ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Walmor Macarini 
O poeta hindu Rabindranath Tagore, que era antes de tudo um sábio, disse que aquele que não chegou a entender seu parentesco com a natureza viverá numa prisão sombria, de espessos muros. E que só quando passar a ver o espírito eterno em todas as coisas é que descobrirá o significado total do Universo.
É do sábio consenso que tudo está em tudo, que o homem interage em todas as coisas do Céu e da Terra e que tudo é interdependente. O homem e todos os seres e coisas que povoam o Cosmo formam uma unicidade indissolúvel e integram todo o conjunto. Sendo uma individualidade, cada ser está em comunhão com todo o absoluto. Quando se diz que o eu deve figurar, para cada um, sempre em primeiro lugar, não significa uma postura egoísta mas o sentido de que, cuidando primeiro de si, o homem faz a totalidade melhor. Este o postulado da sabedoria de que o mundo (falamos de nossa morada terrena temporária, embora a abrangência seja universal) torna-se melhor quando cada um de nós se melhora.
Eu vi cascatas de energia descendo do espaço exterior, nas quais as partículas eram criadas e desfeitas em pulsações rítmicas; eu vi os átomos dos elementos e vi os átomos do meu corpo participando dessa dança cósmica; eu senti o seu ritmo e ouvi seu som. Foi Fritjof Capra, físico teórico e escritor austríaco, quem vivenciou isto, envolvido no bailar desse imenso campo de conexão e sincronicidade.
Mudar paradigmas é fundamental para o homem entender-se inserido em tudo o que gira e se movimenta no cenário cósmico. Ele não está à parte do processo; ele é o processo, porque interagindo nessa engrenagem universal aparentemente misteriosa mas que não difere da natureza que o cerca.. Porque aqui é parte do mistério. Imaginar que estamos sós nessa imensidão do Universo e não crer que somos superdimensionais é um olhar vesgo, mas os horizontes vão se abrindo e cada vez mais a visão vai se expandindo, porque os olhos internos da sensibilidade acabarão por descortinar a realidade.
Quando o homem se conscientizar de seu poder transcendente e perceber que pode interagir em todas as coisas, físicas e supra-físicas, abandonará a concentração de suas energias apenas na luta pela sobrevivência terrena. Pés no chão com a cabeça nas estrelas é um ideal escrito até nos almanaques e encerra a verdade sábia de que enquanto ser carnal e vivendo nessa tridimensão, o homem não pode ignorar essa condição e deixar de melhorar-se e dar sua contribuição para melhorar o mundo. Mas não pode obscurecer sua consciência de que é um ser divino e que seu destino final é o retorno ao ponto da origem primeira. Ou, a volta ao berço de Deus, o Céu de que se fala. Que não é um lugar mas um estado de plenitude de luz.
Há que mudar paradigmas, como de quem dá uma guinada para fora da estrada costumeira e entra num atalho e ali vislumbra essa outra realidade, que é a primordial: a de que nos encontramos no grande campo da consciência universal e que não somos seres insignificantes, mas de grande dimensão. Isto nos tornará libertos e todas as atribulações dissiparão. Afinal, esta é a resposta ao enigma da vida, que atribula a maioria das pessoas.
Diferente do intelectualismo, da religiosidade metódica que não permite aberturas paralelas e do acúmulo de conhecimentos e habilidades, a paz da humanidade repousará na evolução da espiritualidade e da sabedoria. Que guindará o homem a um estágio de consciência mais expandida e o fará entender a razão essencial da vida e porque se encontra, no momento, nesta missão terrena.
Mudar paradigmas
é fundamental parao homem saber-se
inserido em tudo
o que gira no
cenário cósmico
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA Correio eletrônico: [email protected]
- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].


