ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Ailton Siécola Moreira 
Em recente edição do jornal O Estado de São Paulo, um magnata mexicano, dono do banco Azteca, declara que vai começar a operar no Brasil, pois ele considera que ter banco no Brasil, é o melhor negócio que existe, devido às altíssimas taxas de juros cobradas pelo sistema financeiro.
Não existe em todo o mundo, nada que se aproxime das taxas e tarifas cobradas pelos bancos que atuam no Brasil.
O que não dá para entender, é que como um país que, segundo dados do governo, que está com a inflação controlada desde a implantação do Plano Real, e já se vão 13 anos, tem as taxas de juros mais altas do mundo.
O magnata mexicano está coberto de razão, sem dúvida. Basta dar uma olhada nos balanços dos dois maiores bancos do País, Itaú e Bradesco, e admirar os extraordinários lucros auferidos por estas duas casas bancárias no ano de 2007.
As taxas de juros representaram 40% e as tarifas cobradas pelos serviços corresponderam a 30% do lucro daqueles bancos.
As financeiras, extensão dos grandes bancos, estas então, são disparadamente as que cobram as mais altas taxas de juros e as mais altas taxas de serviços. Nos cartões de crédito, então nem se fala. Girar uma dívida no cartão, é um suicídio financeiro.
O governo, maior tomador de dinheiro no mercado para girar o seu movimento - inclusive para pagar os preciozíssimos cartões corporativos o mais novo escândalo dentre tantos outros - paga anualmente bilhões de reais de juros!
Os brasileiros vivem hoje sob a ditadura dos bancos, com a complacência, indiferença e cumplicidade daqueles que deveriam disciplinar o mercado de dinheiro - o presidente da República e as autoridades da área financeira!
Nos Estados Unidos, país onde estão as sedes dos maiores bancos do mundo, para incentivar a sua economia, desde setembro de 2007, baixou suas taxas de juros, de 5,25% para 3% ao ano! E ainda reduziram os impostos em até 1% do PIB, que corresponde a cerca de 165 bilhões de dólares.
Isto significa mais dinheiro na mão de quem produz e de quem consome, o que possibilitará a sua recuperação a curto prazo. E na economia tupiniquim? Ao contrário, congelaram a taxa básica de juros, aumentaram ainda mais os impostos, tudo para reforçar o caixa do governo e compensar o fim da CPMF.
Mas o que mais me admira, é a passividade da sociedade brasileira frente a este assalto cometido pelos bancos. Os brasileiros precisam reagir energicamente frente a esta verdadeira ditadura dos bancos. Porque numa economia capitalista, não pode haver uma via de uma mão só, é preciso que os bancos atuem como instrumento de desenvolvimento do País, financiando o setor produtivo e o setor de consumo, dentro de regras claras, e sobretudo, justas.
Ailton S. Moreira (comerciante) - Rolândia


