ESPAÇO ABERTO
Usina Mauá, biodiversidade e leis ambientais
Sirlei Bennemann
Foi com muita tristeza que li na FOLHA DE LONDRINA (Geral, pág. 8, 01/03) a seguinte notícia: Suspensa liminar que impedia licença para Usina Mauá. O que é desesperante: as bases para a suspensão são claramente políticas e econômicas, e a notícia para quem lê dá a impressão que esta liminar era a única ação contra a Usina Mauá. Eu até já perdi as contas, mas ainda existem muitas outras ações não julgadas. O juiz que deferiu o pedido de suspensão desta liminar argumenta que há risco de desabastecimento de energia no País. Eu acredito que não seja esta a justificativa, mas se a usina não for licenciada, como ficarão as empresas e os envolvidos no processo de licenciamento?
O que realmente aconteceu no processo de licenciamento da Usina Mauá, desde 2005, é que as leis ambientais foram descumpridas e continuam sendo em cada liminar que é deferida para dar continuidade ao processo. Da mesma forma, a riqueza de espécies da fauna e flora é ignorada, e a maior ignorância consiste em não reverenciar e preservar o que temos no Estado do Paraná em riqueza - as espécies que ainda fornecem naturalmente os serviços para a qualidade da água, essencial para a sobrevivência, e o clima agradável que ainda desfrutamos. A região projetada para construir a barragem, já foi corretamente classificada e selecionada como área prioritária para conservação pelo Ministério do Meio Ambiente. Esta qualidade ambiental é resultado da quantidade de nascentes e dezenas de afluentes que fornecem quantidade e qualidade de água para o rio Tibagi, e a grande área de mata nativa é a responsável por manter e fornecer essa água.
O que também chamou atenção na FOLHA foi outra reportagem: Tremores de terra assustam moradores de Sobral. Nessa reportagem estão listados os locais que já ocorreram tremores de terra no Brasil, e um destes locais, é Telêmaco Borba (onde em janeiro de 2006, ocorreram tremores, com os mais altos graus entre os que ocorreram no Brasil). Ainda lembro desta data, pois foi logo após a concessão da licença prévia da Usina Mauá (em dezembro de 2005). Será que a única lei que vai impedir a construção da barragem para Usina Mauá será a lei natural?
SIRLEI BENNEMANN é professora e pesquisadora de peixes na Universidade Estadual de Londrina
Os ratos estão chegando
Nelio Roberto dos Reis
Em 1938, Orson Welles, famoso cineasta, produziu uma transmissão radiofônica intitulada A guerra dos mundos, e causou pânico entre os ouvintes, que imaginavam estar enfrentando uma invasão de marcianos. Nada a ver com a invasão dos ratos que discuto agora, porque incontestavelmente, os ratos são mais sujos, infectados com doenças e mais agressivos do que os marcianos. Não falo dos ratos como Roberto Jefferson que salvou a República, dos ratos das balas perdidas, dos ratos que criam as IOPs, BLOQs e CPMF, do rato ditador que quer as Farcs, grupo terrorista, aceito como força política e daqueles quetransformaram o aeroporto de Brasília com o maior número de vôos atrasados no mundo em 2007. Falo literalmente daqueles que desembarcaram junto com os degradados portugueses usando as cordas que amaravam as caravelas ao cais. Mus musculus (camundongo), Rattus rattus (rato de laboratório) e do Rattus norvergicos (ratazana de esgoto) que podem chegar a mais de 500 gramas. Ratos que com seis meses de idade, já produzem 40 novos indivíduos, em um 80, e em 10 anos poderiam ser 48 trilhões.
Dos ratos que destroem 30% da produção de grãos do Brasil e 4% do mundo. Dos ratos que causam tifo, leptospirose, hantavirose, salmonelose e triquinoses. A cada três dias, os hospitais registram uma pessoa com mordedura de roedores. Na Idade Média a Peste Negra aniquilou 25% da população da Europa. Os ratos foram responsabilizados. Vinte e cinco anos atrás vi toda a cordilheira dos Andes coberta de gelo no verão. Em 2008, só vi gelo no Acongágua nos seus quase sete mil metros. Um mundo mais quente favorece o crescimento e multiplicação dos ratos. Sobreviveriam à bomba atômica, pois conseguem em qualquer ambiente, devido a sua extraordinária adaptabilidade.
Estima-se que uma cidade de terceiro mundo possa ter no mínimo duas a três vezes mais ratos do que humanos. Em São Paulo seriam 45 milhões. Em Londrina, um milhão e meio de ratos vivos hoje. Se o Brasil e o mundo não se ativerem com cuidados de higiene, não acabarem com os lixões a céu aberto, o mundo favorecido pelas alterações climáticas causadas pelo efeito estufa, os ratos tomarão o mundo. Ingênuos daqueles que acham que podem dizimar o grupo com raticidas. Possuem neofobia, qualquer alimento novo colocado é testado em primeiro lugar pelos doentes e idosos e só consumidos depois. Por isso, nenhum raticida e completamente eficiente. E tem gente, em Londrina, preocupada com as pombinhas.
NELIO ROBERTO DOS REIS é professor universitário em Londrina
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