ESPAÇO ABERTO
A paisagem da Estrada dos Pioneiros
Humberto Yamaki
Um pequeno trecho de estrada de terra que liga Londrina a Ibiporã é o que restou da Estrada dos Pioneiros, uma picada aberta na mata pela expedição da Companhia de Terras Norte do Paraná em 1929. Para os planejadores locais é considerado um novo vetor de desenvolvimento da região Leste, uma alternativa de via rápida de ligação. De fato, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná está ali sendo instalada e o asfalto deverá chegar em breve.
Poucos são, no entanto, os que se preocupam com a importância de preservação, primeiro, do nome Estrada dos Pioneiros, e em segundo, do caráter da paisagem remanescente.
Saindo da Catedral e seguindo a Avenida Celso Garcia Cid por alguns quilômetros, existe uma curva à direita logo depois de um conjunto habitacional de prédios baixos. Neste local começa uma estrada de chão em direção a Ibiporã, a Estrada dos Pioneiros. Aqui, incomoda um pouco os montes de pneus e entulho depositados às suas margens.
Na reta inicial, pode-se observar um grande desnível em relação às plantações nas laterais. Permite imaginar os 80 anos de uso continuado do seu leito. Como seguimos paralelamente à ferrovia, a linha de ferro ora surge como curva ora se afasta rapidamente.
As plantações de soja são cortadas de tempo em tempo por carreadores que conduzem aos sítios e fazendas. Dentre elas, uma particularmente chama a atenção por causa da existência de um conjunto de casas de madeira e uma capela, protegidas por um bosque.
De volta para a estrada, uma olhada para trás permite visualizar o alto de Londrina com seus edifícios. Os raros veículos que cruzam, levantam uma nuvem vermelha de pó que vai impregnando tudo. Nas baixadas, a lama vermelha ainda desafia em épocas de chuva.
Pouco depois, pode-se avistar ao longe um quadrilátero de mata nativa remanescente, tendo como contraponto uma imensa árvore e a linha férrea que a tangencia. Parada estratégica.
Seguindo pela estrada, um belo panorama de morros a perder de vista se descortina do lado direito. Outra parada. Mais algumas curvas e cruzamos dois cafezais. Apesar das torres de alta tensão fincadas no seu interior, é possível por instantes imaginar os tempos em que o café dominava estas paragens. Neste trecho, barracões ao longo da BR-369 vão ficando cada vez mais visíveis. Estamos quase no fim da jornada.
Em alguns quilômetros, bem perto de Londrina, é possível reconhecer uma variedade de elementos que dão caráter à paisagem tradicional norte-paranaense.
Apesar de terem permanecido praticamente imutáveis durante décadas, estas paisagens são bastante sensíveis. Se não forem cuidadas, logo se transformarão à semelhança de uma outra via qualquer, ocupadas por barracões, ferros-velhos e muros de condomínios. Perderemos um importante patrimônio visual, histórico, cultural e paisagístico. Ainda há tempo para a sua conservação, utilização estratégica e sensível. Preservar a paisagem norte-paranaense.
HUMBERTO YAMAKI é coordenador do Projeto Guia do Patrimônio Cultural de Londrina
Trânsito: multa alta e prisão
Devaldo Gilini Júnior
Dados da Polícia Rodoviária, divulgados pela FOLHA DE LONDRINA (dia 27/12, caderno Cidades) mostram que o Natal deste ano foi o mais sangrento da história do País, desde que os indicadores começaram a ser medidos, há 20 anos. Nos 61 mil quilômetros de rodovias federais foram registrados 2.561 acidentes, com 1.870 feridos e 196 mortos - 51% acima do ano passado. Em mais de 70% dos acidentes, houve erro humano. Em 40% desses casos, foi constatada presença de álcool.
Nas estradas do Paraná foram registrados 473 acidentes nos cinco dias da Operação Natal, o equivalente a 94 por dia. Foram 448 feridos (89 por dia) e 37 mortes (mais de 7 por dia). Excesso de velocidade, ultrapassagem irregular, embriaguez ao volante, imperícia e falta do uso obrigatório do cinto de segurança resultaram em 3.125 autuações.
O problema não está na fiscalização, conforme comprovam os números de autuações divulgados pela Polícia Rodoviária. Mas na falta de rigor para aplicação das leis. Por isso, temos um trânsito que mata mais do que guerras. O Código de Trânsito Brasileiro segurou um pouco os motoristas nos primeiros dois, três anos. Agora, o número de mortes em acidentes de trânsito no País voltou a crescer, e muito.
A educação também é importante, mas só ela não adianta. Os Centros de Formação de Condutores têm material didático de primeira qualidade, instrutores competentes, mas também somente isso não resolve o problema. O que deve ser feito é ampliar o valor das multas e criar penas de prisão para os infratores, com existe em alguns países.
No Japão, o motorista é preso se for flagrado dirigindo com qualquer nível de álcool no sangue. Passageiros do veículo são punidos por cumplicidade. Na Austrália, a punição pode ir de suspensão imediata da habilitação até três anos de prisão. Na Holanda, quem é pego dirigindo bêbado paga R$ 2 mil de multa, com suspensão da carta de habilitação e prisão de duas semanas.
Na Alemanha, multa a partir de 0,03 g/dl. Acima de 0,11 g/dl, o motorista é acusado por crime, sua licença é cassada e ele pode ser preso por até 5 anos. Na França, a nova legislação, que entrou em vigor este ano, prevê multa de R$ 1 mil por mês, durante um ano, além de prisão pelo mesmo período, para qualquer tipo de infração de trânsito. E não tem desculpa, é cadeia mesmo, sem direito a regalias.
Muita gente elogia os países da Europa, os EUA, o Japão pela educação do povo, pela limpeza das ruas, pelo respeito às leis e ao pedestre. Mas é bom saber que nesses lugares, não foi somente a educação nas escolas que conseguiu modificar as atitudes da população. Foram as multas altíssimas e as prisões. Lá muita gente foi e continua indo para a cadeia por jogar papel no chão, dirigir embriagado, provocar acidentes.
Educação é muito bom, para crianças. Para jovens e adultos infratores, a melhor escola é o rigor da lei, punições justas, que mexam no bolso e tirem a liberdade de quem não tem a mínima condição de viver em sociedade.
DEVALDO GILINI JÚNIOR é editor do caderno Carro & Cia





