ESPAÇO ABERTO
Guerra urbana: é possível sobreviver?
Lair Ribeiro
A década de 70, lembrada por muitos como tempo de ''paz e amor'', no qual os hippies e o movimento tropicalista responderam por um cenário de grande efervescência cultural, foi também um período marcado por ações violentas contra as manifestações de direitos humanos. Ações que, como se sabe, eram decorrentes dos regimes ditatoriais e militares que, então, tomavam conta de países latino-americanos e se caracterizavam pela constante infração dos códigos mais básicos dos direitos humanos e da conduta civilizada, como censura, tortura e exílio.
Hoje, a violência está em todo lugar. É cada vez mais comum conhecermos pessoas que já sofreram algum tipo de violência ou nós mesmos sermos vítimas dela. Pauta constante nos noticiários de todo o País, a violência embalou toda uma geração, que cresceu sob a vigência do medo e da insegurança, fruto da violência indiscriminada a que estamos expostos. Pavor dentro e fora de casa, na rua, no trabalho, no lazer... A qualquer momento, você pode se tornar a próxima vítima...
E quanto mais violenta a sociedade, mais se fala na prevenção. Livros, jornais, revistas, programas de tevê mostram especialistas em segurança ensinando como sobreviver a essa verdadeira ''guerra urbana''. Todavia, esses ''meios'' tão divulgados de prevenção são, em grande parte, de caráter pessoal. Necessários, sim, mas nunca substitutos de medidas públicas de combate à violência que nos assola.
A preocupação com a violência afeta a qualidade de vida. Doenças como estresse, depressão, ansiedade e síndrome do pânico estão cada vez mais associadas ao aumento da violência nos grandes centros urbanos. Movimentos sociais, ONGs e campanhas públicas incentivam a prática da gentileza, da solidariedade, do respeito e da igualdade. Gestos simples, que não resolvem o problema da violência, mas que vão sedimentando nas pessoas um sentimento de boa-vontade em relação ao próximo.
Aumentar a segurança, colocando mais policiamento nas ruas, por exemplo, é fundamental. Mas isso deve vir acompanhado de uma retomada de valores essenciais. As melhores formas de prevenção são o combate ao desemprego e a melhoria na educação; portanto, urge abordar a questão da violência urbana não apenas como um caso de polícia, mas, principalmente, como um fator social. Só há um problema: se os setores competentes da máquina estatal para decisões dessa natureza se demorarem muito a decidir, os valores da cultura da violência irão se arraigar a tal ponto que será impossível revertê-los.
LAIR RIBEIRO é médico cardiologista e palestrante internacional (webpage: www.lairribeiro.com.br)
Rolândia pede socorro
Devaldo GiliniI Junior
Diante das reportagens publicadas pela Folha de Londrina na edição do último domingo, dia 3, não poderia deixar de me manifestar. Afinal, nasci e resido em Rolândia há 44 anos.
De uns 3 anos para cá, notei muitas mudanças. Os números divulgados pelo jornalista Marco Feltrin são assustadores e nos levam a fazer uma reflexão, principalmente agora que nos preparamos para entrar no período da Quaresma, tempo de conversão e mudança de vida em vista da festa da Ressurreição.
A Campanha da Fraternidade de 2008 (CF-2008), cujo tema é ''Fraternidade e defesa da vida'', com o lema ''Escolhe, pois, a vida (Dt 30,19)'', vem em hora certa, assim como todas as ações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A CF-2008 não discute somente as ameaças do aborto, da eutanásia, da eugenia, seleção de sexo, células-troncos, mas também as ameaças da pobreza, da violência, do sofrimento. Esses assuntos não estão somente afetando as capitais, as grandes cidades, as ameaças estão se espalhando para todos os lugares.
Rolândia, por exemplo, não é mais a cidade tranquila e pacata da época dos nossos pais, dos nossos avós. Vivemos um momento de incerteza onde a união de toda a sociedade é muito importante.
Precisamos que, principalmente, as autoridades e a população mais esclarecida resolvam agir de verdade, não somente através das palavras, mas de gestos concretos.
Como já defendi várias vezes neste mesmo espaço democrático da Folha de Londrina, é necessário unir a ação da polícia, no combate às drogas, ao crime, à violência, com atitudes do poder público. Somente a força policial não é suficiente para se modificar uma sociedade. E as ações precisam ser rápidas porque os números, da maneira como estamos vivendo, só tendem a aumentar cada vez mais.
É hora de cobrar. O que vão fazer o Governo do Estado, a Prefeitura, a Câmara de Vereadores, os Clubes de Serviço, as Associações de Bairros, os Conselhos Municipais, as Igrejas, as Organizações Não-Governamentais (Ongs), enfim, a Sociedade Rolandense. É hora de unirmos forças se quisermos evitar que a nossa cidade se transforme em um ''gueto'' onde uns têm medo dos outros e ninguém consegue viver em paz.
Vamos propor idéias e ações que sejam viáveis e executáveis em curto prazo, como a abertura das escolas públicas nos finais de semana, com atividades de lazer, educação, cultura, esportes. A solução do problema é para ontem, não dá mais para esperarmos sentados que nossas famílias sejam engolidas pela violência. Rolândia pede socorro, e somente quem vive na cidade é capaz de salvá-la.
*DEVALDO GILINI JÚNIOR é da Equipe de Editores da Folha de Londrina*
Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].





