ESPAÇO ABERTO
Será que somos mesmo responsáveis?
Denise Queiroz Segantin
Está sendo veiculado na TV uma propaganda que diz que nós somos responsáveis pelo país que temos. É claro que concordaria se a referida responsabilidade não fosse pelos políticos e seus respectivos governos. A propaganda passa a mensagem de que nós somos os únicos responsáveis em melhorar o Brasil através do voto. Diz que temos que ficar de olho nos políticos por que eles são nós no poder.
Entretanto, resta questionar como eu posso me sentir responsável com tanta irresponsabilidade e desdém para com os eleitores? Por diversos motivos eu não posso e nem me sinto responsável: primeiro porque apesar de vivermos num país democrático, somos obrigados a votar; segundo porque não há, sem generalizar, opção honesta de candidatos; terceiro porque sabemos que, apesar de tanto empenho do Ministério Público e de alguns eleitores, tudo no Brasil acaba em pizza. São irônicos, caras-de-pau, e persistentes por continuar nessa vida fácil que é a política em nosso país.
Ser responsável segundo a mensagem da propaganda, é ser conivente com o mensalão do governo Lula, com os dólares na cueca, com a moda que pegou entre empresários de comprar legisladores para facilitarem ou aprovarem leis que os beneficiem, pelo fim da CPMF, mas o aumento do IOF!! São tantos exemplos, tantas
vergonhas e nenhuma opção que vale
a pena. Então, será que somos mesmo responsáveis?
Pensando bem, há sim eleitores responsáveis. São aqueles que aceitam agrados em troca de votos, aqueles que se conformam com a situação e perdoam imperdoáveis erros dos políticos dizendo ele rouba mas faz, e sem esquecer dos já citados empresários que pagam para que sejam aprovadas leis em seu favor.
Mas eu não! Não posso assumir tamanho encargo por ter esperança de um dia ter orgulho do trabalho de um político em quem eu tenha votado. Definitivamente, eu não assumo essa responsabilidade!
DENISE QUEIROZ SEGANTIN é advogada em Curitiba (41) 9633-0995 (cel)/3218-3000 (com) [email protected]
Porque o Corinthians é necessário
Walmor Macarini
Se a mulher brigona com o marido o perde, passa a sentir essa falta, porque ele era o seu pára-raio onde descarregar todas as intemperanças. O mesmo se dá em sentido inverso. Quando a pessoa agressiva não tem a quem agredir, sente-mal. Por isso, sem mesmo o perceber, ela nunca deseja que os desafetos deixem de contrariá-la. Com o fim dos contrários, muitos não conseguem viver.
Assim é com relação ao Corinthians, o clube que tem 100% de torcedores: 20 a favor e 80% contra. Isto faz do Timão a mais importante instituição. É o oxigênio de partidários e contrários.
Ninguém é indiferente. Porque um são-paulino é são-paulino contra o Corinthians; um palmeirense é palmeirense contra o Corinthians. Ninguém é são-paulino contra o Palmeiras nem palmeirense contra o São Paulo. A não ser em dia de confronto entre eles. O que é na capital paulista é em todo o Brasil com relação à nação corinthiana, mais que um povo uma religião.
Por isso o Corinthians não pode morrer. E também não pode ser campeão sempre. Só de vez em quando. Porque, para um corintiano, ser corintiano já é um perene estado de vitória. Se o Corinthians desaparecer, os torcedores de todos os times rivais entrarão em depressão; e os corintianos serão como a viúva fiel que não se liga mais em homem algum.
A existência do Corinthians faz um grande bem, rebaixado ou não, situando-se em último lugar ou campeão. Não à toa é intitulado o campeão dos campeões, eternamente nos corações de todos. A um corintiano não dá para não ser corintiano, e a um anti-corintiano não dá para não ser anti-corintiano. Sem o Corintians, o futebol brasileiro seria como a mulher amada, que machuca o coração mas não dá para viver sem ela. Então, salve o Corintians!
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





