A violência desnecessária

Servio Borges da Silva
  Quando votamos errado em um mau político estamos praticando uma violência contra nós mesmos, contra a sociedade e contra o futuro de nossa pátria. Nos revoltamos quando vemos acidentes bárbaros de trânsito com mortes desnecessárias, quando assistimos aos assaltos, roubos, assassinatos de pessoas inocentes e todo o tipo de violência praticado dentro do contexto social. Nos revoltamos, quando acompanhamos enterros de pessoas inocentes barbaramente assassinadas por marginais que tanto atormentam e violentam nossa comunidade. Essa justa revolta tem fundamento e deve ser aproveitada para o bem de todos. Não temos o direito de esquecer dessas vítimas inocentes.
  Contudo, devemos meditar naquilo que estamos vivendo e ver que esse tempo é feito por nós. Quando tomamos uma atitude impensada, como votar em um mau político, estamos contribuindo para assaltos, roubos e assassinatos por balas perdidas ou não, porém assassinatos a sangue frio. Tudo isso não é somente o fruto das drogas já disseminadas ou dos pais irresponsáveis que deixam os filhos escapar pelos dedos, propositadamente, sem chamar-lhes a atenção para os inúmeros perigos existentes nos desvãos da vida. Há muito o que fazer pela sociedade, porém uma parte de tudo isso depende de cada um de nós e de nossas atitudes como cidadãos.
  Há muito desemprego, muitos jovens procurando trabalho tentando obter uma oportunidade que lhes permita, pelo menos, a sobrevivência. É preciso que a pressão popular, conforme já proclamou um cientista político na FOLHA DE LONDRINA, continue para fazer os responsáveis cumprirem as metas e as prioridades da sociedade. É preciso votar bem em pessoas honestas. O orçamento de Londrina é muito bom e permite uma administração séria, honesta e competente. Não vamos esquecer da corrupção e dos corruptos. Agora que o Brasil descobriu esse grande mal, podemos continuar exigindo as mudanças necessárias. Vamos acabar com a violência do mensalão, dos doláres na cueca, da pensão alimentícia que o lobista paga para o filho do senador e acabar com todos os escândalos da administração pública. Afinal, esse é ou não é um país sério?
SERVIO BORGES DA SILVA é advogado em Londrina


Mentir é poder

Carlos Eduardo Bobroff da Rocha
  À beira do caos, os homens encontram tempo para mentir. Uma explicação para este comportamento é que aqueles que detêm influência têm dificuldades em ceder, em assumir um diálogo voltado para a cooperação e não para a manipulação. Nos últimos meses, a questão da mentira esteve presente. Os guerrilheiros das FARC não cumpriram com os acordos de troca de reféns; o presidente Lula aumentou impostos para compensar a perda de outro; o governo de Teerã tem adotado discurso vago e hostil com relação a seu programa nuclear. São exemplos que têm duas coisas em comum: os líderes são influentes em sua esfera regional, e apesar do risco de conseqüências negativas para ambos (fim das negociações com as FARC, atuação dos opositores no Governo Lula e sanções cada vez mais sufocantes ao Irã), continuam com tal atitude sem medir os resultados negativos que possam afetar outras regiões que estão indiretamente envolvidas.
  Diz-se que ‘‘o exemplo vem de cima’’ e, ao se constatar que líderes ajam desta maneira, poderia pensar-se que isto incentivaria outros líderes e suas populações a agir semelhantemente. E com relação ao fato de regiões serem afetadas indiretamente, reside no risco de suas economias serem afetadas, revoltas internas eclodirem, novas intervenções de outros países vierem a ocorrer. Em um mundo globalizado, uma leve brisa em um local pode se tornar um furacão em outros locais. Cita-se que a mentira pode ser algo positivo, caso seja utilizada para fins nobres. O que os líderes citados, assim como outros representantes do poder, buscam de fato? Salvar várias pessoas é algo nobre, mas será que por trás deste discurso não se esconde algo? Algo como o preço que suas populações, e também que outras de outras nações, pagarão? Os fins justificam os meios, mas que ideologia global estamos criando neste começo de século XXI? Estaríamos regredindo ou avançando? E os próprios líderes sabem para onde se avança visto que seus discursos costumam ser otimistas? Atitudes nobres para com a maioria são bem-vindas, mas deixar de esclarecer os cidadãos com relação aos deveres que deverão assumir para isso é algo que falta: uma comunicação entre os líderes mundiais, assim como em relação a seus povos.
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA é estudante de Medicina na Universidade Estadual de Londrina

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