ESPAÇO ABERTO
Meditar faz bem
Dom Orlando Brandes
Meditar é parar, silenciar, ouvir, refletir. Está comprovado que a meditação tem um poder pacificador e terapêutico sobre nossas vidas, porque esta experiência nos coloca num nível profundo e criativo de nossa mente humana. Sofrimentos e infelicidades podem ser evitados pela meditação. Por outro lado, o conhecimento de si, o encontro mais profundo com a verdade, a descoberta de soluções, a iluminação interior, são alguns dos frutos da meditação.
Meditar não é fácil, porque vivemos no mundo do vídeo, do barulho, da dissipação, das aparências. Meditar é um ato de coragem para quem vive uma existência light, uma vida desorientada e um entorpecimento mental. Quatros são os obstáculos à meditação: a dispersão mental, o sono, a preguiça mental, o medo de si e da verdade que gera agitação e inquietude. Neutralizando estes obstáculos, conseguiremos alcançar a introspecção, ou seja, uma viagem para dentro de nós. Talvez a viagem mais importante de nossa vida. Com a introspecção conseguiremos a conscientização que nos conduz à transformação da mente e do coração. Esta autocompreensão é força de mudança. Pela meditação chegamos à iluminação que nos faz perceber os enganos, os equívocos, as falhas da visão que temos da realidade.
A meditação abre os olhos do coração e as portas da esperança porque nos liberta de enganos, confusões, sofrimentos e infelicidades. Ela nos purifica dos poluentes mentais e emocionais. Descobrimos que o sofrimento, em boa parte está dentro de nós, que somos algozes de nós mesmos. Temos verdadeiros inimigos dentro de nós. Eles precisam ser derrotados. A erradicação dos apegos, das emoções e pensamentos negativos, das falsas percepções, é o caminho da alegria, da paz, da felicidade. Estas transformações acontecem graças à meditação.
É ainda pela sabedoria da meditação que descobrimos o valor do altruísmo, da compaixão, da solidariedade. Isso nos faz sentir uma força interior, força de expansão, de inspiração, de alegria e de realização. A meditação vai nos esvaziando dos desejos, ambições, apegos, invejas, mágoas e produzindo a mudança da mente e do coração. Meditar é saber parar para silenciar. Tudo isso requer disciplina, tempo, lugar adequado. Depois que adquirimos o hábito da meditação, mesmo em lugares barulhentos conseguiremos orar, entrar dentro de nós mesmos. Quem quer começar a prática libertadora da meditação, comece por comer menor, andar mais, ler sobre o assunto, conversar com orientadores espirituais, aumentar o tempo da oração, ter profunda confiança e entrega filial ao Pai. A meditação é o caminho que nos revela o rosto do Pai e os nossos rostos de filhos e filhas amados.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
Abusos regulamentares
Julieta Arsênio
Em Curitiba está sendo utilizado em teste um semáforo que, além das luzes, possui uma tela luminosa que transmite mensagens. Em princípio tais mensagens são transmitidas tão-somente quando o semáforo se encontra fechado para o motorista provavelmente com a finalidade de chamar a atenção apenas quando o veículo estiver inerte em obediência ao sinal.
Comenta-se que essas mensagens também possuem um caráter educativo e institucional. Curitiba também inovou o sistema semafórico criado por um maringaense, hoje implantado em várias cidades brasileiras. Comparado com o semáforo tradicional, ele é muito mais expressivo na interação dos usuários de trânsito. No entanto, as autoridades ao implantarem essas inovações em caráter experimental acabam se esquecendo dos mesmos e sua utilização se perpetua.
A Convenção Viária de Viena, que promulgou a Convenção sobre o Trânsito Viário Brasileiro, em seu rigor legislativo se contrapõe a esses procedimentos abusivos. A Portaria 56/2001 do Denatran refere-se a uma autorização especial de trânsito, em caráter experimental, ao equipamento denominado Semáforo Gradativo JDJ com a finalidade de auxiliar a sinalização de trânsito. Essa autorização baseou-se, entre outros, na inexistência de controvérsias de natureza técnica em relação ao equipamento. Tal autorização foi concedida por 90 dias.
Cito apenas esses dois exemplos justamente por acreditar na importância das inovações tecnológicas. Porém, preocupa-me a forma com que as autoridades de trânsito abraçam tais inovações, desrespeitando normas procedimentais para realmente serem implantadas. No caso específico do novo semáforo que transmite mensagens, essa nova criatividade, ainda não-regulamentada e por isso em caráter experimental, não é clara quanto à sua distinção: ou seja se a mensagem será aplicável em uma das cores semafóricas ou em todas. Seja no verde ou no vermelho a atenção deve estar voltada para o dispositivo, pois mesmo estando parado em obediência ao semáforo, não devemos nos esquecer que o condutor está em trânsito, colocando-o em risco sua segurança.
Antes que abusem desse dispositivo experimental em nosso trânsito, onde as autoridades poderão na sua criatividade conceder o painel de transmissão de mensagem para propaganda comercial, lembramos que se esse dispositivo for aprovado poderá transmitir apenas mensagens relacionadas à sinalização: quando estiver verde: siga; vermelho: pare; e no amarelo: atenção. Vamos cuidar do nosso trânsito, antes que ele toma conta da gente.
JULIETA ARSÊNIO é psicóloga especialista em comportamento de trânsito em Londrina
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