Planos de saúde e novas coberturas
Alessandra Abate
  No último dia 21 de novembro foi firmado acordo entre as operadoras de planos de saúde, representantes do setor e a Agência Nacional de Saúde (ANS) no sentido de que a partir do primeiro semestre de 2008, os beneficiários de planos de saúde terão direito a realizar procedimentos de laqueadura de trompas, vasectomia e colocação de DIU. As inclusões nos novos procedimentos de planejamento familiar valem apenas para os ‘‘novos planos’’, ou seja, aqueles contratados a partir de janeiro de 1999, após a regulamentação do setor. Ainda assim, os planos ambulatoriais não cobrirão a laqueadura e a vasectomia e os planos hospitalares não cobrirão a colocação do DIU. Só poderão passar pelas cirurgias de laqueadura ou vasectomia homens ou mulheres com mais de 25 anos e que tenham dois filhos vivos.
  Qual o impacto financeiro desse acordo, seja para os segurados, seja para a própria operadora? Em algumas matérias veiculadas pela imprensa logo após o fechamento do acordo, o diretor-presidente da ANS, Fausto Pereira dos Santos, afirmou que as operadoras não estariam autorizadas a fazer reajustes nas tarifas em função da inclusão desses procedimentos. Afirmou que a resolução que será publicada pela Agência para validar a inclusão não virá acompanhada de reajustes.
  De qualquer forma, no momento do reajuste anual previsto pelo Ministério da Saúde, as operadoras poderão pleitear o aumento da tarifa mediante a comprovação do aumento da procura pelos beneficiários para a realização desses procedimentos. Sem dúvida, a inclusão da cobertura nos planos de saúde dos procedimentos de laqueadura das trompas, vasectomia e colocação do DIU impactará financeiramente o setor e influirá nos preços dos planos. Ainda assim, a prática da medicina de planejamento poderá suavizar o alto custo financeiro das operadoras com outros procedimentos como, por exemplo, o tratamento de pacientes que se submetem a abortos clandestinos. Vale mencionar também que, apesar da cobertura desses procedimentos também atender às necessidades dos segurados com relação ao planejamento familiar, a pessoa deve estar certa da decisão a ser tomada, deve conversar com o médico - que deverá orientá-lo da melhor forma possível - e com o parceiro para, então, escolher o método definitivo.
ALESSANDRA ABATE é advogada em São Paulo


A lógica sem ética
Nélio Roberto dos Reis
  Nicolau Copérnico, ao escrever ‘‘De Revolutionnibus’’, sugeriu que o Sol é o centro do universo, arrumando briga séria com a Igreja que não admitia que o centro não fosse a Terra. Galileu Galilei sofreu a inquisição porque fundamentou matematicamente a teoria de Copérnico. Richard Owen em 1842 identificou os primeiros ossos de dinossauros e foi contrariado pelo clero que dizia que esses ossos pertenciam a uma espécie em mutação. Charles Darwin ao descrever a origem das espécies, mostrou que a evolução é o reflexo da luta pela sobrevivência, foi execrado. John Shutt em 1905 diz que uma rocha tem dois milhões de anos e contraria o livro do Gênese que sugere a criação do universo em seis mil anos. Ainda, o pastor vice-chanceler da Universidade de Cambridge, dr. John Lightfoot, determinou que Adão foi criado no dia 23 de outubro de 4004 A.C. embora amigos, neste ano, Julio César ainda não tinha criado o calendário (outubro).
  Apesar desta briga, mostrando o apedeutismo de ‘‘alguns’’, Deus continua sólido, firme e forte, indiferente à mediocridade. Platão na história da caverna, conta que um homem escapou, viu a luz, voltou para contar e foi morto pelos outros porque tais coisas não poderiam existir. Ao contrário do que deveria ser, as denominações religiosas modernas ao invés de mostrarem a luz, podam aqueles que a viram. Mesmo depois do maior cientista Albert Einsten dizer por inúmeras vezes que a igreja sem a ciência se torna cega.
  Religiosos trazem Deus para uma mediocridade sem limites, dão a Ele dimensões humanas. Como alguém que pede para Abrãao matar um filho, e minutos diz: ‘‘Não precisa matar mais, mudei de idéia’’. Alguém que permite uma briga física entre Jacó e um anjo. Anjo briga? Alguém com ares de juiz, que chega à ira e até lhe atribuem a criação do demônio. Por quê? Um ser tão medíocre com necessidade de criar o diabo não seria nem de longe Deus algum. Quem criou o demônio foi o homem e daí ele passou a existir. O ultimo Jesuíta que falou isso, hoje com 80 anos, recebeu um castigo de dirigir uma Kombi por 10 anos. A Igreja carece de pastores que não faltaram às aulas de Filosofia, pois até Jesus afirmou que o mais importante sempre foi aceitar a existência de Deus e amar o próximo como a ti mesmo e que tudo mais era resto. Mas o mundo está repleto de denominações cheias da verdade absoluta. Como já foi dito por um grande sábio que em um grupo ‘‘toda unanimidade é burra’’ e ‘‘que só os profetas enxergam o óbvio’’. Pena que Marx e Brecht cretinizaram várias gerações de cientistas, professores e filósofos, pois o mundo poderia ter sido outro.
NÉLIO ROBERTO DOS REIS é professor universitário em Londrina


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