ESPAÇO ABERTO
Erguendo a bandeira errada
Belmiro Valverde Jobim Castor
O estranho conúbio entre as multinacionais dos pneus, a burocracia do Ministério do Meio Ambiente e as bênçãos de parte dos ambientalistas está conseguindo destruir a BS Colway. Quanto às multinacionais, nada a estranhar: defendem seus mercados. Sobre a burocracia ambiental, idem. A área está infestada de crenças manipuladas para justificar medidas verdes. O estranho é que ambientalistas respeitáveis sejam porta-bandeiras ao substituírem análises por palavras de ordem e slogans politicamente corretos.
A história de que a importação de pneus usados transformaria o Brasil na lata de lixo do mundo tem tom de slogan. Primeiro porque considerar importação de sucata para reciclagem como importação de lixo é tolice. Lixo e sucata são coisas diferentes. O primeiro não tem utilização e acumula-se na natureza. Sucata é matéria-prima reutilizável e sua reciclagem, desejável. Em 2005 os Estados Unidos reciclaram 76 milhões de t de ferro e aço. Fazer aço com sucata consome menos recursos naturais do que escavar minas a céu aberto. É necessário pouco conhecimento científico para entender que produzir alumínio assim é menos agressivo do que o obter a partir da bauxita e da alumina, o que exige muita energia. Quanto à borracha: gastam-se sete galões de óleo cru para produzir um pneu novo. Como 60% da borracha usada no mundo é derivada do petróleo, recurso não-renovável, o mercado de pneus usados para reciclagem atinge mais de 80% dos pneus produzidos nos EUA.
Que resta do argumento ecológico que está destruindo a BS? A convicção de que existem mais coisas entre o céu e o inferno do que suspeita a nossa vã filosofia. Francisco Simeão e Luiz Bonacin são punidos por afrontar as multinacionais, que dominam o mercado amparadas pelo protecionismo estatal. Pior: vão-se os programas sociais da dupla: o Bom Aluno, que substitui a pedagogia do coitadinho por oportunidades sociais; a Vila da Cidadania, em que milhares de crianças compreendem o que é uma sociedade democrática; o Grupo Escoteiro Guardião das Águas, que traz 1.200 jovens para o convívio social e os aproxima da natureza. Soberba e ingenuidade demais dos dois. Bem feito: estão recebendo o que mereciam, colhendo o que plantaram. Na próxima encarnação não se metem a besta.
BELMIRO VALVERDE JOBIM CASTOR é professor de doutorado em Administração da PUC-PR em Curitiba
Mocinhas semeando árvores
Walmor Macarini
Tenho escrito que enquanto houver pessoas distribuindo mudas de árvores - frutíferas ou ornamentais - ou plantando-as, o mundo está salvo. Há os que as molestam e as destroem e há os que as acariciam e as cultivam. Acredito e constato que hoje há mais gente praticando boas ações do que más, por isso - pelo grande número de benfeitores e vigilantes - confio que não haverá aquecimento global na intensidade que se vaticina, nem o descuido a ponto de haver crise de água potável e de o mundo se tornar insustentável. Porque no momento oportuno os homens que conspiram contra a insensatez humana e as maldades - falo dos conspiradores aquarianos - se erguerão e salvarão a Terra.
Nas minhas caminhadas das tardes pelo Lago Igapó (aos de fora informo que é em Londrina) passo e vejo mocinhas do World Green distribuindo mudas de plantas, que são cultivadas no viveiro municipal e acompanhadas de etiquetas ensinando como plantá-las. Recentemente também a Prefeitura andou plantando árvores e flores naquela região à margem do lago, para contrastar um pouco com os eucaliptos, que estão ali desde muitos anos e, se sugam a água do solo e não abrigam ninhos de passarinhos e nem parasitas, são excelentes purificadores do ar. É gratificante assistir ao espetáculo da natureza e a essas pessoas que, mesmo às vezes a serviço de empresas e instituições, insistem na bendita teimosia de melhorar o ambiente e consertar como podem os estragos que outros causam.
Em outro tempo deparei-me com um homem que, munido de uma pequena picareta, plantava mudas no mesmo local, e detive-me para saudá-lo. E depois, uma senhora distribuía mudinhas de flores e pedia às pessoas que poderiam plantá-las ali mesmo. Algumas dessas plantinhas desenvolveram-se, outras morreram por causa da seca. Mas o ideal permaneceu e deve ter germinado na mente de muitos passantes - uns interessados, outros indiferentes.
Acreditem, existem muitas e muitas pessoas que enxergam as árvores da cidade, mesmo na atribulação do corre-corre e em meio aos arranha-céus e aos veículos; existem as que cultivam pomares e jardins; existem as que disponibilizam vasilhames com comida e água para os passarinhos de rua, destes que comem de tudo e não são catalogados por pedigree; existem as que driblam as formigas no chão (como fazia Francisco de Assis) para não pisoteá-las.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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