ESPAÇO ABERTO
Mulheres versus violência
Lair Ribeiro
A violência contra a mulher, o tipo mais generalizado de abuso dos direitos humanos, afeta a qualidade de vida e a saúde física e mental das mulheres e é o tipo de violência menos reconhecido pela sociedade. Em todo o planeta, uma em cada três mulheres já foi espancada, coagida ao sexo ou sofreu alguma forma de abuso durante a vida. Esse dado alarmante, baseado em recentes pesquisas da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, da Universidade Johns Hopkins e publicado pela Bibliomed Inc. no site www.boasaude.uol.com.br, dá conta de que, na maioria dos casos, o agressor é um membro da própria família ou conhecido da vítima. Muitas culturas dão ao homem o direito de controlar o comportamento de sua mulher e de puni-la, caso conteste esse direito.
De acordo com o Artigo 1 da Declaração para Eliminação da Violência Contra as Mulheres adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1993, a violência contra a mulher inclui: espancamento conjugal, abuso sexual de meninas, violência relacionada a questões de dotes, estupro, inclusive o estupro conjugal, e outras práticas tradicionais prejudiciais à mulher, tais como a mutilação genital feminina, além da violência não-conjugal, do assédio e da intimidação sexual no trabalho e na escola, do tráfico de mulheres, da prostituição forçada e da violência perpetrada ou tolerada por certos governos, como é o caso do estupro em situações de guerra e o infanticídio feminino.
Estudos revelam que em cerca de 50 pesquisas populacionais do mundo inteiro, de 10% a 50% das mulheres relatam que, em algum momento de suas vidas, foram espancadas ou maltratadas fisicamente de alguma forma por seus parceiros íntimos. Guerreiras, essas mulheres utilizam-se de verdadeiras estratégias para se manterem vivas e protegerem seus filhos. Algumas fogem, poucas denunciam, muitas resistem. Poucas chamam a polícia e, em geral, continuam em um relacionamento abusivo por medo de represálias e de perda de suporte financeiro e de apoio da família e de amigos, além de preocupação com os filhos, dependência emocional e a eterna esperança de que, um dia, ''ele mude''.
A violência aumenta o risco, a longo prazo, de que a mulher tenha outros problemas de saúde, incluindo dores crônicas, incapacidade física, abuso de drogas e álcool, e depressão. Grupos de defesa dos direitos humanos vêm procurando alternativas para chamar a atenção da população e das autoridades para esse grave problema social. O que é preciso é promover o engajamento da mulher na sociedade de forma igualitária. Quando isso acontecer, a violência contra ela passará a ser vista como uma aberração inaceitável.
LAIR RIBEIRO é médico cardiologista e palestrante internacional em São Paulo (www.lairribeiro.com.br)
Diversidade dentro do espaço escolar
Ione Benetoli
A Constituição brasileira tem como um de seus princípios a igualdade de direitos para todos os cidadãos. Todos merecem tratamento igualitário, inclusive aqueles que são considerados diferentes por terem necessidades especiais. Estas pessoas têm seus direitos assegurados pela legislação. Na prática, a maior parte delas não consegue se inserir na sociedade como indivíduo produtivo, mesmo tendo um potencial a ser desenvolvido.
Se na sociedade as barreiras são reais e muitas vezes intransponíveis, como a diversidade é tratada no espaço escolar? A nova tendência da educação vai em direção à inclusão, quer seja esta necessária para alunos evadidos da escola, com baixo rendimento escolar ou ainda com necessidades especiais. No que diz respeito ao último tipo de inclusão, o desafio é muito maior a ser enfrentado pelos educadores, pois estes não possuem a formação necessária para atender a tais educandos de forma eficaz para que sejam capazes de desenvolver seu potencial.
Apesar das dificuldades serem palpáveis e causarem desconforto aos educadores, torna-se necessário desenvolver formas para que a inclusão seja legítima, verdadeira e não um ''faz-de-conta'' que culmina no oposto do que se pretende, ou seja, na exclusão de alunos especiais ou na supervalorização destes em detrimento dos chamados ''normais''.
A inclusão é um direito, mas há que se realizar capacitação para todos os docentes para que saibam lidar pedagogicamente com estas diferenças dentro da sala de aula, saibam promover a interação entre todos os alunos. Em cada unidade escolar deveria ter um especialista que trabalhasse com os alunos portadores de necessidades especiais aquilo que não é possível ser trabalhado em conjunto com a turma toda. Este especialista garantiria o elo a ser construído para que o educando consiga alcançar os objetivos possíveis dentro de seu desenvolvimento, de seu ritmo e de suas limitações. O material para atender cada necessidade específica também é imprescindível para que a inclusão possa acontecer de fato. Além disso, a comunicação entre o especialista, os pais e os professores é outro fator preponderante que pode definir o sucesso ou não desta empreitada.
Não se pode fechar os olhos diante da emergência da inclusão no espaço escolar, mas ser realista e reconhecer as limitações que o sistema educacional possui pode ser o primeiro passo para o desenvolvimento de projetos de inclusão que dêem resultado significativo.
IONE BENETOLI é pedagoga e professora de Literatura e Língua Portuguesa e Inglesa em Arapongas





