ESPAÇO ABERTO
Vocação, você tem uma?
Rafael Tomazini
O tema em tela é em tudo momentoso e nada perturba a força de sua singularidade, pois trata-se de um assunto - vocação - que haure toda sua razão de ser. No último vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) percebi uma profunda descaracterização do senso de vocação. A maioria dos candidatos que tive oportunidade de conversar não estava concorrendo a vaga do curso que gostariam, alguns devido ao alto grau de dificuldade que o concurso apresentava e um outro grupo (esse bastante representativo) porque o curso não lhe garantiria no futuro um bom rendimento financeiro.
Nossa sociedade está completamente inebriada pela busca exacerbada do lucro, destarte o feedback pecuniário é o que determina a escolha das profissões. Nesse afã, uma pessoa com vida superlativa é aquela que consegue angariar o maior número de bens ao seu cabedal e não aquela que proporciona o bem-estar das outras. Nesta sociedade os princípios de empatia e alteridade não possuem valor algum. E essa compreensão tem sido introjetada na cabeça das crianças desde a mais tenra idade.
Antigamente perguntava-se a um infante o que ele gostaria de ser quando crescesse e a resposta era: Médico, para salvar a vida de outras pessoas. Hoje quando se faz à mesma pergunta a resposta é: Médico, para ganhar bastante dinheiro. Ou seja, houve uma grande inversão de valores.
Os livros mais vendidos atualmente são aqueles que ensinam como enriquecer rapidamente. Com isso não quero dizer não se deve ganhar dinheiro com a profissão, antes pelo contrário, assevero que todo rendimento advindo do esforço empenhado na profissão é em tudo dignificante. Mas uma coisa é certa, não existe maior satisfação no mundo do que fazer o que se sente motivado a fazer, trabalhando em uma área que contribua para o benfazejo social, onde outras pessoas sejam beneficiadas pelo esforço do seu labor. A riqueza, o dinheiro, tudo isso é bom, porém em si mesmo, não satisfaz o ser humano, o que realmente satisfaz é o senso de dever cumprido.
Imagine se os políticos que governam nosso país, os médicos que cuidam de nossa saúde, os construtores que constroem nossas casas, os mecânicos que consertam nossos veículos, fossem de fato vocacionados para tal como as coisas seriam diferentes. Uma pessoa com senso de vocação tem profundo amor pelo que faz, dedica-se ao que faz e o faz com esmero. Sem vocação não há paixão nem idealismo na profissão. A maior recompensa de um trabalho não é o lucro pessoal auferido, mas a alegria do dever cumprido e a certeza de que se promoveu o bem maior para um número maior de pessoas.
RAFAEL THOMAZINI é graduado em Teologia e estudante de Psicologia na Metropolitana/Iesb em Londrina
Abrir o portal do templo interior
Walmor Macarini
Jesus, cujo majestoso espírito de luz desceu a estas paragens para deixar preciosos ensinamentos aos homens, é reverenciado neste 25 de dezembro (embora Papai Noel quase o sufoque). Mas que os seres que habitam este planeta estejam preparados para a nova radiância que está chegando à Terra e que culminará com a intensa manifestação do Cristo no santuário interior de cada um. Disponibilizemos então nossa manjedoura, porque esse renascimento está próximo de revelar-se.
Nesta véspera de Natal e de virada do calendário não ocorre apenas a passagem de ano mas o limiar, cada vez mais claro, de um tempo novo que se avizinha. Será preciso que os seres humanos abram o portal de seu divino templo interno e saúdem esse magnífico evento da era que chega.
O espírito daquele que foi Francisco de Assis nos fala da luz que somos e diz que por via desse ponto luminoso em nós atrairemos para que também se iluminem outros seres que ainda se encontram em baixo nível evolutivo. Ele recomenda que paremos por instantes em nossas tarefas diárias para sentir a luz gloriosa que emana dos nossos corações, onde habita o Cristo pessoal de cada um. É ali que está o Reino de Deus. O homem, portanto, deve aceitar que é um ser de linhagem superior.
Um ciclo de tempo está se encerrando e um novo recomeça, trazendo em sua crista os ingredientes para expansão de consciências. Nada virá de fora para dentro, e não será nos céus que algum sinal aparecerá, mas a partir do Cristo interno de cada ser humano. Ensinamentos do passado estão voltando e encontrarão abrigo nos portais dos corações que estiverem abertos. Jesus um dos nossos tantos irmãos mais velhos que habitam as elevadas esferas nos fala desse advento.
Tudo brotará a partir de dentro, assim como um ser carnal nasce do ventre materno; como o fruto emerge do interior da planta. A luz refulgirá a partir do âmago de cada ser e não por via de um suposto Deus distante e inalcançável que estaria habitando num lugar imaginado do Cosmo.
A escritura antiga nos ensina que devemos orar e vigiar, e a escritura contemporânea nos revela que orar é prostrar-se em comunhão como nosso Eu Superior (o Cristo em nós, ou o Reino, de que nos falava Jesus); e vigiar é ficarmos atentos para que não se apague essa chama interna, que significa nossa consciência permanente de que dentro de nós está o supremo poder.
Nosso corpo carnal é uma vestimenta de duração temporária mas que precisa ser cuidada enquanto existir e nossa essência é nossa realidade, e toca Deus, porque emana dele. Por isso somos seres grandiosos. Temos de nos conscientizar disso, sem dar ouvidos aos que querem nos manter atrelados a certos sistemas de crenças e em constante temor. Só pela abertura desse portal de entendimento triunfará o amor, que significa não um fugaz sentimento mas o poder que une todas as coisas.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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