ESPAÇO ABERTO
A lei do caminho mais curto
Airton Nozawa
Em Londrina muitos hábitos continuam como se estivéssemos naquela pequena cidade da década de 50. Naquele tempo as vontades e vaidades particulares de alguns cidadãos acabavam interferindo com mais intensidade no exercício do poder público. Hoje Londrina tem 500 mil habitantes e não pode manter este tipo de comportamento. A sua infra-estrutura urbana deve ser planejada de acordo com normas técnicas e de segurança, independentemente de pressões individuais ou de grupos que sempre buscam facilidades.
Estas interferências tornam-se mais visíveis em vias de trânsito de grande fluxo de veículos e palco de atos de violência. Alguns casos: cruzamento da PR-445 com a Avenida Madre Leônia. Sob o viaduto existente, há opções de conversões para todos os lados. Muitas delas poderiam ser eliminadas com a continuidade do tráfego e retornos. Acesso a um supermercado da Madre Leônia: por que não seguir em frente 250 metros e realizar o retorno na rotatória já existente? Acesso a outro supermercado da Tiradentes: por que não construir um retorno no entroncamento já existente com a BR-369 a 150 metros?
As obras do novo acesso viário à Rodoviária pela Rua Potiguares serão iniciadas em breve. É uma ótima solução, mas a alteração do tráfego em frente ao acesso principal parece ser o uso do pernicioso recurso do caminho mais curto. Por pressão dos motoristas de táxis e outros que não gostam de contornar a Rodoviária para sair dela, será executado um meio para se fazer o retorno logo na entrada. Com isto, um curto trecho das vias ficará bem mais congestionado e os pedestres terão mais dificuldades de acesso. E mais: uma obra que fazem questão de lembrar a assinatura de Niemeyer (mesmo não sendo por ele reconhecida) terá em sua frente um desenho viário de uma rodoviariazinha. Os acessos viários e para pedestres no entorno das grandes obras devem também ter a mesma grandeza. Abandonemos a lei do caminho mais curto, projetando o sistema viário dentro das normas, mudando a cultura dos motoristas, deixando de lado a pressão de grupos, em benefício da segurança e do planejamento viário para as grandes cidades. Londrina é uma grande cidade e seus administradores também precisam ter a mesma grandeza.
AIRTON NOZAWA é engenheiro civil e professor na Universidade Estadual de Londrina
O Brasil não precisa da CPMF
Adalberto Brandalize
Esta história de que a CPMF era um imposto justo não passa de mais uma enganação do Governo Lula. A CPMF era só mais um imposto e fim. Se houvesse boa vontade do presidente Lula e seus companheiros, poderiam começar a eliminar as centenas de mordomias bancadas com nosso dinheiro.
Alguns exemplos: o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT- SP), acaba de abrir uma licitação para contratar serviços de engraxataria no prédio, num total de R$ 3.135 milhões por 12 meses o que dá R$ 261 mil por mês ou ainda R$ 8.700 mil por dia. O valor diário equivale à alimentação de 174 famílias num mês, pelas normas do falido Fome Zero. Às custas da iniciativa privada: são mais de 3.500 pares de sapatos engraxados diariamente. Pode? O Governo Lula tem ainda recorde de gasto com cartões corporativos. No ano passado, R$ 75 milhões foram pagos pelos tais cartões - 129% a mais do que em 2006. Em 2007, o governo federal mais que dobrou suas despesas com cartões corporativos segundo a Controladoria-Geral da União (CGU). O desempenho do mais importante programa social do Executivo não chegou nem perto disso: a expansão dos investimentos do Bolsa-Família ano passado foi de 14,6%. Nos últimos anos, o aumento dos gastos com cartão é crescente. Comparada a 2004, a despesa é 4,3 vezes maior. Agora, o Brasil pretende investir quase US$ 1 bilhão em Cuba. Os financiamentos vão para a construção de rodovias, empreendimentos hoteleiros, produção de medicamentos e vacinas. Enquanto isso, continuamos pagando pedágio e andando por péssimas estradas, faltam vacinas e pagamos caro por medicamentos.
Bastaria começar a ser sério e ético e o governo não precisaria da CPMF. Era só cortar gastos como estes. Alguém acha justo pagar mais IOF e outros impostos para fazerem isso com nosso dinheiro? O Brasil não precisa de impostos, mas de melhores governantes e políticos.
ADALBERTO BRANDALIZE é consultor e executivo em Londrina
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