Sou gordo e muito feliz
Devaldo Gilini Júnior


Estou cansado desta história de que é preciso ser magro, fazer exercícios, evitar o sal e o açúcar, comer menos, fugir da gordura como o diabo da cruz. Tenho mais de 100 kg há muitos anos, e sou feliz assim. Por que devo me render à ''ditadura da magreza''?
Todos os dias é a mesma coisa. Você liga a televisão e só se vêem produtos para emagrecer, ficar mais bonito, conseguir o corpo que você deseja, tudo em apenas 7 dias. Um milagre! Nas revistas, nos jornais, e até no rádio, também abundam (com o perdão da palavra, que deve causar arrepios nos adeptos da filosofia ''pele, músculo e osso'', não necessariamente nessa ordem) ''notícias'' sobre a importância de ser magro e saudável. Por que não pode ser ''gordo e saudável''?
A maior chatice que tem é quando você chega em algum lugar e logo vem a frase: ''Nossa! Como você engordou!'', ou: ''Nossa! Como você conseguiu emagrecer?''. Será que não é possível somente dizer: ''Bom dia, como vai você?''. Parece que a única preocupação de todos, hoje em dia, é com o peso alheio.
Como jornalista há mais de 20 anos, sempre fico desconfiado quando as notícias se repetem, batendo sempre na mesma tecla. Quem está por trás desta ''indústria da magreza''? Muitos laboratórios estão ganhando fortunas, médicos também. Têm ainda as lojas de produtos naturais, diets, lights e por aí afora. São bilhões de dólares no mundo todo. Tudo para vender uma imagem de que só é saudável quem é magro.
Além disso, provocam muita confusão na cabeça das pessoas, principalmente dos mais jovens. Por isso que os consultórios andam cheios de gente com problema, fazendo análises e tomando remédios fortíssimos. Ou então enterrando a cara no álcool e nas drogas.
Acho que o principal nesta história toda - não sou nenhum especialista - seria uma campanha para acabar com o sedentarismo. Não importa se é gordo, magro, mais ou menos. Quem não faz exercícios regularmente, mesmo que seja uma caminhada, tem mais propensão de ficar doente, mesmo que seja magrinho.
Tem muita gente considerada gorda que é saudável, pratica esportes, faz caminhadas, natação, ciclismo. O único ''problema'' é que gosta de comer, adora um churrasco, uma lasanha, um pãozinho com manteiga, macarronada, doces e por aí vai. Por que não podemos mais saborear aquilo que gostamos sem que ninguém fique olhando com ar de reprovação, parecendo que estamos cometendo um crime?
Em tempo de Rei Momo, Carnaval e folia: abaixo a ''ditadura da magreza''!
DEVALDO GILINI JÚNIOR é da equipe de Editores da FOLHA DE LONDRINA

Ensino técnico: motivos para comemorar
Moisés Pedro Betoni


A disseminação dos cursos técnicos profissionais pelos colégios públicos do Paraná tornou-se política de governo - e essa é uma notícia auspiciosa para nós, da Fundação do Ensino Técnico de Londrina (Funtel), que há 40 anos defendemos o ensino técnico, oferecendo cursos reconhecidos por sua qualidade, no Colégio Ipolon/Funtel.
Desde 2005, quando um decreto federal possibilitou a inclusão do ensino técnico no nível médio (através do ensino integrado: cursos de quatro anos que dão diploma de técnico e do 2º Grau), o Paraná abraçou o modelo, presente já em mais de 100 escolas. É o Estado líder nesse processo.
Assim, os colégios estaduais começam a fazer aquilo que o Colégio Ipolon/Funtel vinha fazendo até o fim da década passada, quando o Ministério da Educação proibiu a concomitância do técnico e do 2º Grau no mesmo curso. O ensino técnico tornou-se então pós-médio - e o Ipolon, fiel à sua vocação, teve que aderir. Mas desde o ano passado, com a vigência do decreto com o qual, na prática, o governo federal reconheceu o erro da decisão anterior, também temos ensino integrado.
Nos países desenvolvidos, há muito a ênfase do ensino médio está no ensino técnico profissional. Não é por acaso. Ao procurar emprego, quem tem vaga o ano inteiro é o técnico. Com a economia globalizada e constante evolução da tecnologia, mais e mais atividades exigem a presença de técnicos. A concorrência é acirrada, e a qualidade dos produtos depende de mão-de-obra qualificada.
Muito antes do cenário econômico ter esse contorno, a comunidade londrinense já sabia da importância da formação de técnicos para o progresso da cidade e região - e criava, em 1968, a Funtel, que é uma fundação municipal mantenedora do Colégio Ipolon. De lá para cá, aperfeiçoamos nossos métodos, investimos na atualização dos equipamentos usados no ensino (o que é essencial no ensino técnico) e, com orgulho, podemos informar: todos os técnicos que formamos - em Eletrônica Industrial, Eletroeletrônica Industrial e Informática Industrial - têm saído empregados do Colégio Ipolon/Funtel.
Torcemos para que as escolas do Paraná formem muitos técnicos no ensino médio. O Estado precisa deles. E que eles possam ajudar a mostrar o valor do ensino técnico - nossa causa há 40 anos.
MOISÉS PEDRO BETONI é diretor-superintendente da Fundação do Ensino Técnico de Londrina (Funtel)

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