As organizações e as pessoas
Cláudio Silva
  Vivemos em uma era de constantes transformações em todas as áreas do conhecimento. No mundo dos negócios, grandes grupos organizacionais anunciam fusões tornando-se maiores e mais competitivos, novos competidores surgem todos os dias, equipamentos até então modernos tornam-se obsoletos quase que da noite para o dia. Portanto, para não sofrer perda de mercado, de conhecimento, atraso tecnológico, perder mão-de-obra especializada, desmotivar o quadro em qualquer ramo de negócio é preciso reinventar-se a todo instante.
  É um grande desafio para os administradores, que se perguntam, como dotar as organizações da capacidade de se reinventar e manter-se ou tornar-se competitivas? A resposta está em como é elaborado e executado o planejamento. É preciso buscar um equilíbrio entre os interesses e valores que intervêm no planejamento, ou seja, qual é o interesse do dono? Dos fornecedores? Dos clientes? Dos empregados? Do governo? Quais os valores de cada um desses atores? O que as organizações devem fazer para atender tais necessidades? Qualidade, atendimento, prazos, lucro, bons salários, benefícios.
  O foco das nossas atenções deve ser no aspecto humano, nas pessoas de que dispõem as organizações, pois sem elas não há como manter um negócio em funcionamento, muito menos reinventá-lo.
  Nesse aspecto cabe à gestão de pessoas uma atuação mais estratégica, devendo esta, ter como principal missão, dotar a organização de ferramentas de orientação aos profissionais, e ser configurada para atender tanto os objetivos organizacionais quanto os pessoais, pois se por um lado as organizações buscam a liderança ou aumento de mercado, ou melhoria da sua produtividade, da lucratividade, as pessoas buscam, valorização, reconhecimento, remuneração justa e um bom clima para trabalhar.
  Assim, gestão de pessoas deve ter como premissa básica o desenvolvimento das pessoas para que a organização aumente seu nível de competitividade. Sempre pautada na idéia que valorização, motivação, elevação do nível de qualificação e comprometimento do pessoal com as atividades. São ferramentas para o alcance de níveis mais altos de qualidade e produtividade que, por sua vez, propiciam o aumento de competitividade organizacional.
  A busca do equilíbrio no planejamento e do compromisso com a transformação precisa partir dos responsáveis pelas estratégias e resultados da organização: os administradores. Sem isso, tudo vira um faz-de-conta e não há como gerar confiança e credibilidade, nem para dentro e muito menos para fora.
CLÁUDIO SILVA é administrador, gestor de pessoas e docente de Administração na Faculdade Uninorte em Londrina


Desafios à frente para os biocombustíveis
Mauricio Sampaio
  A cana-de-açúcar é realmente um fenômeno. Apesar de ocupar apenas 2% das terras aráveis do País, encerrou 2007 como o terceiro item em termos de valor bruto da produção agropecuária. O setor sucroalcooleiro se posiciona em terceiro lugar nas exportações da agricultura brasileira, ficando atrás apenas dos complexos soja e carnes, que utilizam área muito superior à cana.
  O horizonte é seguramente muito promissor para o Brasil. A Única (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) estima que serão construídas 86 plantas industriais até 2012, com investimentos da ordem de US$ 17 bilhões, além da geração de milhares de novos empregos no campo. Em que pese essa euforia de investimentos é bastante preocupante o descompasso entre a oferta e a demanda. O aumento da produção, sem a respectiva resposta do consumo, gera pressões sobre os preços e a rentabilidade. Tal situação também renova a exigência de ações concretas para promover o consumo linear de produtos derivados da cana-de-açúcar.
  O País conta com cerca de 4 milhões de carros flex. É imperioso que os proprietários desta frota sejam estimulados a consumir álcool hidratado em seus veículos. Os produtores de cana-de-açúcar também devem se antecipar às novas exigências da redução da queima de cana, adotando ações de sustentabilidade ambiental e estabelecendo metas para a eliminação dessa prática o mais rápido possível. É preciso, ainda, promover campanhas junto aos governos estaduais para que, a exemplo do Estado de São Paulo, pratiquem alíquotas de ICMS reduzidas para o etanol. Minas Gerais e Goiás têm recebido grandes investimentos no segmento sem que haja a merecida contrapartida em termos de renúncia fiscal.
  Outro aspecto importante diz respeito à liderança mundial que o País deve assumir em relação aos biocombustíveis. O Brasil, como principal player, deve estabelecer estratégias internacionais para consolidar este mercado. É necessário lutar contra o elevado protecionismo nos mercados de açúcar e etanol. Precisamos consolidar os investimentos por meio da construção de alcooldutos, reduzindo significativamente a demanda por transporte do biocombustível do Centro-Oeste para o Sudeste-Sul e os portos do País. O mercado de biocombustíveis é essencial e estratégico. Não podemos deixar a euforia inicial prejudicar o desenvolvimento de uma atividade de tanto potencial. Os desafios são urgentes. Precisamos enfrentá-los.
MAURICIO SAMPAIO é presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio


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