A moral e as células-tronco
Aguinaldo Pavão


  O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou a decisão sobre o futuro de pesquisas com células-tronco de embriões humanos. Gostaria de comentar aqui alguns argumentos que a Igreja Católica têm usado contra o uso de células tronco embrionárias em pesquisas. Que os bispos sejam contra o uso de células-tronco embrionárias para pesquisas, até aí tudo bem. Pelo menos, abstratamente, a posição contrária deles é perfeitamente cabível. Contudo, as alegações dos católicos, a meu ver, são de difícil aquiescência.
  Em matéria publicada dia 29/02 na página da CNBB [http://www.cnbb.org.br], Dimas Lara Barbosa, secretário-geral da Conferência, afirma que ‘‘a Lei de Biossegurança abre caminho para a legalização progressiva do aborto e o desrespeito da vida humana’’. Percebam que esse não é o ponto. Talvez o digníssimo bispo tenha razão em pensar que a Lei de Biossegurança traga tal conseqüência. Mas e se não trouxesse? Tudo indica que ele continuaria sendo contra, pois ele pensa que um embrião é uma pessoa humana e tem de ser tratado como portador dos mesmos direitos que qualquer outro ser considerado normalmente uma pessoa humana, como uma mulher em gestação por exemplo. Sendo assim, as conseqüências da decisão que o STF tomará não têm importância e a alegação do bispo se revela irrelevante para a tese que ele defende.
  O ponto mais delicado parece ser qual o destino dos embriões congelados. O bispo Geraldo Lyrio diz que ‘‘a questão é extremamente complexa’’ e que a Igreja ‘‘não tem nem pretende ser caixinha de resposta para todas as interrogações’’. Para ele, a resposta tem que ser buscada considerando que se trata de vida humana. ‘‘A Igreja chama a atenção porque se trata de um ser vivo, portanto, não pode ser eliminado’’. Mas então sobre esse ponto, que é o que interessa, a Igreja tem a resposta. Se o embrião não deve ser eliminado, mesmo que ele jamais venha a se tornar uma pessoa, isto é, nascer e viver com um corpo próprio e desenvolver sua identidade pessoal, devemos preservá-lo congelado enquanto isso for possível, em que pese a possibilidade de seu uso poder salvar a vida de pessoas humanas.
  E sobre isso a Igreja aciona rapidamente sua caixinha com as repostas: o bispo Lyrio alega que o uso de células-tronco embrionárias na cura de algumas doenças, seria errado, pois ‘‘salvar um e matar outro não é resposta’’. Quer dizer, para o bispo salvar uma pessoa e matar um embrião, cujo destino jamais será - pelo menos com relação à maioria dos que estão congelados - tornar-se uma pessoa, é moralmente errado. Isso significa dizer que a preservação de um agregado de células congeladas deve se sobrepor à possibilidade de sua manipulação em favor da cura e da vida de pessoas. Muito exótico esse pensamento! Que seja um ponto de vista moral, somente posso entendê-lo como um ponto de vista religioso e dogmaticamente moral. Esse ponto de vista parece-me simplesmente uma agressão ao bom senso moral.
AGUINALDO PAVÃO é professor de Filosofia na Universidade Estadual de Londrina


O que faz a diferença

Lair Ribeiro

O objetivo deste artigo não é modificar o seu estilo de vida, mas mostrar-lhe pequenas coisas que, se feitas cons-tan-temente, podem fazer enorme diferença no seu viver. É a constância, e não o tamanho da mudança, o que faz a diferença. Pequenos ajustes, periódicos e frequentes, são fundamentais. Às vezes, uma pequena diferença no desempenho provoca uma enorme diferença no resultado. Veja um atleta que nas Olimpíadas bateu o recorde dos 100 metros rasos. Por muito tempo, o mundo inteiro só fala dele. O segundo colocado pode ter chegado apenas alguns milésimos de segundo atrás, também teria sido o recordista, mas ninguém fala dele. Na Fórmula 1, no futebol, em tudo é assim: uma pequena diferença no desempenho faz uma pessoa, e não outra, ficar famosa.
Pense na sua vida e na vida das pessoas de quem você gosta. Pense nas pessoas bem-sucedidas e famosas que você admira. Encontre cinco motivos para justificar a sua admiração por elas. Agora, pense em você: se você acha que não pode ''chegar lá'', é porque alguma coisa dentro de você está se recusando a isso. A única ferramenta que leva as pessoas ao sucesso, você também tem: é o cérebro. Então, que tal aprender a usar melhor esse seu supercomputador humano? Para dirigir melhor o seu carro, você precisa saber como ele funciona. Na vida é a mesma coisa: para pensar melhor e ter mais sucesso, é preciso entender como o cérebro funciona.
Qualquer pessoa precisa de duas pernas em perfeitas condições para andar e correr. Se uma delas estiver atrofiada, a pessoa vai mancar. Com o cérebro também acontece isso. O cérebro é com-posto de dois hemisférios: o esquerdo e o direito. De modo geral, a educação que recebemos na escola privilegia o desenvolvimento do hemisfério esquerdo, que é a parte lógica e analítica do nosso cérebro. O desenvolvimento do hemisfério direito, em que fica a intuição e a criatividade, costuma ser deixado em segundo plano. O resultado disso? As pessoas aprendem a pensar apenas com um lado do cérebro, desperdiçando a capacidade do com-putador mais poderoso do mundo. Os hemisférios esquerdo e direito de nosso cérebro têm funções totalmente diferentes, mas são complementares. É importante não se esquecer disso. Para alguém ser bem-sucedido, seus dois hemisférios cerebrais precisam trabalhar em equilíbrio e harmonia.
LAIR RIBEIRO é palestrante internacional e médico cardiologista em São Paulo

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