ESPAÇO ABERTO
O que fazer com remédios vencidos?
Alessandra Cabral Leite Duim
Talvez você já tenha feito esta pergunta e também questionado a maneira correta de descarte. Mas a falta de informação sobre os impactos ambientais que os remédios podem causar gera um problema muito comum e diário na forma de descarte de medicamentos de uso doméstico com prazo de validade vencido. Os remédios são jogados juntamente com o lixo residencial e vão parar nos aterros sanitários, podendo contaminar o solo e águas de subsolos. Ou são simplesmente jogados no ralo diretamente no esgoto doméstico, colaborando para contaminação de recursos hídricos, pois muitos remédios são resistentes a vários processos de tratamento convencional de água.
Quem nunca jogou remédio vencido no lixo? Aliás, esta é uma prática comum no o início de ano. O consumo mundial de fármacos é bastante significativo, algumas toneladas de medicamentos são produzidas por ano e aplicadas na medicina humana e veterinária. Existem cerca de 11 milhões de substâncias químicas conhecidas e das 70 mil atualmente comercializadas, cerca de setecentos compostos orgânicos podem ser encontrados em água de abastecimento.
Os remédios são desenvolvidos para serem persistentes, mantendo suas propriedades químicas o bastante para servir a um propósito terapêutico. Nos últimos anos foram classificados como contaminantes ambientais emergentes, devido às moléculas serem biologicamente ativas e apresentarem baixa biodegradação no ambiente.
Trabalhos de pesquisas no campo de análise química têm relatado a presença de fármacos como antibióticos, hormônios, anestésicos, depressivos, antiinflamatórios dentre outros em esgoto doméstico, em águas superficiais e sedimentos. A preocupação da presença destes fármacos no meio ambiente são riscos potenciais de contaminação e efeitos danosos causados aos humanos pelo lançamento subseqüente dos fármacos no ambiente, pelo caráter persistente e altamente tóxico a longo prazo, e alguns são conhecidos, como mutagênicos e carcinogênicos.
Os remédios não podem ser simplesmente jogados no lixo, são produtos químicos! E existe destino certo para eles. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), através da Resolução RDC 306/04, exige que estabelecimentos de serviços saúde disponham de Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviço de Saúde (PGRSS). Portanto, entregar esses medicamentos vencidos em farmácias, postos de saúde ou hospitais que os recebam seria a melhor opção, os mesmos fariam parte dos resíduos de saúde e destinado à coleta de lixo hospitalar a serem processados por empresas especializadas. Promover uma campanha de conscientização evitaria que esse material continue a ser jogado fora junto com lixo doméstico, e preservaria o meio ambiente!
ALESSANDRA CABRAL LEITE DUIM é estudante de Ciências Biológicas na UniFil em Londrina
Fazer de 2008 um ano bom
Walmor Macarini
Tenho proclamado que os anos bons são aqueles que fazemos bons. Por isso, fazer de 2008 um ano melhor que os anteriores está na dependência de cada um. Uma boa medida será refinar nossas formas-pensamento, nossas formas-sentimento e nossas palavras. Isto resultará em ações práticas correspondentes. Porque é essa dinâmica das massas que gera ou a serenidade e o bem-estar ou o aumento das atribulações, individuais e coletivas.
Emanações de pessimismo e negativismo, comuns no murmúrio popular e nas palavras escritas, mais robustecem essa corrente. E, ao contrário, a reversão desse comportamento propagará ondas de bonança e purificará o clima ainda denso que envolve a humanidade. Louve-se, apesar de tudo, que o mundo está melhorando, e só os catastrofistas insistem em não enxergar isso. Ocorre que o que é mau tem mais fácil difusão. Assim, aos olhos dos desatentos, a lupa de aumento converte uma formiga num rinoceronte.
Neste exato momento existem mais pessoas fazendo coisas boas do que ruins. Se um em cada dez está causando destruição e maldades, os nove restantes estão fazendo e criando coisas melhores para o bem-estar geral. Combater os desmandos é necessário, mas é preciso fazer isso com idéias, com propostas e contribuições de solução, sem ingredientes de ódio. Porque o ódio envenena a atmosfera e quem o produz, gera a condensação de sombras e contamina o campo, tornando-o irrespirável.
Um novo ano sempre traz em seu bojo boas irradiações, porque os dias que o antecedem - o Natal incluído - dão uma trégua às hostilidades, com o adicional de semearem bons sentimentos e boas palavras. Isto funciona como um fogo purificador e expande os portais da mente e do coração.
Tenho escrito que, todos os dias, as pessoas saem para o trabalho ajeitando as coisas necessárias para cada jornada, e no ambiente doméstico as coisas são rotineiramente reorganizadas. Cada qual se banha, se veste com roupas limpas e até perfuma-se, mas esquece-se de higienizar pensamentos e sentimentos, que nesse estado resultam em palavras e atos da mesma qualidade e irradiam fluídos nefastos. Reordenar nosso comportamento sob esse aspecto é uma extraordinária fórmula de saúde física, mental e espiritual, e tem reflexos positivos pessoais e sobre os circunstantes.
Não precisamos fazer projetos mirabolantes para o ano que começa e nem exceder nossa limitação terrena - porque o bom senso e a sabedoria não exigem isso - mas podemos simplesmente recorrer ao mestre sábio que reside no âmago de nossa alma e seguir os seus conselhos. Ele nos induzirá a encarar com mais responsabilidade os infortúnios, indicando formas de bem administrá-los, e a enxergar a vastidão das belezas que existem ao nosso redor e que no mais das vezes não vemos.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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