ESPAÇO ABERTO
Globalização e o mercado de trabalho
Laércio Rodrigues de Oliveira
O atual cenário mundial se caracteriza pelo avanço e a consolidação da globalização da economia nas atividades financeiras e produtivas. Nas atividades financeiras, em razão da alta liquidez internacional, o capital percorre o mundo através das bolsas de valores na busca de ganhos de curto prazo provocando preocupação no sistema produtivo. Por outro lado, o crescimento da produção nos países em desenvolvimento, principalmente os asiáticos, vem causado preocupação e mostrando a necessidade da regulação de um mercado globalizado cada vez mais competitivo. Alguns dos problemas criados por estes fenômenos é o aumento do desemprego involuntário, precarização dos empregos existentes e a concentração de rendas, principalmente no Brasil. A busca das vantagens competitivas das grandes empresas em um mercado concorrencial, leva estas empresas à reestruturação de seu modelo produtivo visando produzir bens e serviços a custos mais baixos e melhorar o retorno do capital aplicado. Esta reestruturação, com a adoção de novas tecnologias, leva a substituição do capital humano pelo capital tecnológico provocando a redução de mão-de-obra ocupada. Um dos aspectos a considerar é que o avanço tecnológico não atinge apenas o setor secundário (industrial). No setor primário (agro-pecuário) a tecnologia também vem alterando o modelo produtivo e o perfil dos trabalhadores. Os equipamentos utilizados tanto na agricultura quanto na pecuária vêm exigindo dos trabalhadores escolaridade e conhecimentos de informática que em tempos anteriores não eram exigidos. Da mesma forma no setor terciário (comércio e serviços) o grau de exigência da reestruturação produtiva inclui a automação da maioria das atividades exigindo trabalhadores mais qualificados e reduzindo a oferta de vagas. Estes fenômenos, que vem se acentuando no mundo globalizado, requerem por parte dos governantes a adoção de políticas públicas que venham a amenizar o processo de exclusão da população economicamente ativa (PEA) do mercado de trabalho. Umas das medidas, que de certa forma o Estado vem realizando, é a educação formal da população. Todavia não basta apenas ofertar vagas nas escolas básicas e superiores. Faz-se necessário também dotar estas escolas de condições para o ensino de qualidade e que atendam as exigências do mundo globalizado. Estas condições passam pela qualificação dos professores, do pessoal de apoio, da implantação e estruturação de bibliotecas e equipamentos de informática. No campo econômico faz-se necessário a redução da burocracia estatal para facilitar a ação do setor produtivo e a redução da taxa de juro que reduzirá o custo do capital financeiro tornando-o mais atrativo para o financiamento das empresas. A adoção destas medidas não resolverá o problema do desemprego e da distribuição de renda no curto prazo, mas com certeza evitará no futuro o aprofundamento destes sérios problemas - desemprego e concentração de renda.
LAÉRCIO RODRIGUES DE OLIVEIRA é professor universitário e delegado do Conselho Regional de Economia em Londrina
Nem oito, nem oitenta
Lair Ribeiro
Há pessoas que vivem mais com o lado esquerdo do cérebro. Tudo na vida delas é arrumadinho, detalhado e certinho. Cada par de meias ocupa sempre o mesmo lugar na gaveta. Tudo é organizado. Tão organizado que essas pessoas não enxergam o mundo ao seu redor. Enxergam cada detalhe da árvore, mas são incapazes de ver a floresta. Por mais inteligentes, sistemáticas e perfeccionistas que sejam, elas vão passar a vida inteira ganhando salário mínimo como caixa de uma lojinha no centro da cidade.
Por outro lado, existem aquelas pessoas que passam o dia todo sentadas ao redor de barraquinhas de bijuteria, nas feiras hippies. Elas são sonhadoras, têm preocupações sociais, lêem grandes filósofos, mas, muitas vezes, não têm nem casa para morar. Elas desenvolveram apenas o lado direito do cérebro: veêm a floresta, mas não conseguem ver a árvore. Isso mostra que, para ser bem-sucedido na vida, é preciso trabalhar com os dois hemisférios cerebrais: o esquerdo e o direito. Mas, de modo geral, as pessoas costumam sair da escola trabalhando muito com um único hemisfério cerebral: ou são muito metódicas e pouco criativas, ou têm muita criatividade sem qualquer sentido prático. A diferença é esta: quem, no seu dia-a-dia, conseguir integrar os dois hemisférios cerebrais, aumenta a inteligência e percebe mais oportunidades na vida. Prefira um helicóptero! Quem dirige um carro, consegue ver o detalhe da estrada que está à sua frente, mas não consegue ver o que está atrás do morro. Quem pilota um avião, consegue ver o que está atrás do morro, mas não consegue ver o detalhe da estrada. Quem anda de helicóptero, vê o que está atrás do morro e, ao mesmo tempo, pode focalizar o detalhe da estrada. Em resumo: para movimentar-se na vida, prefira um helicóptero. Só ele lhe dá, ao mesmo tempo, a capacidade de focalizar o detalhe e ter uma vista panorâmica de tudo à sua volta. Você sabia que a habilidade de focalizar o detalhe e o conjunto, ao mesmo tempo, é uma característica das pessoas bem-sucedidas?





