ESPAÇO ABERTO
Tributo a Chiara Lubich
Édina de Paula e Amarildo de Paula
Para quem conhece o Movimento dos Focolares, o nome Chiara Lubich é muito significativo, e hoje é momento de viver o luto pela sua partida, no último dia 14. Para quem não o conhece, é momento de saber um pouco quem foi ela e qual o seu legado. Nascida em Trento na Itália em 22 de janeiro de 1920, com apenas 23 anos, em plena Segunda Guerra mundial, no ano de 1943, Chiara e suas primeiras companheiras fizeram nascer da dor e dos horrores da guerra, o Movimento Focolare (que na tradução literal significa reunião em torno de uma lareira) com o propósito de praticar o Evangelho de Jesus. Conta-nos que em um refúgio antiaéreo abriram ao acaso o Evangelho na página do Testamento de Jesus e a frase Pai, que todos sejam um, como eu e tu, parecia iluminar-se e aquele todos passou a ser o horizonte de suas vidas.
A partir da descoberta de que Deus é Amor e que as palavras desse Deus, conservadas na Bíblia, são palavras que realizam aquilo que prometem quando alguém as coloca em prática, surgiu o que hoje é conhecido e praticado por milhões de pessoas em 186 países, das mais diversas orientações religiosas. O Movimento dos Focolares, muito embora tenha nascido no seio da Igreja Católica, e seja conhecido como Obra de Maria, busca realizar a unidade em torno do mesmo Pai, para fazer cumprir a máxima de que todos sejam um. Quando esteve no Brasil em 1991, Chiara ficou muito impressionada com a gritante desigualdade social que ela constatou visitando São Paulo. Ela lançou para o mundo o projeto de Economia de Comunhão na Liberdade (EdC) que visa a constituição de empresas dispostas a colocar em comum seu lucro. Este projeto hoje é estudado em diversas universidades na Europa e nas Américas, e é apresentado por alguns estudiosos como uma via alternativa entre o socialismo e o capitalismo.
As diversas experiências já apresentadas em congressos por todo o mundo, demonstra que é possível outra maneira de viver quando se pratica a partilha na Unidade. Outro relevante legado foi a criação do Movimento Político pela Unidade (MPpU) que é formado por uma rede mundial que congrega o engajamento político de pessoas de variadas tendências, que assumiram o ideal de transformar o princípio da fraternidade em categoria política de modo que seja um instrumento para fazer da humanidade uma única família. Não podemos deixar que acrescentar que o Movimento dos Focolares tem um compromisso com a formação de uma nova humanidade, no sentido de viver a fraternidade universal. Agradeçamos a Deus por nos ter proporcionado conhecer através de Chiara, como praticar os ensinamentos de Jesus, no empenho de viver, de várias maneiras, o amor e a unidade que estão no DNA de todo homem.
ÉDINA DE PAULA é promotora de Infância e Juventude de Londrina e AMARILDO DE PAULA é agrônomo, ambos participantes do Movimento dos Focolares em Londrina
Pessoa com deficiência: mais uma conquista
Martinha Clarete Dutra
Romper barreiras e conquistar direitos deve ser um lema constante na luta deste segmento social. Garantir educação, saúde, transporte, cultura, lazer, esporte e trabalho tem sido o principal objetivo do movimento social organizado pelas pessoas com deficiência em nosso país. Em 2004, entrou em vigor o Decreto Lei 5.296, que regulamentou as leis 10.048 e 10.098, ambas de 2000. Este instrumento legal detalhou as condições de acessibilidade da pessoa com deficiência e mobilidade reduzida aos bens e serviços sociais, tais como: educação, transporte, habitação, informação, comunicação, cultura, tecnologia assistiva, bem como edificações de uso público. Desde então, as organizações de defesa de direitos da pessoa com deficiência passaram a divulgar amplamente, este decreto e cobrar sua implementação tanto pelos órgãos públicos, quanto pelas instituições privadas. Por isso, é perceptível a mudança em nosso município. Ao ir e vir por Londrina, observamos algumas calçadas e praças com piso tátil, encontramos elevadores com botoeira em braile e com voz, rampas de acesso nas esquinas. É evidente que estamos longe do ideal. É importante anunciar em alto e bom som cada pequena conquista.
Trata-se de uma reivindicação antiga: acessibilidade nas agências bancárias. Os clientes com deficiência visual dispunham apenas de piso tátil no interior de algumas agências. Os terminais de auto-atendimento eram inacessíveis a estes clientes, pois faltava às máquinas programa de voz. Conforme o Decreto de Acessibilidade, os estabelecimentos devem disponibilizar pelo menos uma máquina de auto-atendimento ao alcance de todos e com programa de voz. A agência do Banco do Brasil, localizada no prédio da Prefeitura de Londrina, disponibilizou, semana passada, um terminal com programa de voz. O cliente interessado deve se cadastrar no banco como usuário do sistema e portar um fone de ouvido para acessar o sistema falado. O programa é simples e de fácil utilização. Qualquer cliente que não se sentir apto a manusear as máquinas no seu formato convencional, poderá solicitar este novo serviço. Agora, esperamos que os demais bancos sigam o caminho da acessibilidade e cumpram definitivamente, a lei.
MARTINHA CLARETE DUTRA é assessora de políticas de inclusão da pessoa com deficiência da Prefeitura de Londrina





