O peso do que os pais fazem e dizem
Walmor Macarini
  Se os pais fumam, como controlar os filhos a que não descambem para o uso de drogas? Se os fumantes expelem mau hálito, como induzir os filhos pequenos a fazerem higiene bucal e escovar os dentes? Se o cheiro exalado dos pais que fumam fica impregnado em seu próprio corpo, em suas roupas, nos cabelos e até nos objetos da casa, como exigir que as crianças se banhem e adquiram bons hábitos como o de manter e corpo e o quarto limpos? Se na roda familiar a maledicência corre solta e os filhos ouvem, como impedi-los que cresçam como o mesmo costume? Se as conversas dos adultos demonstram que o mundo é de competição, como proibir que os filhos pequenos fiquem pregados diante do computador praticando jogos violentos e se tornem igualmente competitivos e agressivos? Se a conversa inútil é prevalecente em casa, como evitar que os filhos se tornem também adeptos das futilidades ao invés de se ocuparem de assuntos mais produtivos?
  Óbvio que não se pretende criar gênios (a menos que eles já nasçam com essa herança genética), porque estes acabam tendo dificuldade de adaptar-se ao meio e ficarão isolados, mas é certo que os desleixos verbais e comportamentais dos pais, assim como a excessiva rigidez, tenderão a produzir filhos com natureza semelhante. Pais honestos geram filhos honestos, ressalvadas poucas exceções. Tudo o que se diz a uma criança ela absorve. O mesmo se dá com o que ela observa. Essas imagens podem não levá-la de imediato às imitações, mas ela se lembrará mais tarde e então começará a decifrar tais códigos e seguirá o que eles dizem. Quem, hoje mais idoso, não se lembra do que os pais lhe ensinavam? Se o ensinamento foi bom, ele é citado com freqüência. E também as espertezas nocivas que as crianças aprendem dos mais velhos constitui um exemplo para elas, com o peso de um aval. Se a consciência dos pequenos não for despertada pelos que têm influência em sua infância e juventude - pais, professores e essas pessoas sempre existentes no círculo familiar que contam histórias e repassam tantas coisas marcantes - elas crescerão sem ativar esse atributo.
  Um dos princípios fundamentais a ensinar é o da honestidade, porque compreende todo o gênero de valores. Se uma pessoa é honesta numa coisa é honesta em todas as coisas. Ela poderá eventualmente cometer deslises mas seu piloto automático interior acabará reaprumando-a e restabelecendo a rota. O mundo melhor que todos desejam, mesmo que muitos não contribuam para isso, será construído pela numerosa parcela dos conscientes e pelos meninos que estão crescendo. Mas eles são como tela virgem e alvíssima, que absorve tudo o que se lança nela e pode converter-se em uma figura de borrão ou numa esplêndida pintura.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA


Segurança e cidadania
Alvino Aparecido Filho
  Na democracia, o pleno exercício da cidadania é a garantia de segurança. Há, portanto, necessidade de se instrumentalizar a sociedade de meios suficientes e ágeis no enfrentamento da violência, através de medidas imediatas e eficazes. Londrina detém excessivos casos que envolvem violência e insegurança, atingindo todas as classes sociais. Não são apenas situações básicas que assolam a comunidade, mas ações que colocam a vida dos munícipes em risco. O questionamento que se faz quanto à real maneira de se diminuir a caótica situação, vem da ação direta da administração pública.
  A necessidade de se instalar a Secretaria Municipal de Segurança e Defesa Social é obvia. Sobredita Secretaria seria responsável pela racionalização das ações preventivas, através de eficientes programas de inclusão social e operações integradas, realizadas de forma conjunta pelas polícias. Incremento na atuação do Gaeco e promotorias especiais de investigação do Patrimônio Público e do crime organizado, também se revela extremamente importante.
  A reativação da guarda municipal também é preponderante para a diminuição da sensação de falta de segurança na comunidade. Em Curitiba, a guarda municipal conta com aproximadamente 1.702 integrantes, ou seja, quase o dobro do efetivo do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina. Muitas outras cidades mantêm guarda municipal, que desempenham eficiente função de auxilio às polícias, realizando vigilância preventiva e ostensiva. Em Londrina, mais de 30 espaços públicos, localizados em todas as regiões da cidade, estão às escuras, conforme relatório da Secretaria Municipal de Obras. São dados que servem para nossa reflexão!
  Por outro lado, o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) do governo federal possui um conjunto de 94 diferentes projetos, porém nenhum direcionado para Londrina, maior cidade do interior do Paraná e terceira do Sul do País! O investimento em segurança é um fortíssimo componente social. Além de ser dever constitucional, é um compromisso com a população, e acima de tudo, ligado ao pleno exercício da cidadania. Anseio de todos nós!
ALVINO APARECIDO FILHO é advogado membro do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e ex-presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Londrina


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