Salve, nossa esperança e luz!
Dom Orlando Brandes
  A todos feliz Natal. O Papa Bento XVI nos presenteou neste Natal com a bela e profunda carta-encíclica sobre a esperança: ‘‘Spe salvi’’. Na esperança é que fomos salvos. Num mundo de depressão, de derrotismos e de apocalipses, somos chamados a ser pessoas de esperança.
  O Menino de Belém é nossa esperança e luz. Sua mãe esperou o nascimento do Menino e agora espera seu crescimento e felicidade. São muitas as esperanças. O guarda espera pela aurora, o agricultor espera pela colheita, a gestante espera o parto, o atleta espera a vitória, o preso espera a liberdade, o doente espera a saúde, a criança espera crescer.
  Jesus foi esperado por longos anos, desde os oráculos dos patriarcas, as pregações dos profetas, as promessas do Antigo Testamento. Natal é a realização destas profecias, promessas, é esperança de um mundo novo sob a luz do Evangelho.
  Jesus de Nazaré, por sua vez, abriu as portas do futuro e da eternidade. Falou-nos da vida eterna, da casa do Pai, do reino da luz. Todos somos esperados na eternidade para o abraço, a coroação, a glória, a vida plena e sem fim que Jesus nos mereceu. Nossa vida tem futuro, tem rumo, meta, enfim tem um porto aonde chegar. Nossa morte será nosso verdadeiro dia natalício. Nascemos para a outra vida. Tudo vai acabar no ‘‘Natal’’ que esperamos, onde a morte será como que um parto, uma porta, um nascimento para o céu.
  O Papa fala de quatro lugares de exercício da esperança: a oração, a ação, o sofrimento, o juízo final. Quem reza, espera em Deus e na solução dos problemas. O orante é um ‘‘ministro da esperança’’. O trabalho, a ação, o agir cotidiano são atos de esperança porque expressam o sentido da vida, a coragem de ser, a expectativa de melhores dias. O sofrimento é escola da esperança. Esperamos a recuperação, a consolação, a melhora. A dor nos amadurece e santifica. O juízo final é a esperança do novo céu e da nova terra, onde todas as criaturas participarão da glória de Deus.
  As pessoas de esperança dizem: hoje é melhor do que ontem; saibamos tirar o bem do mal; aprendamos com os erros; sejamos melhores do que somos; façamos dos problemas um desafio e possibilidade de vitória; ocupação sim, preocupação não; transformemos a dor em amor e vigor.
  Seja este Natal, uma festa da esperança porque o amor de Deus nos visitou, Jesus nos salvou, o deserto agora é jardim, o Menino é o príncipe da paz, os magos mudaram de convicção, os pastores são anunciadores, os anjos ordenam a todos que não tenham medo, mas que todos estejamos repletos de alegria. Confiantes esperemos sempre no amor de Deus. Não sejamos profetas da desgraça mas ministros da esperança. Senhor, confiamos esperando no vosso amor.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


A missão de Jesus Cristo no mundo
Joed Lamonica Crespo
  De acordo com a passagem de Gálatas 4.4-7, Paulo, inspirado pelo espírito Santo, descreve o Natal de forma bem diferente do que hoje os homens o celebram. ‘‘Vindo a plenitude dos tempos’’ - Jesus nasceu no tempo preparado por Deus, no tempo certo. ‘‘Deus enviou seu Filho’’, Jesus não veio ao mundo por vontade própria, ele foi enviado pelo Pai. A vinda de Jesus ao mundo é resultado de uma decisão, de um acordo da própria Trindade. ‘‘Nascido de mulher’’, para cumprir a promessa de Deus. anunciado no Éden a Eva: ‘‘E porei inimizade entre ti e a mulher e entre tua descendência e o seu descendente, este te ferirá a cabeça e tu lhe ferirá o calcanhar’’ (Gn 3.15). Jesus é o descendente da mulher que feriu a cabeça da serpente, neste caso figura de satanás.
  ‘‘Nascido sob a lei’’, Jesus não pode ser acusado de rebelde, ele nasce sob a lei, Ele cumpre a lei, pois foi circuncidado ao 8º dia, foi apresentado no templo, etc. Ele cumpriu os preceitos da lei para realizar sua extraordinária missão que Paulo descreve assim:
  1. Resgate e libertar (Vs 5,7). Geralmente o resgate de uma pessoa seqüestrada é feito mediante o pagamento de certa quantia de dinheiro. É o preço do resgate. Jesus ao derramar seu sangue na cruz, pagou o preço do nosso resgate. Não precisamos mais ser prisioneiros do pecado, do Diabo, do medo. Paulo usa também a figura do escravo: ‘‘Assim que já não és mais escravo mais filho’’. Além de pagar o preço pelo nosso resgate, Jesus veio libertar os cativos, quebrar os grilhões e levar-nos de volta à família de Deus, na condição de filho.
  2. Adotar como filho. O pecado separou o homem de Deus, o Pai. A relação do homem com Deus foi cortada, por isso João descreve: ‘‘Mas a todos os que o receberam, aqueles que crêem no seu nome deu-lhes o poder de seus feitos filhos de Deus’’ (1.12). A missão de Jesus no mundo além de resgatar, libertar o homem é de abrir espaço para que o homem retorne à família de Deus, o Pai, tenha amizade e comunhão com Deus.
  3. Produzir identidade e intimidade (v 6). Deus enviou o Espírito de Santo dentro do cristão gera identidade com Jesus. O mesmo Espírito nos capacita a amar como Jesus amou, servir como Jesus serviu, a fazer a vontade de Deus como Jesus fez. Desta maneira nós nos identificamos com Jesus nosso irmão mais velho. Conseqüentemente, temos intimidade com Deus ao ponto de chamá-lo de Paizinho, Papai. Temos uma relação familiar com Deus.
  4. Conceder direito à herança (v 7). ‘‘Se és Filho, és também feito herdeiro de Deus’’. Jesus veio para compartilhar conosco os bens, as riquezas do Pai Celestial. Se você compreende e recebe a Missão de Jesus em sua vida, será resgatado, liberto, adotado e herdeiro de Deus. No final poderá ouvir dos lábios de Jesus. ‘‘Vinde benditos de meu Pai, possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo’’ (Mt 25.34).
  Abençoado Natal e um vitorioso Ano de 2008.
JOED LAMONICA CRESPO é presidente do Conselho de Pastores de Londrina

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