Sercomtel: crescer ou crescer

Mário Jorge de O. Tavares
  É inegável a importância da Sercomtel para Londrina e região. É geradora de benefícios, de dois mil empregos diretos e indiretos e é a operadora que mais investe frente ao seu faturamento em ações sociais.
  Contudo, com a abertura das telecomunicações, a convergência tecnológica e econômica gerou transformações e alternativas de comunicação, exigindo tratamento mais adequado para a Sercomtel. Portugal é um exemplo interessante: ao abrir seu mercado de telecomunicações, o governo decidiu que a Portugal Telecom teria de expandir fronteiras, estando presente, inclusive no Brasil com 50% do capital da Vivo.
  O momento requer decisões corajosas, pró-ativas e defensáveis no futuro em quaisquer instâncias para garantir não só a sobrevivência como a potencialização de tão importantes ativos e competências.
  Algumas alternativas que emergem vão desde a venda de 11% das ações ordinárias da Prefeitura para assinantes, funcionários e empresários (a Prefeitura passaria a ter 44% das ações e a Copel 45%), até a Prefeitura vender 6% das ações à Copel (que passaria a ter 51%).
  Com tal injeção de recursos e sinergia, a Sercomtel (irmanada à Copel), poderia expandir suas fronteiras no Paraná (que possui 399 municípios boa parte, cobertos pela malha de fibra óptica), começando pela região 43 (que possui 95 municípios além dos de Londrina e Tamarana) e tornar-se competitiva, com ganho de escala e competência. Impedimentos legais e regulatórios poderão ser contornados com criativa remodelagem organizacional, adequado plano de negócios e acordo de acionistas.
  Em resumo, a capacidade ociosa e os ativos da Copel Telecomunicações poderiam ser mais bem aproveitados, gerando benefícios para o Paraná. A Sercomtel tem proficiência de telecomunicações no varejo e em ambiente competitivo e, a Copel, no transporte por atacado. Só resta à Sercomtel crescer ou... crescer.
MÁRIO JORGE DE OLIVEIRA TAVARES é consultor, especialista em Administração e Telecomunicações e autor do livro ‘‘Sercomtel - Marca de Pioneirismo (2003)’’


Olhando as estrelas

Gaudêncio Torquato
  Ao entrar na página de 2008, é inevitável constatar: o Brasil não apenas sobreviveu à avalanche de escândalos que, ao longo dos últimos meses, corroeram a imagem de políticos e instituições, como exibe vigor econômico, propiciando um pouco mais de conforto a milhões de brasileiros de classes sociais mais baixas e resultados positivos para setores produtivos. Compreende-se, assim, a exacerbação retórica do presidente Lula, para quem 2008 será ‘‘infinitamente melhor’’.
  Deixando de lado o advérbio, que soa exagerado nos anais do auto-elogio, é razoável apostar na consolidação dos eixos macro-econômicos, que funcionam de maneira eficaz, até porque são guiados pelo piloto automático. Sob a configuração herdada dos antecessores, aprimorada e praticamente intocável, mesmo sob a pressão de defensores de um programa desenvolvimentista arrojado, criaram-se condições para o país resistir a eventuais abalos gerados pela conjuntura internacional, a partir da anunciada crise americana. Garantido um cinto menos apertado e, por conseqüência, a provisão de bens e a satisfação do estômago, resta saber se a cabeça política da Nação acompanhará em 2008 o previsível bem-estar do corpo.
  É aqui que a coisa pega. Nosso sistema político caminha léguas atrás do sistema econômico. A imagem do trem entra na paisagem. A locomotiva econômica, de porte moderno, puxa um conjunto de compartimentos políticos, velhos e enferrujados. Eis a imagem acabada do país que desponta como potência emergente, não pela qualidade de sua democracia, mas em função das condições do território e de seu potencial empreendedor, capazes de torná-lo exportador privilegiado de matérias-primas e gigantesco parque manufatureiro.
  No fechamento da agenda política, poderíamos estar comemorando os avanços das reformas. Mais uma vez, elas foram para as calendas. A azáfama interna praticamente tomou conta da Casa. Ou seja, o Legislativo conferiu especial atenção a denúncias que atingiram parlamentares. Ademais, a instituição praticamente se curvou às pautas encaminhadas pelo Executivo. O sentimento de inoperância e desconexão com a realidade só não chegou ao ponto máximo em função da reação do Senado, ao decidir contra a prorrogação da CPMF.
  O Judiciário foi o mais eficiente em 2007. Deu respostas satisfatórias à sociedade, desencalhando casos, tomando decisões, mostrando a cara e deixando de ser um poder enclausurado. Mostrou-se muito humano, até por conta de desavenças, tornadas públicas, entre seus pares. A celeridade da Justiça pode vir de exemplos de cima. Como se pode aduzir, há motivos para crer em um amanhã mais radiante.
GAUDÊNCIO TORQUATO é jornalista, professor titular da USP e consultor político em São Paulo

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