ESPAÇO ABERTO
Dona Árvore
Fábio Cavazotti
No início deste mês foi lançado, em livro, a coletânea de poesias e redações do 1º Concurso Literário da Zona Norte - evento que contou com apoio da Federação das Associações de Moradores de Londrina (Famecol) e Universidade Estadual de Londrina (UEL). Todos os textos que constam da publicação são merecedores dos mais altos aplausos e atestam que a poesia, a cultura e o conhecimento já estão dentro das nossas crianças, faltando, por vezes, apoio de nós, adultos, para que se fortaleçam. Entretanto, um dos textos chama, sobremaneira, nossa atenção, pelo gravíssimo alerta que contém. Seu título é A árvore mais linda e foi escrito pela estudante Alexandra Martins Inglês, da 4ªsérie da Escola Municipal Atanázio Leonel, no Jardim São Jorge.
Transcrevo-o na íntegra: Oi pessoal! O meu nome é Dona Árvore. Eu tenho amigas que são árvores também. A cada dia que passa os inimigos cortam minhas amigas e poluem o ar, a cachoeira e os rios. Qualquer dia eu também vou ser cortada e vou virar madeira. No outro dia, o cortador de árvores chegou perto de mim. Ele estava começando a me cortar e eu falei. Socorro, socorro! Mas não tinha escapatória para mim. Eu morri e todas as árvores ficaram chorando.
Cara Alexandra, eu também morri um pouco ao ler seu texto. E ao mesmo tempo renasci. O que sua história me despertou assemelha-se à própria morte das árvores: um misto de sensação de perda e espírito de luta para reverter a situação. Mas, mais importante que meus próprios sentimentos, são os seus. Eles revelam que, tudo aquilo que alguns adultos dizem para nossas autoridades, ou seja, que o extermínio de árvores sadias (nativas ou exóticas, não importa, já que na grandeza das crianças são todas árvores) é injustificável à luz da natureza, transparece à nossa futura geração como um assassínio generalizado. E importa a nós perceber que o recado ambiental que estamos passando às crianças é o mais deturpado que poderia existir.
Ao pessoal da Secretaria Municipal de Meio Ambiente - com todo o respeito: se o alerta, a crítica, a avaliação e o pedido de nós adultos, membros de Ongs, da imprensa, cidadãos comuns ou ambientalistas anônimos são sempre mal encarados, como posicionamento político, ou passionalidade, que o desabafo de Alexandra lhes sirva de alguma coisa.
Que reflitam na inocência das crianças suas próprias atitudes. Que tenham a grandeza de, como os verdadeiros pais, aprenderem com seus filhos. E que parem com essa barbaridade chamada erradicação de árvores, a não ser nos casos previstos em lei: podridão, risco à segurança ou impedimento à construção de bens públicos.
Se vocês cessarem com isso e passarem a plantar árvores, muito mais do que a quantidade irrisória de hoje em dia, talvez passem a plantar, além disso, boas sementes em nossas crianças. E, com certeza, receberão o agradecimento de todos nós, adultos e crianças, sem falar na gratidão da natureza que floresce no vale do Rubi, no Zerão, e em outras áreas verdes que hoje choram mutiladas.
Parabéns e obrigado, Alexandra, você, em sua infância, já dá lição em muito adulto!
FÁBIO CAVAZOTTI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
O poder transcendente no homem
Walmor Macarini
Já escrevi a respeito e volto ao tema, para dizer que o homem carrega em si todos os ingredientes para recriar aqui na Terra o paraíso. Basta que se ancore em seu poder interior e entenda as razões por que aqui está. Idéias de pecado o arrastam para o charco das imperfeições; e idéias de punições o projetam nas sombras do medo. Tem o homem muita responsabilidade sobre seus pensamentos, palavras e atos. Nem será preciso que aja, basta que pense e sinta, e isso se propagará com o poder do raio.
Felizmente as coisas não estão ficando piores no mundo, apesar dos conflitos que irrompem num canto e outro do planeta; ao contrário, está havendo uma progressiva elevação, lenta e silenciosa, da consciência da humanidade. Os turbulentos estão mais em evidência porque encontram-se no cenário e por isso são mais focalizados, pelas suas más obras.
A violência não está apenas nas guerras e nas iras e cegueiras do homem-ser-carnal. A paz, também, não é algo só presente no regulamento de algum organismo internacional, mas reside em cada um. As conseqüências da ira recaem sobre os irados, sem que o percebam, não por castigo mas por que esta é a lei, eis que se entramos num determinado círculo lá encontramos todas as coisas pertinentes a esse círculo.
Já o homem sintonizado em sua mente superior (entenda-se seu Cristo interno) entrará na freqüência da Fonte e verá a iluminação chegar-lhe, assim como toda a ajuda de que necessita. Isto explica por que há pessoas ricas espiritualmente, cheias de felicidade e sabedoria. São pessoas conscientes de que há um poder transcendental dentro delas, e esse poder é a centelha divina imanente de Deus por afinidade.
Em cada célula do ser humano está a síntese do universo. Ao condicionar-se pequeno o homem limita-se à sua fisicalidade e nega a sua origem divina. Mas, recolhendo-se ao silêncio de seu santuário interior, conhecerá a sua grandeza e a sua extraordinária dimensão, porque passará a ouvir o que lhe fala o seu Cristo pessoal - a sagrada individualidade que estava muito presente em Jesus e nos demais mestres de sua linhagem que o antecederam em missões terrenas, e presente em todos os seres, porque preexistente a todos e a todas as coisas.
Aqueles que tanto ressaltam as aflições do mundo mais as expandem e mais aflições geram, passando a viver em angústia e tormento, porque envolvidos nessa atmosfera. Contudo, mesmo isto é do seu livre-arbítrio e coerente com a sua liberdade de ser. Pelas marcas dos passos da ida poderão fazer o caminho da volta, bastando que o decidam. Nenhuma mão divina os irá buscar à revelia de sua vontade, mas acenará para a trilha mais segura de retorno.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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