERTO
O desafio de uma geração
Atsushi Yoshii
Um dos maiores desafios do ser humano é transmitir às novas gerações os valores essenciais da vida, bem como as nossas experiências, o caminho do sucesso e a arte de bem viver. Esse é o verdadeiro legado de uma geração para outra. Transmitimos aos nossos filhos valores como cidadania e respeito. Questionado sobre as razões que me levaram a assumir o projeto Imin 100 Londrina - ''A Integração e Evolução do Nikkey'' -, para as comemorações dos 100 anos de imigração japonesa no Brasil, conclui que a verdadeira motivação é o desejo de perpetuar os valores que garantiram aos japoneses e seus descendentes a credibilidade e o respeito dos brasileiros. Trago na memória inúmeras situações onde pessoas e empresas deram-me um voto de confiança mesmo sem me conhecer, em decorrência de minha descendência. Sou de uma geração que conviveu com os primeiros imigrantes japoneses: homens e mulheres virtuosos, que trouxeram ao Brasil a cultura e a tradição oriental. No entanto, as gerações mais novas, como os sanseis e os yonseys, sem o contato e a convivência com a cultura japonesa, acabam por abdicar da filosofia, dos hábitos e das próprias virtudes que proporcionam o progresso de toda uma geração.
Apóio a modernização da cultura japonesa, as mudanças do mundo globalizado, bem como a riqueza da miscigenação, mas luto pela perpetuação de valores imutáveis: credibilidade, transparência, honestidade e seriedade. Acredito que o Imin 100 Londrina será um meio de transmitir o que de fato queremos deixar para as futuras gerações: o nosso legado. O Imin 100 Londrina engloba uma extensa programação, iniciada ano passado, com os pré-eventos. Foram concertos e apresentações, campeonatos e torneios esportivos. De 18 a 22 de junho vamos realizar a Expô Imin 100 Londrina - a exposição do século. Sem dúvida será um dos grandes acontecimentos desses 100 anos. E finalmente, vamos homenagear essa data memorável com a inauguração da Praça do Centenário da Imigração Japonesa, marcada para o dia 22 de junho. Trata-se de uma justa homenagem aos primeiros imigrantes que chegaram a terras brasileiras e um marco histórico para as gerações futuras. Gostaria de registrar também os nossos agradecimentos a todos os voluntários que se mobilizam desde outubro de 2007 na confecção dos ornamentos decorativos. Temos que nos esforçar, lutar, dedicar tempo para transmitir para a sociedade, aos nossos filhos, aos funcionários, aos amigos, aos familiares e aos cidadãos, o que há de bom e virtuoso no mundo.
ATSUSHI YOSHII é empresário e presidente da Comissão Imin 100 Londrina
Aids: só informação não basta
Mary Neide Damico Figueiró
No mês passado, pudemos ler uma matéria na FOLHA chamando atenção para o aumento do número de Aids entre os jovens abaixo dos 25 anos atendidos pela saúde pública de São Paulo. Segundo a opinião do médico infectologista, que acompanhou a pesquisa, os jovens sentem-se ''super-heróis'' diante do HIV. Para ele, ''as campanhas são de boa qualidade quando comparadas a de outros países'' e ''O Brasil é um dos poucos que investe agressivamente em educação de sexo seguro [...]. Na sequência da matéria, é defendida a necessidade de ''aumentar o acesso à informação de boa qualidade'', e adaptar o programa em desenvolvimento ''para a informação chegar aos jovens com maior contundência''. Mas, será esta medida suficiente? Pelo que se vê na prática, a informação, por si só, geralmente, não basta para gerar mudanças de atitudes e fazer com que nossos jovens usem camisinha. O que é preciso, então?
As mudanças de atitudes são alcançadas de maneira mais efetiva via educação, na qual a informação é apenas um dos elementos importantes. É necessário haver espaço para que os adolescentes e jovens possam pensar, debater, pesquisar, falar sobre suas dúvidas, sentimentos, angústias e emoções, o que se consegue com alternativas didáticas variadas e atividades em grupo. É necessário que se implante a educação sexual nas escolas, desde a Educação Infantil, de forma sistemática, com muitas oportunidades para se pensar sobre todos os temas ligados à sexualidade, como por exemplo, puberdade, gravidez, masturbação, ''ficar'', namoro, contracepção e, sobretudo, relações de gênero, visando superar a desigualdade entre homens e mulheres.
Para o êxito da educação sexual é importante preparar os professores, os quais precisam contar com o interesse e o apoio da direção. Quanto à Aids e outras DSTs, o caminho é educar conscientizando e não apavorando. Ao invés de apavorar, é preciso que todos aprendam a se reconhecer como vulneráveis, ou seja, como podendo contaminar-se com o vírus da Aids, caso não se cuidem, usando devidamente a camisinha. Para mudanças de comportamento no campo da Aids, especialmente, temos que desenvolver com os educandos um trabalho de solidariedade para com os portadores do vírus, eliminando os preconceitos em relação a essas pessoas.
MARY NEIDE DAMICO FIGUEIRÓ é psicóloga, doutora em Educação e professora do departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina
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