Não-violência versus violência
Francisca Vergínio Soares
  Janeiro é o mês que se comemora o dia da não-violência, o que ocorre no dia 30. Esta data, propositalmente escolhida, coincide com a morte de Mahatma Gandhi em 1948, no dia 30, líder indiano fundador do movimento de não-violência, assassinado aos 78 anos. Quando orava com 500 pessoas, Gandhi recebeu vários tiros disparados por Nathuran Vinayak Godse, um hindu fanático que nunca aceitou os sentimentos fraternos de Gandhi para com os muçulmanos. Suas últimas palavras foram: He Rama! (Oh, meu Deus!).
  Pode-se dizer que no século 21, Gandhi tornou-se referência como líder e defensor da não-violência. Ao contrário do que muitos pensam, a não-violência à primeira vista, não se reduz a uma passividade letárgica e entregue, que não esboça nenhuma reação ou iniciativa. Todavia, é um movimento de pura atividade e segundo as próprias palavras de Gandhi: ‘‘O que quer que façam conosco, não iremos atacar ninguém nem matar ninguém; estou pedindo que vocês lutem, que lutem contra o ódio deles (do governo inglês), não para provocá-los. Nós não vamos desferir socos, mas tolerá-los, e através do nosso sofrimento faremos com que vejam suas próprias injustiças e isso irá feri-los, como todas as lutas ferem, mas não podemos perder, não podemos... Eles poderão torturar meu corpo, quebrar meus ossos, até me matar, então terão meu corpo inerte, mas não a minha obediência’’.
  O indivíduo não-violento está longe, portanto, de ser um alienado passivo. É um revolucionário movido pela paixão da verdade e do amor. Vinte séculos antes de Gandhi ter nascido, outro homem, Jesus Cristo, já havia disseminado na Galiléia, os princípios da não-violência. Suas palavras diziam: ‘‘Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: olho por olho e dente por dente. Eu, porém, digo-vos que não resistais ao mal; mas se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra’’. Portanto, antes de Gandhi, Jesus de Nazaré não se afastou um centímetro daquilo que sentia ser a vontade de Deus para sua vida e sua missão. Foi de encontro ao conflito que acabaria por matá-lo e a isso ele reagiu pacificamente, enfrentando os que desejavam sua submissão aos valores tradicionais e opressores dos que detinham o poder naquela época.
  Enfim, como refluir o cenário de violência que tomou conta das relações humanas? A continuar assim, então não nos sobrará alternativa a não ser apelarmos para a ética da convicção de Jesus de Nazaré e posteriormente a de Ghandi, e oferecermos ao autor da violência a nossa outra face.
FRANCISCA VERGINIO SOARES é socióloga, coordenadora e pesquisadora do Observatório Social Londrinense de Estudos da Violência (www.obsocil.com.br) e docente da Uninorte


Febre amarela em Londrina
Nélio Roberto dos Reis
  Pasmem! No final do século 19 e no início do 20, uma epidemia de febre amarela matou 30% da população da cidade de Campinas. Como uma das espécies de mosquito que transmitem a dengue, é o ‘‘Aedes aegypti’’, o mesmo que transmite a febre amarela, qualquer cidade como Londrina, onde tem dengue, pode vir a ter (ainda não tem) a doença. Casos sérios de febre amarela urbana remontam à década de 40, principalmente no Acre. Agora, a febre amarela silvestre (nas matas e capoeiras) tem surtos localizados, anualmente, em 3.600 municípios do Brasil, principalmente em Boa Vista, Roraima e Mato Grosso. Portanto, quem for viajar para estas áreas providencie a vacina. É importante saber que existem focos menores, porém reais, da forma silvestre no Maranhão, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
  A doença não é transmitida de pessoa para pessoa. A infecção geralmente acontece quando um mosquito picou na mata um macaco infectado (grande portador do vírus) e, posteriormente, o homem. Na cidade, pode acontecer de um homem estar infectado e não saber, aí o homem faz o papel do macaco. Os sintomas demoram cerca de cinco dias e são horríveis, parecidíssimos com os da dengue: cansaço, febre, dor de cabeça e dores musculares. Na Amazônia, já vi sintomas mais graves, detectados por médicos, tais como: diarréia, hemorragia, convulsões, degeneração aguda do fígado e insuficiência renal. A mortalidade entre doentes deste vírus, na maioria dos casos, é de 5%, mas em epidemias de novas estirpes de vírus pode chegar a 50%, portanto altíssima.
  É preciso lembrar que a febre amarela, fez Cristóvão Colombo se assustar após descobrir a América, por ver inúmeras mortes causadas por esta doença. Também fez Napoleão Bonaparte desistir da América do Norte, ao ver seus soldados dizimados e, ainda, adiou a construção do Canal do Panamá para os tempos da vacina e melhores técnicas de controle ao mosquito. Portanto não a desprezem. As formas de se evitar a febre amarela em cidades são as mesmas da dengue. Não ajude na propagação do mosquito. Atitudes como substituir a água dos vasos, utilizar água tratada com cloro, desobstruir calhas, não deixar pneus no quintal, tapar caixas de água entre outros - ajudam e muito. A vacina é a melhor solução.
NÉLIO ROBERTO DOS REIS é doutor em ciências pelo INPA e professor na Universidade Estadual de Londrina

mockup