ESPAÇO ABERTO
Câmara: escândalo e oportunidade
Rubens Benedito Augusto
O escândalo envolvendo cinco vereadores de Londrina, apontados pelo Ministério Público como participantes de um grupo que achacava principalmente empresários, exige do londrinense muito mais do que simples indignação. É preciso unir duas posturas distintas. A primeira é fazer uma análise responsável da questão; precisamos não ceder ao impulso de colocar toda a Câmara num caldeirão onde há um só caldo.
A outra postura é a de atuarmos como cidadãos e participar, da melhor maneira possível, da apuração e desdobramentos das acusações. O que foi levantado pelos promotores é gravíssimo. Ao invés de receberem da comunidade as solicitações (e analisá-las levando em conta os interesses da sociedade e rechaçando qualquer tentativa de benefício particular do autor do pedido), os vereadores estariam transformando as solicitações em um meio de ganhar dinheiro. Isso significa vender projetos. Não podemos também cometer o erro de deixar para lá, de optar pelo distanciamento. Porque se o esquema identificado pela Promotoria Pública for exatamente como o divulgado, nossa indiferença pode fazer com que a cidade seja regida por leis vendidas, apresentadas por vereadores que não se importam se tais leis interessam à comunidade londrinense.
É preciso condenar também a figura do corruptor, aquele que busca a Câmara já com a disposição de oferecer dinheiro em troca do atendimento de algum interesse imediato. Essa é uma prática deplorável, que depõe contra a sociedade como um todo. Cabe à sociedade eliminar esse tipo de prática e cabe à Câmara fechar suas portas para essas pessoas. Independente da investigação dos promotores e das determinações da Justiça, a Câmara tem também uma obrigação tácita com a comunidade: mostrar que não admite a existência de um esquema como esse e a presença de vereadores comprovadamente envolvidos com as irregularidades. Já o Ministério Público é a peça-chave nessa crise do Legislativo. O trabalho dos promotores, junto com a Polícia, materializou um tipo de crime que dificilmente gera provas. É por esses fatores que consideramos o escândalo da cobrança de propina na Câmara, embora sendo motivo de tristeza e vergonha, um fato que pode ser comemorado. Não pelo crime, mas pelo fato de ele ter sido colocado às claras. O primeiro passo para tratar uma enfermidade é ter um diagnóstico concreto, comprovado. A partir daí fica mais fácil tratar a doença, seja apenas com medicamentos, seja através de uma cirurgia para extirpá-la. Londrina precisa de uma Câmara sadia.
RUBENS BENEDITO AUGUSTO é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil)
Corrupção política
Inácio Gomes da Silva
A corrupção política é uma realidade oposta aos sonhos e anseios do brasileiro. Ao analisarmos a conjuntura política, nos deparamos com tantos casos nunca antes vistos na história deste País que os veículos de comunicação trazem à tona mostrando o lado ruim da administração brasileira.
Em nossa política os interesses individuais sobrepõem-se aos interesses coletivos, o bem comum é substituído pelo bem privado e os vícios e mazelas tão antigos das instituições e da cultura política, como o clientelismo, corrupção, patrimonialismo, lobby, entre outros, continuam imperando. E o que ocorre? Não há punição. Apesar de tudo, nosso ordenamento jurídico possui meios eficazes para coagir tais atos e preveni-los. É preciso, apenas, vontade política. Visto que, atualmente, o Brasil passou a ser o país dos artifícios e dos mega-esquemas que se desenrolam ao longo dos governos.
Sabemos que política nada mais é que um jogo de interesses. Infelizmente, pela falha humana. Defende melhor seu interesse quem trabalha melhor com essa variante, e as pessoas honestas tendem a perder nesse campo. Do ponto de vista técnico, a corrupção nada mais é que o reflexo direto de nossa mentalidade, ou seja, do jeitinho, da malandragem. Isso não significa que somos todos corruptos, mas uma grande maioria contribui para isso. Afinal, damos dinheiro para o guarda aliviar nossa barra, compramos DVDs e CDs piratas no camelô, somos coniventes com as extorsões de vereadores que cobram propinas para agilizar projetos e beneficiar empresários, etc.
Enquanto tivermos essa mentalidade e isso continuar sendo passado de geração em geração, torna-se difícil mudar alguma coisa neste país. O dinheiro desviado pela corrupção deveria ser empregado para o bem-estar social daqueles que através do voto elegeram seus representantes, os quais, pela falta de ética, honestidade e responsabilidade tornaram-se tão egoístas que não conseguem ver nada além de seus próprios umbigos. O que esperamos é que através do processo de cassação de mandatos e uma melhor consciência política, a corrupção possa diminuir e, enfim, daqui a algumas décadas possamos nos orgulhar de vivermos em um país menos corrupto.
INÁCIO GOMES DA SILVA é estudante de Direito na PUC-PR, campus Londrina





