Parábolas: aprendizado eficaz e divertido
Lair Ribeiro

Enquanto a tecnologia avança, técnicos na área da educação estudam alternativas para potencializar o sistema educacional, tornando-o ao mesmo tempo prazeroso e eficiente. Quase todos acreditam que se deve apenas acrescentar novas tecnologias ao sistema atual. Mas o novo não é a única alternativa para o aprendizado. Um olhar mais atento ao passado pode render boas e produtivas idéias. Quer um exemplo? - Jesus Cristo! Vamos falar de Jesus como educador e comunicador, pois há dois mil anos, munido apenas de sua comunicação pessoal, esse homem conseguiu transmitir suas idéias e doutrina a milhares de pessoas e fez com que se mantivessem vivas até os nossos dias.
Quando começou sua pregação, então com 30 anos, Jesus precisava de um meio eficaz para transmitir a sua mensagem; um meio de comunicação que pudesse ser compreendido igualmente por todos. Atento ao que acontecia em seu tempo, ele apropriou-se de um sistema de ensino que já era utilizado nas sinagogas: o aprendizado por meio de parábolas.
E foi por meio de parábolas que Jesus transmitiu seus ensinamentos. Inspirando-se em imagens do cotidiano das pessoas às quais se dirigia, ele criava histórias enigmáticas, que, por um lado, induziam à reflexão e, por outro, passavam despercebidas por aqueles que não estavam preparados para decifrá-las, pois esperavam um discurso direto e objetivo. Jesus conseguia, de forma singela e, ao mesmo tempo, bem elaborada, transmitir suas idéias sobre o desenvolvimento do caráter e suas orientações sobre como deveria ser a conduta da vida no âmbito familiar e social. De forma sutil e inteligente, ele também fazia críticas ao sistema político e social de seu tempo. Em vez de falar abertamente e provocar alvoroço momentâneo, ele preferiu levar as pessoas a refletir e a tirar suas próprias conclusões.
Quando é preciso atingir pessoas de diferentes níveis sociais, culturais e econômicos, por exemplo, o uso de parábolas é uma alternativa bem eficaz. Por sua linguagem simples, narrativa curta e quase sempre com elementos comuns ao cotidiano das pessoas, elas conseguem captar rapidamente a atenção de quem as estiver escutando ou lendo.
Parábolas remetem à idéia de um aprendizado contínuo e eficiente, pois a cada nova leitura, novas interpretações e ensinamentos podem surgir. Além disso, são essencialmente facilitadoras da transmissão de conhecimento, pois é muito fácil repassá-las a outras pessoas. Parábolas são estruturas vivas de conhecimento.
LAIR RIBEIRO é médico cardiologista e palestrante internacional em São Paulo (www.lairribeiro.com.br)


Imposto sindical
Paulo César Regis de Souza


  Entre os muitos desacertos do Senado, em 2007, um deles foi a manutenção do chamado imposto sindical compulsório - equivale a um dia de trabalho do assalariado - criado para manter e financiar as superestruturas do sindicalismo, nascido no berço do nazi-fascismo europeu e no Estado Novo, no Brasil, entre as décadas de 30 e 40. Sindicalismo, diga-se de passagem, de trabalhadores e empregadores. Para as gerações atuais, o Estado Novo foi uma espécie de PAC do trabalhador.
  O fim do imposto foi interpretado pela burocracia sindical, centrais, confederações, federações e sindicatos, especialmente dos trabalhadores, como o fim deles mesmos.
  Nunca houve, não há e dificilmente haverá qualquer transparência sobre as aplicações. Não há auditoria interna e externa, independente, para fiscalizar.
  Cada nação, onde os sindicatos exercem suas atividades corporativas, tem legislação específica. Os mercados, muito mais que os sindicatos, pressionaram pela modernização e civilização das relações trabalhistas e sociais entre o trabalho e o capital.
  É fato que as empresas multinacionais contribuíram para que uma parte do sindicalismo tivesse uma visão modernizada de seu papel na sociedade contemporânea. Mas isto, só uma parte.
  O correto é que houvesse contribuição voluntária, transparência, controle e auditoria.
  No outro extremo da representação e da representatividade dos servidores estão as entidades representativas.
  Mais antigas que os sindicatos, as entidades representativas são cada vez mais poderosas. Descendentes das corporações se estruturaram com base em seus fins específicos e têm financiamento na contribuição voluntária de cada associado para sua manutenção.
  A sobrevivência e a longevidade de tais entidades se assentam fundamentalmente na sua capacidade de saber intermediar as relações entre seus representados e os grupos de decisão. Funcionam como grupos legítimos de pressão, algo mais construtivo no jogo democrático.
PAULO CÉSAR RÉGIS DE SOUZA é presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência Social e da Seguridade Social (Anasps)

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