ESPAÇO ABERTO
Os custos absurdos do Congresso
Fernando Klein Nunes
Recebemos recentemente mais uma triste - e vergonhosa - notícia sobre nossos parlamentares. A organização Transparência Brasil fez um levantamento e concluiu que, em 2007, o Congresso Nacional teve o segundo maior orçamento, comparando com países desenvolvidos como Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, México e Portugal.
O orçamento brasileiro de incríveis R$ 6 bilhões só é superado pelo dos EUA,
e corresponde ao triplo da verba anual da Assembléia Nacional francesa.
De acordo com o estudo, cada parlamentar brasileiro - na Câmara e no Senado - gasta, absurdamente, R$ 11.545,04 por minuto.
O mandato de cada um dos 513 deputados federais custa R$ 6,6 milhões por ano. No Senado, onde até bem pouco tempo reinava Renan Calheiros, o mandato de cada um de seus 81 integrantes custa quase cinco vezes mais: R$ 33,1 milhões por ano. Da comparação entre os países resulta que, levando-se em conta os seus diferentes níveis de riqueza, tanto em termos da renda per capita quanto do nível do salário mínimo o Brasil é onde Congresso mais onera o cidadão.
A média do custo por parlamentar dos legislativos europeus, mais o Canadá, é de cerca de R$ 2,4 milhões por ano. No Brasil, são R$ 10 milhões. Imaginando-se que o Congresso Nacional mantivesse o mesmo orçamento que tem hoje, mas distribuído por uma quantidade de parlamentares tal que o custo de cada mandato fosse compatível com o europeu, a instituição teria 2.556 integrantes!
Os números desse levantamento assustam, revoltam, agridem a população brasileira que trabalha e paga impostos. Nós, empresários dos transportes, assim como todo o empresariado, industriais e prestadores de serviços de outros setores produtivos da economia brasileira, não vivemos sob tal lógica absurda de gastança desregrada.
O estudo da Transparência Brasil é um tapa no rosto de cada brasileiro trabalhador. É um alerta importante e necessário. O que faremos para mudar tal situação? Temos o poder do voto. É preciso consciência e atenção redobradas a cada vez que formos às urnas. É preciso ainda a mobilização da sociedade organizada na realização de reformas que coíbam tais excessos e tragam de volta a moralidade pública, pois afinal de contas, essa gastança pode até ser legal, mas é imoral.
FERNANDO KLEIN NUNES é presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga no Paraná (Setcepar) em Curitiba
Dr. Rosinha, que vexame!
Benedita M. Araujo
Deveria mostrar
sua justa indignação
contra a sujeira dos
mensalões, cartões
coorperativos e
enriquecimento ilícito
Sinto muito, Dr. Rosinha, meu amigo de fé, meu irmão, camarada, mas o senhor pisou mesmo na bola! Que história é esta de ficar escandalizado com bundinhas (Opinião, 5/2), diga-se de passagem, gloriosas bundas de mulheres belas como deusas?
Aliás, particularmente eu sempre concordei com este pensamento : Mulher bonita nunca está nua porque sempre está vestida de beleza!
Do alto de sua posição de político - considerado sério e acima de qualquer suspeita - eu ouso dizer-lhe que, como médico, o senhor poderia dispor do seu precioso tempo, e valioso espaço na FOLHA, para nos esclarecer melhor. Digo a nós, seus eleitores leigos, sobre a veracidade contestada por eminintes cientistas, de chamar de abortiva a pílula do dia seguinte . Também se existem mesmo cientistas que fazem pesquisas quase clandestinas com as células-tronco porque estão convictos que esta pesquisa virá a curar muitas doenças num futuro próximo.
Eu, sinceramente, acho que o senhor pisou no tomate! Como político experiente, deveria nos brindar com uma justa indignação contra a sujeira na política: mensalões, uso indevido dos cartões corporativos, enriquecimento ilícito, etc.
Além disso, existem outros assuntos importantíssimos, não é? Por exemplo: como o senhor se posiciona diante do fato de que a Igreja se auto-intitula guardiã da moral e dos bons costumes e nunca, jamais, acusou um padre pedófilo. O máximo que se permitiu foi transferir o acusado de paróquia, o que, possivelmente, o faria cometer o mesmo crime com o novo rebanho.
Mas o senhor, meu amigo e camarada, preferiu escrever diatribes contra as indefesas bundinhas, hein?
Para concluir eu lanço mão de um ditado popular: ah este povão brasileiro, sempre irreverente mas sempre com muita propriedade quanto diz: vá catar coquinho!
Benedita M. Araujo (professora) - Londrina





