Transgênicos e células-tronco
Walmor Macarini
  Uma delicada questão do momento é a discussão sobre a aplicação das células-tronco embrionárias, um tema que está no mesmo nível da transgenia em produtos agrícolas, porque em ambos os casos a ciência ainda não deu sua palavra conclusiva. Sobre os transgênicos, a tecnologia (que é apenas um dos ramos da ciência) cumpriu seu papel, apresentando produtos e suas vantagens estratégicas, mas uma resposta científica ainda demora até que se conheça os resultados finais sobre o consumo desses alimentos pelos seres humanos e os animais. Isto poderá durar uma geração inteira, portanto tudo o que se afirma ou nega a respeito é ainda empírico.
  Dez anos de produção e consumo são muito pouco para conclusões sobre possíveis mutações genéticas, ou não, em quem consumir tais produtos. Por ora, afirma-se que os transgênicos não causam mal ao consumidor e proporcionam mais lucratividade ao produtor, além de eliminar grande quantidade de agrotóxicos. Mas é apenas a voz da tecnologia e dos interessados. A ciência nada disse ainda.
  Quanto às células-tronco embrionárias (que diferem das células-tronco adultas), estas estão com as pesquisas interrompidas no Brasil, desde que, após a aprovação da lei da biossegurança, a Procuradoria Geral da República ingressou com ação de inconstitucionailidade. A Igreja Católica manifesta-se contra a manipulação desses embriões, porque, mesmo sem saber em que momento começa a vida no útero materno, entende que essa prática é atentatória a um suposto ser nascente ali.
  Nos Estados Unidos as pesquisas oficiais com tais células também são proibidas, embora a ciência privada faça avanços. Os benefícios citados para curas e regenerações são inúmeros mas teme-se pelo uso desses embriões para outros fins, como a produção de indivíduos programados para os mais sinistros desempenhos. Isto não deve impedir a pesquisa. O uso generalizado e aleatório é que será a questão, porque a própria ciência ainda não domina plenamente o processo celular.
  O que se sabe é que todas os seres e coisas têm a mesma constituição atômica e que a natureza é harmônica. As sementes germinam, em acordo com a terra. Todos se valem do mesmo ar e da mesma água. Homens alimentam-se de frutas, vegetais e animais; estes nutrem-se dos mesmos alimentos e de si próprios; bactérias devoram os restos humanos. O sol está na exata intensidade de calor para tudo que existe no planeta. Por isso a vida é possível. As manipulações genéticas podem quebrar essa harmonia.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA


A perda da biodiversidade
Nelio Roberto dos Reis
  Ao contrário do que pregam alguns, o homem não é o centro de nada, mas faz parte do ecossistema onde vive e, até agora, tem se mostrado com um poder de destruição bem maior do que uma manada de elefantes.
  A perda da biodiversidade é claramente a principal ameaça da humanidade, nos ambientes terrestres. Claro que as causas dos declínios das espécies estão associadas às atividades humanas com o impacto direto e devastador e a destruição e exploração desmedida dos habitats. Ainda, os impactos indiretos importantes como a poluição química nas formas de inseticidas e herbicidas.
  A cada ano, seis milhões de hectares de florestas tropicais são cortados. Dois milhões de hectares são cortados anualmente só da floresta amazônica, região que contém pouco mais da metade das florestas tropicais do mundo.
  Sem medidas conservacionistas urgentes, extinções em massa devem ocorrer em futuro próximo e isso nada mais é do que o começo do fim do mundo. Quando, fósforo, potássio e outros elementos essenciais para o crescimento de alimento forem queimados, levados pela chuva aos rios que seguem para o mar, sem constrangimento nenhum, ocorrerá o que os cristãos chamam de o ‘‘Apocalipse’’, chamada de ‘‘revelação’’, usado por muitos como ‘‘juízo final’’. Visão que, por mais incrível do que possa parecer, transmite um caráter ecológico, pois se refere à capacidade destruidora do homem moderno. Apocalipse 7.3 ‘‘Não danifiqueis a terra, nem ao mar, nem as árvores...’’.
  Os seres humanos se apropriam de mais de um terço da produção dos ecossistemas terrestres e de quase metade da água doce disponível, o que tem resultado, pela forma com que usam, na degradação e destruição extensiva dos ambientes.
  O pior é de que os desmatamentos poderiam ser reduzidos através de práticas florestais sustentáveis estáveis. Mas quem está interessado nisso? Pois, esta prática sai da lógica do lucro imediato. E o homem, dotado de inteligência superior, sofrerá a previsão óbvia dos profetas: princípio das dores, (pequenas catástrofes, fomes, pestes, terremotos, maremotos, aquecimento global) como está escrito, e nada mais sobrará ao mundo se não a capacidade de começar de novo.
NELIO ROBERTO DOS REIS é professor de Ecologia da Universidade Estadual de Londrina


- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].

mockup