A vida fascina o homem
Oswaldo Petrin

  A reportagem sobre o nascimento do bebê Mateus, publicada na antevéspera do Natal, mostrou ambiente e detalhes de um parto: sofrimento, tensão, alegria, emoção e a sabedoria da ciência médica. O significado da reportagem de Wilhan Santin pode incluir mais dos ingredientes: a exaltação à figura do criador e a dádiva de ser mãe.
  Mas o tema é, antes, um chamamento para que as pessoas reflitam sobre essa máquina perfeita chamada corpo humano. E respondam se ela merece ser mal tratada com uso de droga, cigarros, álcool, etc. E se alguém tem o direito de cessar o seu funcionamento à base da violência. A morte prematura é, no mínimo, um desperdício.
  O texto coloca o leitor diante desse fato. E o faz justamente num momento em que o mundo se dicotomiza em antagonismos que culminam com destruições. Sugere que as pessoas, antes do delito, do ódio, da autofagia, olhem para dentro de si. E percebam que vão avariar essa máquina maravilhosa que é o próprio corpo.
  Portanto, a reportagem coloca o leitor diante dessa oportunidade para pensar sobre atitudes do cotidiano. É ilustrativo o fato narrado pelo médico obstetra: Um dia uma moça gestou um bebê na cavidade abdominal pois a célula se fixou ali e não no útero. Mas o organismo, sábio, criou uma placenta naquele local e o bebê nasceu bem, aos oito meses. E o médico, que salva e faz acontecer, tem a sabedoria de dizer ‘‘só por milagre’’.
  A reportagem de Wilhan termina assim: Até hoje a biologia não tem uma definição exata para o que é a vida. É preciso valorizá-la.
  O texto, de maneira simples, sem plurivalência semântica, expõe a concepção da vida. Constatar que a genética construiu a máquina maravilhosa que foi gerada em menos de nove meses é algo que nos remete a um exercício de reverência à criatura e ao criador.
  Daí a imaginar que essa inteligência faz milhares de performances na outra inteligência, a artificial a do computador, é uma questão de lógica aplicada, de tão óbvia que se nos parece.
  Vendo assim a desenvoltura da sabedoria humana, cabe duvidar que as máquinas serão mesmo os nossos sucessores no planeta. É motivo para relevar, no sentido de tornar irrelevante até, o fato, meramente episódico, ocorrido anos atrás, em que o enxadrista Gary Kasparov foi derrotado pelo computador Deep Blue. Afinal, Supercomputadores como ele levam anos para ser construídos, ainda que em série. Enquanto criaturinhas como Mateus lotam as maternidades todos os dias.
OSWALDO PETRIN é chefe de Redação da FOLHA DE LONDRINA

O que você quer ser quando crescer?

Lair Ribeiro

  Talento é uma poupança que ganhamos ao nascer. O problema é o que fazemos com ela ao longo dos anos, pois nem todo mundo sabe administrar essa poupança. Hoje, trocamos nossos talentos por dinheiro, prestígio e reconhecimento quando exercemos nossas habilidades como profissão. Mas, às vezes, surge a sensação de que o nosso trabalho está longe de refletir a nossa identidade. E essa sensação aumenta quando nos damos conta de que, quando mostramos nossos talentos a outras pessoas, fora do contexto configurado pelo nosso ambiente de trabalho, somos reconhecidos por elas. Isso quer dizer que sabemos, sim, fazer algo digno de reconhecimento e que nos proporcione prazer, mas nem sempre é isso o que fazemos habitualmente, como trabalho.
  Muito da nossa essência se manifesta na infância. Com os talentos não é diferente. Nas brincadeiras infantis, manifestam-se os talentos e as aptidões que acabamos por esquecer com o passar dos anos, mas que podem transformar e dar novo sentido à vida adulta, se resgatados a tempo. Você já perguntou para uma criança o que ela quer ser quando crescer? É bom se preparar para as respostas! Você pode escutar de tudo um pouco: bombeiro, atriz, jogador de futebol, astronauta... Marcos Pontes, o primeiro astronauta brasileiro a conquistar o espaço, desde pequeno sonhava alcançar as estrelas... Mas, muitas vezes, nossos talentos ou aptidões não são tão claros e definidos, ficando mais fácil esquecê-los, perdê-los pelo caminho. Porém, com calma, paciência e atenção, é possível resgatá-los.
  Um bom exercício é recordar-se das atividades que lhe proporcionavam prazer nas brincadeiras dos tempos de infância. Em uma folha de papel, relacione as brincadeiras e os jogos de que mais gostava, contando detalhadamente qual era a sua função e que habilidades eram exigidas. Não tenha pressa. Se não vier tudo à mente, mantenha esse papel com você e vá acrescentando itens, conforme for se lembrando. Este é um excelente exercício de autoconhecimento e que irá ajudá-lo a redescobrir seus talentos, além de servir como um guia para potenciais profissões ou trabalhos em que você conseguiria se sair bem, reunindo prazer, felicidade e realização.
  Muitas das respostas pelas quais buscamos incansavelmente durante a vida estão guardadas dentro de nós mesmos. Basta ter coragem e determinação para buscá-las, o que não é tarefa simples. Porém, você pode se surpreender com os resultados!
  Aos pais, um conselho: da mesma forma como é importante para um adulto resgatar sua origem, relembrando suas divertidas e enriquecedoras brincadeiras dos tempos de criança, é fundamental deixar que seus filhos também vivam com primazia esse tempo de inocência, descobertas e crescimento. Não tolha os dons de seus filhos, mas incentive-os, sempre primando pelo equilíbrio, bom-senso e educação. Muitas vezes, um adulto é surpreendido por um chamado eloqüente porque, na infância, foi impedido de dar vazão às suas aptidões ainda na infância, e aquilo ficou retido bem lá no fundo, do seu ‘‘Eu interior’’. Dessa forma, contribua para que seus filhos se tornem pessoas bem-sucedidas e felizes. Pequenas atitudes podem fazer a diferença na sua vida e na vida deles. Pode acreditar!
LAIR RIBEIRO é médico cardiologista e palestrante internacional em São Paulo (webpage: www.lairribeiro.com.br)

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