Apoiada em uma conjuntura internacional que favoreceu o crescimento econômico, durante vários anos consecutivos, e pela estabilidade da economia nacional, a atividade produtiva no segmento de transporte tende a crescer em 2008. No entanto, terá de transpor obstáculos. Esta é a análise que se faz a seguir, a partir de evidências do crescimento da demanda para o setor, levando em conta que também há muitas incertezas para o setor.
  O ano de 2007 foi marcado pelo crescimento da economia brasileira. Para o setor de transporte, a boa performance do agronegócio, o aquecimento da construção civil, a expansão da mineração, bem como o crédito estimulando o consumo foram alguns dos fatores que estimularam o recorde na indústria de caminhões nos últimos 30 anos.
  Porém, apesar dos indicativos apontarem que 2008 também será um ano de crescimento e prosperidade para nosso país, há ainda grande incerteza sobre a evolução da conjuntura econômica. Começamos o ano com a crise nos EUA e com o anúncio do aumento dos impostos brasileiros, principalmente sobre a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que interfere diretamente no financiamento de caminhões e implementos rodoviários. Para um mercado que tem cerca de 70 por cento de sua comercialização por meio de financiamentos, uma grande diferença.
  Vale lembrar que o setor de transportes é responsável por 6,5% do PIB e pela geração de mais de três milhões de empregos diretos no Brasil, sendo uma das mais importantes atividades econômicas para o país.
  E também vale ressaltar que as vendas em 2007 foram tão representativas que chegaram a causar fila de espera. Isso quer dizer que abrimos 2008 com produção garantida. Terminamos 2007 com 90 mil unidades produzidas e temos a expectativa de 120 mil em 2008.
  Só o setor de implementos rodoviários (reboques, semi-reboques e carroçarias sobre chassis) superou todas as expectativas em 2007. Ao longo do ano, os empresários da área comercializaram no mercado interno e externo 110.126 implementos das linhas leve e pesada, contra 86.113 unidades comercializadas em 2006. Esse resultado representou um crescimento da ordem de 29% em relação a 2006.
  Mesmo com os números favoráveis, ainda precisamos de mais investimentos no setor para que haja a continuidade do crescimento espetacular de 2007. O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê investimentos de até R$ 33 bilhões para a recuperação da infra-estrutura de transportes e, para 2008, o Governo Federal anunciou a aplicação de R$ 9 bilhões para esta área. Estes anúncios já acalmam os empresários do setor, que vêem a conjuntura econômica de 2008 com possibilidades de grandes avanços.
  Há a necessidade de mais incentivos e investimentos no setor para que 2008 fique marcado como um ano de crescimento ainda maior do que 2007.
  Nós, empresários do setor, fazemos votos e nos esforçamos para que o desempenho favorável da economia brasileira em 2007 e o crescimento da indústria brasileira de caminhões, que aumentou mais de 30% no ano passado, propague-se e até se supere neste ano.

Heraldo Pastre é diretor-superintendente da Pastre, empresa paranaense de implementos rodoviários.

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