ESPAÇO ABERTO
Planejamento e gerenciamento ambiental
Fábio Rogério Ortiz
Atualmente nota-se uma preocupação maior por parte da sociedade com os problemas ambientais causados por ela mesma. Essa tendência é evidenciada por uma ocorrência com maior freqüência, de debates e reuniões plurinacionais abordando temas como o aumento populacional, o crescimento desordenado e assimétrico em relação às respectivas rendas per capta por parte das cidades. Igualmente contribui o acentuado nível consumo que acompanha o presente grau de industrialização globalizada, sem a redução correspondente do desperdício. Temas como a diminuição efetiva e imediata do buraco na camada de ozônio, dos níveis de poluentes atmosféricos responsáveis pela intensificação do efeito estufa, do aquecimento global e da acidificação da chuva, estão ganhando presença permanente nas agendas de todos os países.
A gestão do meio ambiente é um tópico eminentemente multidisciplinar, onde os profissionais de diversas áreas do conhecimento são envolvidos na elaboração de um planejamento para o gerenciamento ambiental. Num mundo capitalista se não for dado um valor financeiro aos recursos naturais, sua preservação torna-se bastante difícil. A gestão ambiental consiste na administração do uso dos recursos ambientais por meio de ações ou medidas econômicas, investimentos, providências institucionais e jurídicas, com a finalidade de manter ou recuperar a qualidade do meio ambiente, assegurando de modo sustentável o acesso equilibrado aos recursos e ao desenvolvimento social.
Algumas ações quando bem direcionadas - sejam de natureza corretiva, preventiva, ou destinadas a aperfeiçoar as formas de utilização dos recursos ambientais - podem contribuir para a gestão correta e o planejamento ambiental eficiente. Dentre algumas destacamos os incentivos econômicos para a aquisição de equipamentos, investimentos em pesquisa; licenciamento e controle ambiental por parte do governo, criação de unidades de conservação; racionalização do uso da energia; incentivo ao aproveitamento de fontes alternativas de energia.
A partir do reconhecimento de uma situação problemática, da análise e diagnóstico ambiental dessa situação, e da subseqüente identificação das ações necessárias, é possível a fixação de metas a serem perseguidas. Basicamente estas etapas pressupõem planejamento ambiental eficaz.
FÁBIO ROGÉRIO ORTIZ é mestre em Agronomia e professor em Londrina
Um Paraná que não existe mais
Mário Luís Orsi
Era meados de janeiro de 1981, estávamos eu e meu avô em Curitiba, e como num papo de velhos amigos, me dizia o quanto admirava o Paraná, um lugar onde as pessoas tinham idéias de vanguarda, amavam a terra que moravam e enchiam o peito ao falar da qualidade de vida que tinham nesse Estado. A natureza e a agricultura andando juntas, e muitas qualidades mais que denotavam a importância do povo paranaense. Nessa conversa me veio uma grande vontade de vir morar nesse lugar, já que em São Paulo as coisas ao meu ver eram bem mais complicadas.
Passado anos, cá estou em Londrina, e nesse momento lembro de meu avô que, infelizmente, não está mais presente, mas que, por outro lado, não poderia mais estar aqui vendo um Estado vendido a interesses de politicagem. Os paranaenses estão numa passividade tremenda, vendo a maioria de seus municípios abandonados e o pior: tendo suas riquezas naturais usurpadas e degradadas e ainda sendo considerado o maior pinico da nação, já que é considerado o maior produtor de energia hidrelétrica e seus monstruosos reservatórios, que deixam a deposição dos dejetos, todos aqui.
É assustador imaginar que de um Estado tão promissor, agora nos resta só indignação. É triste ver o nosso órgão ambiental simplesmente ignorar as indicações reais e concretas de irregularidades em licenciamento ambiental, vindas do Ministério Público, pesquisadores e cidadãos paranaenses com consciência, liberá-la a um degenerado projeto de barragem do Rio Tibagi, o último ícone de biodiversidade aquática do Estado, e que não faltaram alternativas reais à não-construção. Como paranaense de coração ainda tenho a esperança de que deverá haver uma mobilização contrária a isso, pois é incompreensível pensar que esse povo vai deixar simplesmente acontecer um dos piores desastres ambientais a serem registrados: a hidrelétrica de Mauá. Penso que a memória e amor daqueles que acreditam num Estado moderno, com qualidade de vida e que saiba se desenvolver sem degradar, deva ser respeitada. Acorda Paraná, ainda há tempo! Não somos contrários à energia, mas ela deve ser produzida dentro de preceitos de ética e honestidade e, acima de tudo, com inteligência
MÁRIO LUíS ORSI e biólogo e professor na Universidade Estadual de Londrina





